Mais um exemplo do princípio de gestão socialista: o princípio do o-que-for. Retirado do debate de ontem entre Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal. Tradução minha, qualquer reclamação é benvinda.
Ségolène Royal (SR) : Logo a seguir à minha eleição quero aumentar as reformas mais baixas.
Nicolas Sarkozy (NS) : Como vai pagá-las ?
SR : Vou injectar um reforço de capitais nos Fundos de Reforma nacionais.
NS : Muito bem. E onde vai colectar esse reforço ?
SR : Faço-o através de uma taxa sobre os rendimentos em bolsa. Porque acho que de facto é necessária justiça.
NS : De quanto ?
SR : Será discutido em concertação social. Mas o principio está lançado.
NS :Isso é muito interessante. Quando Lionel Jospin criou esses fundos, ele previa 120 biliões [10^9] de euros. Existem 26. A cada ano, o estado acrescenta 6. E a sua taxa é de quanto então?
SR : A minha taxa estará ao nível necessário para fazer justiça social.
NS : Estou a pedir para ser precisa. Não me pode dar um número?
SR : Não.
NS : Está no seu direito.














Nem mais
Filipe Melo Sousa on Sexta, 04/05/2007 - 15:37"cada um que faça o que bem entender com o seu dinheiro, mas repito com o seu dinheiro e não com o dos outros!"
Deixo-te a ti considerar quem é beneficiário líquido e contribuidor líquido. Eu sei que tu sabes fazer perfeitamente as contas. Quando vires o resultado e te arrependeres, e chegares à conclusão que afinal já queres ser altruísta com o dinheiro dos outros, estou aqui à tua espera para responder às tuas perguntas.
Nada disso meu caro... cada
Gonçalo Pacheco de Faria (não verificado) on Sexta, 04/05/2007 - 13:48Nada disso meu caro... cada um que faça o que bem entender com o seu dinheiro, mas repito com o seu dinheiro e não com o dos outros! Todos os factores produtivos devem ser pagos: 1) trabalho; 2) capital; 3)um semi-factor produtivo - a existência de sociedade (Estado-Nação), para o qual as pessoas devem pagar em função do benefício que retiram de viver em sociedade; certamente que um mendigo não retira da sociedade aquilo que uma pessoa no escalão de 40% de IRS beneficia de uma ordem de protecção de propriedade privada, de um mercado com regras, com um sistema de justiça para salvaguarda dos seus interesses and so on...
Prioridades
Filipe Melo Sousa on Sexta, 04/05/2007 - 11:39Aí está um princípio que eu respeito e tu não: o da liberdade de fazer o que cada um quer com o seu corpo. Eu acho que cada um deve gastar o dinheiro produzido com o seu esforço da maneira que lhe apetecer, sem pareceres morais dos outros. Sem que tenha de ouvir que aquilo que está a comprar é uma necessidade fútil.
Tens uma visão intervencionista e moralista. Para alguém poder fazer um tratamento de beleza, tem primeiro de obter a aprovação da sociedade. Se a teu ver, existe uma necessidade maior, então a necessidade da lipoaspiração é uma necessidade fútil. Existe agora, segundo a tua opinião toda uma priorização das necessidades. Enquanto houver uma miséria alheia, não é permitido ao indivíduo subir qualquer patamar da sua pirâmide de necessidades.
Mas percebo-te perfeitamente: se o homem não tem autonomia ele não tem o direito de o fazer. Se o indivíduo se apaga no grupo, ele não poderá evoluir enquanto houver na sociedade fracasso alheio, e ele será responsável por toda a miséria do mundo. Acrescento que para além disso tudo defendes de maneira ingénua uma economia a dois tempos: um tempo para ser competitivo, e um tempo para fazer reset, depois da colheita. Como se os produtores estivessem dispostos a isso.
É nivelar por baixo
Prioridades
Gonçalo Pacheco de Faria (não verificado) on Sexta, 04/05/2007 - 10:35É uma questão de prioridades... para mim acima de tudo enquadra-se a liberdade de cada homem e mulher a viver em sociedade, com plenos direitos sociais e com o direito à escolha e a ser diferente do mainstream conservador...tu atribuis mais importância a uma flat rate para a tia bibá teixeira da cunha da Lapa poder fazer 4 lipoaspiraçoes por ano em vez das 3 habituais...enfim...prioridades....
Na minha ordem de prioridades do liberalismo:
1-social/ comportamental
2- dito económico
e não digas que não há trade-offs entre eles porque há...
O discurso do cheque em
Filipe Melo Sousa on Sexta, 04/05/2007 - 10:14O discurso do cheque em branco ao montante "o que for" é um sinal de falta de gestão, e desvirtuação de valores. Característico apenas à esquerda socialista. Os fundamentalistas que mencionas apenas são nacionalistas com princípios de esquerda, ou seja nacionais-socialistas. Acumulam portante os males.
Eu não pretendo de forma nenhuma uma revanche em relação a seja quem for. Pelo contrário o espírito de revanche social é uma característica da esquerda.
Vivemos numa sociedade em que os direitos económicos, bem mais que os direitos comportamentais são violados. Se vivesse no Irão, em Singapura ou na Arábia Saudita, a minha prioridade de denúncia seria provavelmente contrária.
Tem piada
Gonçalo Pacheco de Faria (não verificado) on Sexta, 04/05/2007 - 09:58TTem piada, que sendo tu um liberal (presumo que um liberal tanto ao nível económico, social, comportamental), apresentas uma posição de revenche em relação à esquerda, mas isso não se sente no teu discurso em relação a tudo o que ataque a obrezinha da direita...
