Retrato de Luís Lavoura

Tem sido muito criticada a decisão do governo de ir utilizar a Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) para investir na reabilitação e arrendamento de casas nos centros urbanos. Eu compreendo essas críticas se elas provierem de proprietários de casas que não desejam, evidentemente, a entrada de mais um concorrente para o setor. Porém, sob o ponto de vista do bem geral, parece-me uma política globalmente correta, porque

(1) Há atualmente grande procura por casas de habitação nos centros das grandes cidades. Boa parte dessa procura tem origem no turismo (isto é, procura-se apartamentos para arrendar a turistas), mas também há muitos portugueses a querer habitar nos centros das cidades. A procura existe, pois.

(2) Deve ser objetivo do FEFSS obter rendimentos graduais, constantes e de baixo risco. O arrendamento de imobiliário satisfaz largamente essas caraterísticas.

(3) O negócio é aparentemente lucrativo, como se demonstra pelo facto de haver imensos privados a investir imenso dinheiro nele. Basta visitar os centros do Porto e de Lisboa para se perceber que nos últimos poucos anos se tem investido imenso dinheiro (por parte de privados) na recuperação de imobiliário nos centros das cidades. Se os privados investem, é porque é lucrativo. Se é lucrativo, então há boas razões para que o FEFSS também invista no setor.

(4) As aplicações alternativas de dinheiro do FEFSS são muito mais arriscadas. As obrigações (de qualidade, de boas empresas ou de Estados) rendem atualmente juros muito baixos, da ordem de 1%. As ações são, evidentemente, bastante mais arriscadas. Não havendo aplicações alternativas, o imobiliário para arrendamento parece boa opção. É aliás precisamente por isso que tantos privados estão a investir nele. No imobiliário para arrendamento demandam-se em geral taxas de retorno da ordem dos 7% anuais (isto é, por cada 100 euros investidos num projeto, pretende-se ter 7 euros de rendas por ano). Isto é muito superior àquilo que se alcança com o investimento em obrigações. Uma vez que o FEFSS está isento de IRS, pode facilmente contentar-se com taxas de rendimento inferiores, da ordem dos 4% anuais.

Em resumo: a aplicação de dinheiro em imobiliário, desde que esse imobiliário seja de qualidade e diversificado, é uma boa opção para os privados e também para o FEFSS. Só se compreende que se critique a opção do governo se, precisamente, a crítica provier de um privado que esteja a investir no setor e que não queira ter concorrência.

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