Retrato de Luís Lavoura

Diz-se (por exemplo, na TSF esta manhã) que o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade esteve para classificar o eucalipto como "espécie invasora", o que acarretaria severas restrições ou impedimentos ao seu plantio, mas que inexplicadamente abandonou essa ideia.

Chama-se a isto fazer política com algo que deveria ser ciência. O que é muito feio.

Eu sou proprietário de diversos terrenos na zona da Bairrada, nalguns dos quais o meu pai plantou eucaliptos. Nalguns desses terrenos também já eu fiz plantar árvores, e sempre rejeitei plantar eucaliptos, porque não gosto deles. No entanto, com o saber que a minha experiência com esses terrenos me dá, posso dizer de forma taxativa: o eucalipto não é uma espécie invasora. O eucalipto cresce porque é plantado pelo Homem, não porque invada terrenos onde não foi plantado.

Há na Bairrada diversas plantas invasoras, e nem todas são forasteiras. A bem portuguesa silva é uma invasora terrível. Ainda piores, porque crescem por debaixo do chão, são as australianas acácias. Trata-se de plantas efetivamente invasoras, que aparecem em e cobrem terrenos onde ninguém nunca as plantou. E que dão imenso trabalho a extirpar.

Os eucaliptos, pelo contrário, não invadem sítio nenhum onde não tenham sido previamente plantados. Quando são cortados e a terra onde estavam é lavrada, voltam a crescer, é certo, devido às sementes (ou às raízes ainda vivas) que deixaram no terreno; custa portanto um bocado a extirpá-los completamente de um terreno. Mas, uma vez extirpados, não o invadem de novo.

Justificar-se-iam, acredito, medidas restritivas ao plantio de eucaliptos em Portugal. Estou de acordo. Eu próprio não os planto, como já disse. Agora, classificar o eucalipto como espécie invasora para justificar tais medidas restritivas, é um disparate científico que não se admite.

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