Retrato de Luís Lavoura

Tanto os médicos como os enfermeiros estão novamente a pedir para que sejam reduzidos os números de entrada de estudantes nas Universidades nesses cursos.

Há muita gente que considera que uma tal limitação ao número de estudantes que entram nas universidades públicas é iliberal. Segundo essas pessoas, o Estado deve facilitar a formação de mais estudantes, para que aumente a concorrência entre os profissionais. Mas eu não concordo com esse argumento. As vagas existentes para médicos e enfermeiros em Portugal estão largamente limitadas pela disponibilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde. Por outro lado, esses profissionais facilmente arranjam trabalho no estrangeiro. Por esse motivo, se houver muitos médicos e enfermeiros portugueses disponíveis, a consequência não é baixarem os salários desses profissionais - a consequência é a sua emigração. O Serviço Nacional de Saúde não pode baixar (muito) os salários que paga a médicos e enfermeiros, sob o risco de eles emigrarem. Portanto, a estratégia de tentar aumentar a concorrência nestes setores profissionais falha.

Por outro lado, quem paga os estudos universitários de médicos e enfermeiros são os contribuintes portugueses. Se aumentar o número de estudantes de medicina, aumenta o dinheiro que os contribuintes gastam a formá-los, mas os lucros são empochados pelos estudantes - que emigram quando acabam o curso. Pelo que, é um erro, em minha opinião, permitir que entrem mais estudantes em medicina e enfermagem - isso será forçar os contribuintes a pagar mais dinheiro para benefício exclusivo dos privados.

Estão portanto, em minha opinião, errados todos aqueles - como, por exemplo, Vital Moreira - que defendem que, para combater o corporativismo médico, se deve deixar entrar mais estudantes nas faculdades de medicina portuguesas. Tal entrada não irá eliminar o corporativismo nem aumentar a concorrência - apenas irá aumentar o número de portugueses que emigram graças a um diploma universitário que lhes foi oferecido pelos contribuintes portugueses.

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