Retrato de Miguel Duarte

Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente.

 In “Citações e Pensamentos” de Eça de Queirós
 

A ideia que é verdadeira e

JS (não verificado) on Sexta, 21/10/2011 - 18:50

A ideia que é verdadeira e falsa, dá um belo debate, mas, na verdade, inclino-me mais para a ideia de que é verdadeira.

Podemos ir montar uns índices para se comprovar que existe espírito de iniciativa neste país, mas esses mesmos pioneiros (ler empresários e generalizando-os) gostam de se rodear do Estado porque é quem lhes garante pouco risco e sobretudo ganhar ou, pelo menos, passar entre os "poderes" (menos burocracia, ...). Obviamente, falamos de empresas de média dimensão para cima.

É verdade que os portugueses têm uma aversão à concorrência, por exemplo. Perdem-se mesmo um pouco com a competitividade, ficam receosos, etc...

A maneira de como os portugueses olham para o Estado é um sintoma disso mesmo. Eles não vêem um Estado que pagam, mas sim um que lhes fornece serviços à borla ou mais baratos.

Pode-se argumentar que é um ciclo vicioso (precisa de cunhas, tem-se utilizar para não ficar para trás e isso leva à legitimação da cunha), mas também me parece uma opção ainda que inconsciente.

João Saro

Retrato de Luís Lavoura

falsa

Luís Lavoura on Quinta, 20/10/2011 - 10:00

Porém, esta ideia é falsa. A ideia é verdadeira para os intelectuais e para a elite culta de Lisboa, que é ideologicamente dominante no país. Para essa elite lisboeta, de facto, tudo tem que ser feito pelo Estado. Porém, no país em geral, esta ideia é falsa. Veja-se por exemplo as exportações portuguesas, que estão a crescer sem parar. Os portugueses por este país fora estão a trabalhar e a procurar safar-se - não estão à espera da atuação milagrosa do governo. Se a indústra de calçado portuguesa exporta atualmente 95% da sua produção, não é devido à atuação governamental - é devido ao seu próprio esforço. Longe de Lisboa, as pessoas estão ativamente a trabalhar e a procurar novas oportunidades de negócio.

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