O que sucedeu nos Estados Unidos significa que o "liberalismo", o "capitalismo" e a "economia de mercado" falharam. É claro que sim. Quando duas empresas abocanham o mercado sem concorrência (a criação da segunda empresa foi apenas para a transformação de um monopólio em duopólio) e contam com o pleno apoio do Estado para o fazer, isso significa que os "checks and balances" associados à regulação da economia, nomeadamente o funcionamento de regras de concorrência e o não estabelecimento de privilégios estatais dos quais as empresas tendem, inevitavelmente, a abusar, não funcionaram correctamente. É verdade: até nos Estados Unidos, o suposto "paraíso neo-liberal", existem distorções estatais ao mercado.













esquerda
Ismael Paulino on Quinta, 11/09/2008 - 15:45"Os bancos centrais, neste caso o FED facilitaram artificialmente o crédito, dando um sinal ao mercado de que os particulares se podiam endividar a baixos custos."
E qual o motivo? (ninguém falou em "mais" poder regulador)
É um raciocínio típico de esquerda
Filipe Melo Sousa on Quarta, 10/09/2008 - 19:47Os bancos centrais, neste caso o FED facilitaram artificialmente o crédito, dando um sinal ao mercado de que os particulares se podiam endividar a baixos custos. De seguida subiram abruptamente as taxas de 1% para 5,5%. Como seria de esperar surgiu uma crise de crédito hipotecário. Quem normalmente não acredita no mercado acha que a falha não foi das entidades reguladoras, mas sim dos agentes de mercado. E defende também que os bancos centrais deviam ter ainda mais poder regulador...
... para poderem reparar os disparates que fazem.
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 15/09/2008 - 09:13"Os bancos centrais, neste caso o FED facilitaram artificialmente o crédito, dando um sinal ao mercado de que os particulares se podiam endividar a baixos custos."
Não.
Os bancos centrais apenas emprestam a bancos comerciais, e não a particulares.
Portanto, as taxas de juro dos bancos centrais não afetam diretamente os particulares.
O intermediário (culposo) são os bancos comerciais. São estes que oferecem crédito aos particulares, que definem a taxa de juro e as condições desse crédito.
Nenhum banco comercial é obrigado, pelo banco central, a conceder crédito de forma irresponsável e/ou a uma taxa de juro demasiadamente baixa.
Luís Lavoura
nacionalização
Ismael Paulino on Quarta, 10/09/2008 - 11:12"livre funcionamento do mercado, de acordo com as suas próprias regras"
Há aqui uma diferença de ordem semântica e linguística, já que eu penso que o mercado, para funcionar, precisa de regras, caso contrário não há «mercado »mas apenas a lei do mais forte. Mas, no geral, creio que estamos de acordo.
nacionalização
Luís Lavoura on Terça, 09/09/2008 - 10:05Houve um falhanço do capitalismo na medida em que, para evitar um colapso do mercado financeiro, teve que se recorrer à nacionalização das empresas, isto é, à intervenção do dinheiro dos contribuintes para "limpar" as dívidas.
O que ficou demonstrado é que o livre funcionamento do mercado, de acordo com as suas próprias regras, teria levado à ruína de muitas famílias, o que teve que ser evitado mediante a nacionalização.
Luís Lavoura
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