Há uns dias, no avião que o trouxe de Roma, o papa deu uma valente lição a muitos católicos e renovou o significado da expressão "ser mais papista do que o papa". Após tantos católicos - por exemplo, o distinto professor João César das Neves - terem insistido que a Igreja estava a ser alvo de ataques descabidos, o papa veio corrigi-los e ensinar-lhes que não, que a Igreja está é a pagar pelos seus erros e que o que cabe à Igreja é corrigir esses erros e não queixar-de de suposta perseguição.
Ontem o professor Cavaco Silva, talvez inspirado pelo exemplo papal, também superou os, e deu uma lição aos, seus correligionários: pegou-lhes no argumento de que em tempo de crise económica não se deve perder desnecessariamente tempo a discutir assuntos que para a maior parte das pessoas são secundários e, corretamente, utilizou esse argumento para justificar a promulgação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. (Se Cavaco Silva tivesse agido de outra forma ter-se-ia exposto superfluamente a um vexame, o de ver reiterada pelo parlamento a aprovação de uma lei que vetara.)
Oxalá os correligionários de Cavaco Silva pudessem aprender com o seu exemplo de razoabilidade e de correta avaliação da situação, tal como os correligionários do papa tiveram que aprender com as suas sábias palavras.














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