Retrato de Luís Lavoura

Como é bem sabido, não está prevista nos tratados europeus qualquer forma para um país que tenha o euro como moeda deixar de o ter.

Esse é um problema fulcral na saída da Grécia (ou, futuramente, de qualquer outro país) da Zona Euro.

Mas o Banco Central Europeu (BCE) parece querer colmatar essa omissão nos tratados. A expulsão da Grécia da Zona Euro será realizada através do corte do fornecimento de liquidez aos seus bancos.

Note-se que se trata de uma decisão não democrática, porque efetuada por um órgão - o BCE - cuja direção não é eleita pelo povo. É também uma decisão injustificada - o BCE não declara que os bancos gregos estejam insolventes, pura e simplesmente corta-lhes o fornecimento de liquidez.

Quando os bancos cipriotas ficaram insolventes, o BCE ajudou a reestruturá-los, como lhe competia. É, efetivamente, tarefa do BCE assegurar a estabilidade financeira da Zona Euro. No caso da Grécia, porém, o BCE opta por garantir a instabilidade financeira, ao decidir cortar o fornecimento de liquidez aos bancos, sem no entanto justificar essa decisão em termos de uma declaração de insolvência (ou outra qualquer).

Temos portanto um órgão não eleito a tomar decisões políticas, que no entanto não são assumidas por ninguém. É muito interessante e revelador.

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