Retrato de Luís Lavoura

A doença do nemátodo do pinheiro (pine wilt) chegou já à Bairrada, tendo sido encontrados pinhais a sofrer da doença no concelho da Anadia. A doença está pois a caminhar muito rapidamente para norte.

Por toda a Bairrada, os proprietários de pinhais estão a cortá-los antes que os pinheiros adoeçam e morram, e antes que entrem em vigor as novas regras da União Europeia que tornarão mais caro o tratamento do pinho português para exportação. As serrações estão saturadas de pinho e o preço da madeira está a descer.

Os proprietários vêem-se então perante um problema: cortados os pinhais, que replantar em lugar deles? A resposta da imensa maior parte dos proprietários tem sido: eucalipto. Porque é uma árvore que dá um rendimento rápido (em doze anos), embora relativamente pequeno, e porque não dá chatices - cresce muito rapidamente, combatendo eficazmente a invasão dos terrenos por matos e silvas.

Está-se portanto a perder, lamentavelmente, a oportunidade que a doença do nemátodo do pinheiro concedia a Portugal para diversificar a sua produção florestal, saindo dos tradicionais pinheiro e eucalipto que cobrem todo o Norte e Centro da país.

mais subsídios?......

Ismael Paulino on Segunda, 27/10/2008 - 21:11

Agora é que davam jeito subsídios da União Europeia para espécies arbóreas cujo retorno económico é mais prolongado no tempo, e por isso mais arriscado e menos atractivo... (?)

Retrato de Luís Lavoura

já existem

Luís Lavoura on Terça, 28/10/2008 - 09:31

Já há subsídios (não sei se da União Europeia se de Portugal) para o plantio de sobreiros.

E, por sinal, na terra de que falo (Bairrada) os sobreiros são uma espécie autótone, que se dá particularmente bem e cresce espontâneamente por todo o lado.

Mas os subsídios em propriedades de minifúndio não funcionam bem. A burocracia que eles exigem desencoraja qualquer proprietário. Não é rentável andar a pedir subsídios para plantar propriedades de um hectare ou menos.

Além disso, o sobreiro naquela região não é rentável (atualmente), porque não há tradição de recolha da cortiça, nem há pessoal que a faça.

Luís Lavoura

Apocalipse

Stran on Sexta, 24/10/2008 - 15:27

"Mas o Estado não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para adquirir propriedades florestais..."

"Mas o que se verifica é que o Estado não tem, de facto, qualquer poder de controle sobre quem planta o quê."

"Ora, se o Estado não consegue controlar quem planta eucaliptos, muito menos pode gerir um sistema de quotas de plantação autorizadas."

Isto parece o apocalipse!!!

O problema não é que o Estado não consegue, é o facto de que não existe vontade politica e popular para resolver este problema. Rotunda é coisa que agrada a toda a gente (menos a quem efectivamente paga) e dá votos. O politico é corrupto, ainda melhor, afinal o dinheiro é dos outros, e no meio disto tudo quem é que se preocupa com uns miseros eucaliptos? A questão é que o Estado consegue é só nós querermos...

Algumas sugestões

Stran on Quarta, 22/10/2008 - 14:29

- Para já poder-se-ia criar um mercado de quotas de florestação possível de eucalipto em Portugal. Limitar-se-ia a produção/area máxima de eucalipto.

- Criacção de parques naturais em que o Estado passaria a controlar a produção, reflorestação, etc...

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Quinta, 23/10/2008 - 13:51

Já hoje existem parques naturais e propriedades do Estado. Eu acharia bem que o Estado adquirisse mais propriedades florestais e as gerisse. Mas o Estado não tem dinheiro nem para mandar cantar um cego, quanto mais para adquirir propriedades florestais...

Quanto a um mercado de quotas de produção (ou melhor: de plantação) de eucaliptos, talvez não fosse má ideia, de facto... É que hoje em dia plantam-se eucaliptos em solos que, por diversos motivos, não são apropriados, e acabam por dar fracas produtividades.

Mas o que se verifica é que o Estado não tem, de facto, qualquer poder de controle sobre quem planta o quê. Legalmente, um proprietário de terras, para plantar eucaliptos numa qualquer propriedade precisa de pedir à Direção-Geral de Florestas uma autorização para esse efeito. Ora, aquilo que se verifica na realidade é que (quase) ninguém pede tais autorizações, pelo menos nas zonas de minifúndio. Ora, se o Estado não consegue controlar quem planta eucaliptos, muito menos pode gerir um sistema de quotas de plantação autorizadas.

Luís Lavoura

Uma oportunidade

Stran on Segunda, 20/10/2008 - 11:32

Aqui está um campo em que o Estado poderia intervir...

Retrato de Luís Lavoura

Intervir como?

Luís Lavoura on Terça, 21/10/2008 - 08:18

Estou recetivo a sugestões...

Luís Lavoura

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