Faleceu há poucos dias Maria José Nogueira Pinto, que uma vez, num debate sobre homossexuais, disse ao seu interlocutor homossexual "acho que vocês têm o direito de existir".
Maria José Nogueira Pinto era uma pessoa cheia de caridade. Achava que os homossexuais tinham direito a existir, a não ser enforcados como no Irão. Também não achava que as lésbicas devessem ser violadas como no Uganda para apreenderem o prazer de ter sexo com um homem. Também não pensava, ao contrário de muitos outros, que os homossexuais fossem doentes que devessem ser submetidos a tratamentos clínicos com o fim de os libertar da sua doença. Não: caridosamente, achava que eles devem ter o direito de continuar a existir.
Maria José Nogueira Pinto era também uma pessoa frontal, que uma vez disse que achava mal que a Baixa de Lisboa estivesse cheia de lojas de chineses. Não porque os donos dessas lojas tenham os olhos em bico e tenham vindo da China, claro, mas porque são lojas de baixa qualidade e desprestigiantes. É claro que há na Baixa lisboeta muitas lojas de má qualidade e desprestigiantes que não são pertença de chineses, mas prontos, como ela era muito frontal, foi aquela expressão que lhe saiu da boca... "de chineses". Os quais chineses, é claro, também têm o direito de existir - mas talvez não, segundo Maria José Nogueira Pinto, na Baixa lisboeta.
P.S. Vale muito a pena ler na wikipédia portuguesa a página sobre Maria José Nogueira Pinto. Não faço mais comentários: ide lá e diverti-vos.














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