Eu simplesmente contestei o teu argumento...: o princípio do custe o que custar (sentido lato do termo) é muito mais próprio de fundamentalistas e da direita, do que propriamente da esquerda...
a
LOL
Filipe Melo Sousa on Sexta, 04/05/2007 - 09:00Gonçalo, tal como podes ter reparado, a malta por aqui é liberal. Logo, os ideais de deus patria e familia, fora com os imigrantes, e moralismo social não têm grande eco por cá. Nem entre os membros mais conservadores aqui da casa. E bom, os pensamentos nacionalistas que descreves não são nem de direita nem de esquerda. O Hugo descreve isso muito bem no seu post. Os nacionalistas querem-se transversais à divisão esquerda-direita
http://blog.liberal-social.org/partido-nacional-renovador
Quanto ao princípio de gestão-à-contabilista, que se limita a constatar o gasto ao fim do ano, sim esse princípio é puramente socialista. Nós sabemos de onde vem o despesismo. Pertence-te a ti e muito bem. Lembra-te so Guterres, do Pina Moura, e afins.
E pelo que tenho reparado, o pensamento mainstream deste movimento assemelha-se muito, mas muito com as ideias que defendes. E tu só não aderes porque queres recolher o clientelismo dos grandes partidos, só por isso é que o MLS não serve para ti. Vá.. agora ide em paz.
Mas atenção, a esquerda
Gonçalo Pacheco de Faria (não verificado) on Sexta, 04/05/2007 - 08:25Mas atenção, a esquerda não quer ficar com aquilo que não lhe pertence: não queremos roubar à direita e ao fundamentalismo, o princípio mainstream do "o que for":
1)custe o que custar Deus, Pátria, família
2) custo o que custar ao país expatriemos todos os imigrantes
3) não gostamos do senhor A do país Z custe o que custar (ganhem o que ganharem os nossos amigos da indústria da defesa) vamos bombardear esse país e pôr lá um nosso apaniguado...
4) comportamentos ousados, vanguardistas, "alternativos"? "custe o que custar, acabemos com esses comportamentos desviantes, alienados"
O seu a seu dono...e se são liberais devem certamente acreditar na propriedade privada, logo não expropriemos a direita e os fundamentalistas desse seu princípio ideológico...
3)
De facto, foi pouco
Gonçalo Pacheco de Faria (não verificado) on Sexta, 04/05/2007 - 08:21De facto, foi pouco credível a resposta da senhora...devia ter dito logo: corta-se nas reformas e pensões dos mais abonados...e estava o assunto resolvido...
Pim pam pum
Filipe Brás Almeida on Quinta, 03/05/2007 - 15:04O meu candidato também era o Bayrou.
Não gosto do Sarkozy. Acho-o um populista perigoso. Omitem sempre o facto de apesar de ele querer representar uma nova vida para França, é ele uma das caras mais antigas do regime actual. Foi ele também que ajudou a enfraquecer o Villepin quando este tentou liberalizar os despedimentos, num golpe político que só pode ser classificado como uma fantochada sem vergonha.
Por outro lado a Segolene parece que tem feito tudo sistematicamente para que eu não pudesse apoiar o outro-candidato-que-não-o-Sarkozy.
Se tivesse que votar estaria num lindo apuro para decidir entre estes dois bonecos. Talvez votasse Sarkozy e fizesse figas, mas tão facilmente faria o contrário. O rumor da Segolene nomear o Bayrou como Primeiro Ministro, poderia ser um factor.
Apesar de não ter qualquer
André Escórcio ... on Quinta, 03/05/2007 - 14:48Apesar de não ter qualquer preferência por qualquer um deste candidatos (o meu era o Bayrou) reconheço que a resposta de Ségoléne é bastante realista e correcta.
O problema da politica é os seus agentes prometerem X em tempo de eleições e depois virem com a conversa "afinal é Y porque a situação é pior do que imaginávamos".
A verdade é que um candidato só conhece a situação real depois de ser eleito e como tal faz sentido deixar alguns aspectos mais específicos (como valores numéricos) em aberto.
Então não promete
Miguel Duarte on Quinta, 03/05/2007 - 14:50Além de não concordar com a medida dela, mas isso é um "pormenor", ela não pode andar a fazer promessas que se calhar até não se vão realizar.
Sinceramente deveria ter estudado melhor a lição.
Versão Original
Filipe Melo Sousa on Quinta, 03/05/2007 - 14:28Para quem quiser ir ao pormenor:
Ségolène Royal (SR) : Moi, je veux revaloriser tout de suite, dès mon élection, les petites retraites.
Nicolas Sarkozy (NS) : Vous les payez comment ?
SR : Je mets des fonds supplémentaires au Fonds de réserve des retraites.
NS : Très bien. Vous les prenez où, ces fonds ?
SR : Je le fais par une taxe sur les revenus boursiers. Parce que je pense, en effet, qu'il faut de la justice.
NS : De combien ?
SR : Les partenaires sociaux en discuteront. Mais, au moins, le principe est là.
NS : Ça, c'est très intéressant. Lorsque Lionel Jospin a créé ce fonds, il a prévu 120 milliards d'euros. Il y en a 36. Chaque année, l'Etat en met six. Votre taxe, à peu près, c'est combien ?
SR : Ma taxe, elle sera au niveau de ce qui sera nécessaire pour faire de la justice sociale.
NS : C'est d'une précision boulever sante! Vous ne pouvez pas me dire un chiffre ?
SR : Non.
NS : C'est votre droit.
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