Aanlisando o PEC e prospectivando as suas linhas mestras, tentando ir um pouco mais longe do que a mera análise financeira, fica claro para mim que está implicito uma mudança de Modelo.
No principio foi o ataque aos chamados "gestores". E quem são eles? Como eu tenho como profissão o de Gestor Contratado posso bem falar com conhecimento de causa. São então profissionais com uma sólida base de habilitações literárias, normalmente com uma licenciatura complementada com mestrados e pós-graduações (pagas normalmente com dinheiro proprio ou da familia) e com vontade de vencer. Essa vontade obrigou a muitas horas de trabalho, e acima de tudo a ter de tomar decisões que implicavam risco, já que se trabalha para os detentores de capital que não admitem erros. Portanto o erro capital desses gestores foi o de aceitarem tomar decisões, expondo-se e expondo a sua familia a um nivel de risco elevado (se por exemplo são também nomeados Gerentes, deixam de ter direito a subsidio de desemprego). Outro erro capital é de serem ambiciosos e empreendedores. Chegados aqui e com salários que tem de remunerar todos estes riscos e nivel de responsabildiade, são aqueles que são chamados a ter o maior esforço financeiro de tal forma que se chega a um corte directo de 45% do seu rendimento anual (se somarmos os 11% de Segurança Social, torna-se um valor de 56% para o Estado de forma directa!).
Ao mesmo tempo permite-se que a função publica obtenha direitos só porque existe baseados nas famosas "carreiras", mesmo que tenham nivel de Bom nas suas avaliações e mesmo no caso de não serem necessários em determinadas áreas. São os chamados "direitos adquiridos".
Numa palavra, para mim fica mais uma vez claro - o Modelo de Portugal é o de manter os direitos da Administração Publica a todo o custo, mesmo esvasiando a iniciativa privada, o empreendorismo e a ambição.
Flarei depois do Lucro - outra palavra que vai influenciar o Modelo.














João, deveria de facto ser
artur baptista on Quinta, 11/03/2010 - 13:22João, deveria de facto ser mais preciso quando falo do PEC, mas as minhas análises estão baseadas nas que estão disponiveis por todos e as informações dadas pelo Ministro das Finanças. O documento em si não tenho.
No entanto, existe a necessidade, pelo menos para mim, de juntar algumas pontas para saber como vai ser o Modelo para o País para poder decidir o que fazer nas empresas com o maior numero de informação possivel (bound rationality).
Estou numa empresa privada multinacional, exportadora e os meus administradores querem saber para onde nós vamos como empresa e como País.
Desculpa o atraso.
João Cardiga on Sexta, 12/03/2010 - 20:22Desculpa o atraso na resposta.
A minha duvida era só porque pensava que já tinhas tido acesso.
Pessoalmente eu não compreendo como é que o Governo num documento tão importante não o disponibiliza para os cidadãos. Como disseste no teu comentário isso é importante para ti (julgo que será para todos) quer como cidadão quer como gestor.
Esta coisa de fazer politica às escondidas é algo extremamente negativo para todos! Não entendo porque é que só os partidos politicos com acento parlamentar é que podem ter acesso ao documento, e porque nenhum deles o disponibiliza para nós consultarmos...
Como não é possível fazes o que podes...
Malditos "gestores"
João Cardiga on Quarta, 10/03/2010 - 19:03Malditos "gestores" esse seres maquiavelicos, filhos de satã!!! :)
Nunca percebi muito bem esta necessidade de generalizações e de apontar o dedo a figuras, diria eu, mitológicas.
Como gestor, percebo bem o ponto que levantas, no entanto tenho de confessar que (tal como em qualquer generalização) o facto de num passado recente gestores de topo não terem sido responsabilizados por erros cometidos (muitos deles sairam ainda por cima com "Golden parachutes") ajudou a transmitir uma sensação de falta de responsabilidade e de falta de responsabilização, que não corresponde à maioria dos gestores (não confundira com "empresários-gestores-funcionários" das nossas "nano-micro-pequenas-médias" empresas)...
Uma dúvida: já tiveste acesso ao documento em si? Consegues arranjar um link...
Nota de rodapé: Relativamente aos 45% ele apenas se aplica ao rtendimento acima dos 150.000 euros e terá um impacto marginal relativamente à margem efectiva.
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