Retrato de Miguel Duarte

Tirando as questões económicas, que como o Luís Lavoura afirmou, são uma questão que compete aos operadores energéticos decidir, e não aos governos, o nuclear era uma solução que me colocava grandes dúvidas devido em primeiro lugar ao problemas dos resíduos e num segundo lugar (por estar mais descansado), aos problemas de segurança.

A questão dos resíduos felizmente parece estar em vias de resolução graças aos desenvolvimentos tecnológicos, ao nível da capacidade de perfuração, da indústria do petróleo. Os Estados Unidos estão neste momento a analisar a hipótese de enterrar os resíduos entre os 3 e 5 kilómetros de profundidade, uma profundidade tal que segundo os especialistas é suficiente para efectivamente resolver o problema, dado que existe uma grande quantidade de locais com estabilidade geológica suficiente para termos a certeza que os resíduos aí irão permanecer durante os milhões de anos necessários para perder a sua perigosidade. Desde que um operador privado garanta um fundo para dar esta solução final aos resíduos, penso que a questão ficará encerrada, não passando as gerações presentes custos para as gerações futuras, que não têm culpa nenhuma das nossas necessidades energéticas (e tecnologia arcaica).

Quanto à questão da segurança, aquilo que me tem sido dado a entender, é que uma central nuclear dos dias de hoje (3ª geração) é muito mais segura que a generalidade dos reactores em funcionamento que nos foram deixados pelos nossos pais. O risco está lá sempre, mas a realidade é que os combustíveis fósseis matam pessoas todos os dias (por exemplo com problemas respiratórios nas cidades) e com um grau de certeza bem maior que a incerteza da Energia Nuclear.

Gerações de Reactores Nucleares

Face a estas evidências e tendo em conta que os próprios ecologistas embirram muitas vezes com as chamadas alternativas, por motivos como a matança de aves dos geradores eólicos até à destruição de ecosistemas pelas barragens. Passando pelas questões económicas (o nosso país necessita de ter acesso a energia barata), estratégicas (a Europa não deve estar dependente de países terceiros para a produção de energia) e ambientais (é necessário efectivamente, para bem do planeta, emitir-se menos carbono), a energia nuclear parece-me cada vez mais uma opção a ser tido em consideração no nosso país e na Europa.

Restam as questões técnicas:

Anónimo (não verificado) on Terça, 06/04/2010 - 15:33

Restam as questões técnicas: a produção seria centralizada (maiores perdas nas linhas) e a obrigação de ter a trabalhar, para efeito de reserva, abaixo da potência nominal várias centrais convencionais (aqui descarto a eólica, que já tem uma dimensão não desprezável) com o resultado de muito baixa eficiência para as mesmas. Nas faculdades de engenharia a ideia nunca é bem aceite por estas e outras razões que me escapam (lobbie verde).

As alternativas (renováveis) dão emprego a muitas mais pessoas. Consta que isso é preferível e inquestionável no Capitalismo, ainda que totalmente irracional.

Retrato de Miguel Duarte

Eficiência mede-se em €

Miguel Duarte on Terça, 06/04/2010 - 16:06

O capitalismo é muito mau a incorporar externalidades (como as mortes causadas por um possível acidente nuclear ou por poluição atmosférica de centrais eléctricas a carvão), pelo que, nestas coisas é sempre necessário alguma regulamentação.

Mas o que conta para si (e para a economia), no fim do dia, é os € a que lhe vai custar a electricidade, e nisso o capitalismo é muito bom, desde que exista concorrência. Como o Luís Lavoura afirmou, Portugal neste momento já consome energia vinda de centrais nucleares, e o nosso mercado de energia já é um mercado ibérico. Por isso eu estou totalmente de acordo como Luís Lavoura quando este afirma que a decisão de construir uma central é no fim do dia uma decisão que cabe aos produtores de energia e não ao Estado.

Ao Estado cabe regular o funcionamento de uma central nuclear e informar os privados se esta é ou não uma hipótese em aberto para os seus investimentos (informando-os claramente de quais as regras do jogo a que se terão de sujeitas depois de a construir).

Retrato de Luís Lavoura

comentário

Luís Lavoura on Terça, 06/04/2010 - 14:05

"a energia nuclear parece-me cada vez mais uma opção"

Eu acho que sim, mas gostaria que alguém se chegasse à frente, e que esse alguém não fosse o Estado. Isto é, eu exigiria que uma empresa, ou aliança de empresas, fizesse a proposta concreta de construção de uma ou mais centrais nucleares em Portugal, sem virem pedir ao Estado subsídios, distorções do mercado, garantia de um consumo mínimo, garantia de um preço mínimo, etc. Até isso acontecer, eu fico desconfiado de que a energia nuclear não é tão barata assim.

Os problemas dos resíduos e da segurança nunca me assustaram particularmente, mas há uma outra questão que me preocupa: haverá combustível? É que o urânio já hoje está a um preço muito elevado e, segundo já li, a mineração de urânio já hoje não é capaz de responder às necessidades de todas as centrais existentes (utiliza-se muito urânio reciclado de armas nucleares, caso contrário não haveria urânio que chegasse). As estimativas dizem que o urânio que por aí há chega para mais 30 ou 40 anos, ao ritmo atual de consumo - ou seja, não dá para mais tempo do que o petróleo.

(Razão tem o Irão, que trata de minerar o urânio e de o enriquecer no seu próprio território - não estão para depender do boa-vontade de outros países.)

Retrato de Miguel Duarte

Sendo que parece

Miguel Duarte on Terça, 06/04/2010 - 14:10

Que Portugal tem urânio.Se calhar devíamos era pensar em guardá-lo para nós, para eventuais necessidades futuras, e não vendê-lo agora. ;)

Retrato de Luís Lavoura

vende-o?

Luís Lavoura on Terça, 06/04/2010 - 14:17

Que eu saiba Portugal atualmente não minera nem vende urânio. As únicas minas existentes, as da Urgeiriça (conelho de Nelas), estão desativadas, por não serem rentáveis.

Retrato de Miguel Duarte

Activação

Miguel Duarte on Terça, 06/04/2010 - 16:07

Mas há quem pense em as re-activar.

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