Retrato de Luís Lavoura

Há atualmente muita gente preocupada com o fim da Europa, que é como quem diz, da União Europeia. Um dos preocupados é mesmo o presidente da Comissão Europeia, que já avisou o mundo, solenemente, que o fim do Euro representará o fim da Europa.

Convem porém relativizarmos isto. Dos 27 países da União Europeia, apenas 17 partilham o Euro. E, desses 17, estima-se que se possam ir embora apenas dois ou três. Não é o fim do mundo. De 17 países da UE com o Euro e 10 sem ele, passaremos talvez para 14 países com o Euro e 13 sem ele. Não é nenhuma catástrofe.

O Euro não é a União Europeia. Há importantes e prósperos países da União, como a Suécia ou a Polónia, ou o Reino Unido, que não usam nem nunca quiseram usar o Euro. Não é por isso que a União Europeia acabou ou acabará.

Os países que vão, quase inevitavelmente, abandonar o Euro, a Grécia e Portugal, são economias bastante pequenas no contexto da União e da Zona Euro. Não é o facto de eles mudarem de moeda que causará grande engulho à União.

Além disso, a Europa não se esgota na União Europeia. Outros países, como a Suíça ou a Noruega, não estão na União Europeia mas, porém, têm com ela tratados de comércio livre. Mesmo a eventual saída de um qualquer pequeno país da União Europeia não significará o fim da Europa enquanto grande zona de economia fortemente integrada.

Mantenhamos portanto a serenidade. A Europa não vai implodir. A Europa não vai acabar. Vai apenas haver alguns países que vão mudar de moeda.

E vai haver, espero sinceramente, muitos bancos europeus que vão ficar com os dedos queimados. Merecidamente. Porque, por detrás de gastadores estouvados como Alberto João Jardim, estão sempre bancos que lhes emprestam dinheiro estouvadamente. Se não houvesse esses bancos, não haveria esses gastadores. E, para controlar os maus gastadores, talvez seja essencial controlar os maus bancos.

Zona Euro

AMCD (não verificado) on Sexta, 23/09/2011 - 21:05

Para além dos argumentos que aponta, às vezes pergunto-me: como foi possível ter existido C.E.E. e U.E. durante 45 anos sem o Euro?

Se viveu durante tanto tempo sem ele, não poderá viver outro tanto, também sem ele?

A moeda única sem um governo centralizado numa federação não funciona. Colocou-se a carroça à frente dos bois e agora a Zona Euro está num impasse. Ou avançamos para uma federação, ou recuamos para o escudo. Aqui é que não podemos ficar.

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