Quem visitar as lojas dos chineses facilmente constatará que os preços que elas apresentam já não são hoje as mesmas pechinchas de outrora. Ou seja, mesmo nas lojas dos chineses já não se compra tão barato assim.
Uma das razões para isso será sem dúvida o aumento do custo da mão-de-obra (conjuntamente com maiores regalias sociais e maiores cuidados com o ambiente), especialmente dos gestores, na China. Aumento esse que é, naturalmente, benvindo.
É claro que este aumento no custo da mão-de-obra chinesa é parcialmente compensado pela deslocalização das fábricas (pertencentes a empresas ocidentais) da China para o Vietname ou para o Bangladeche. Por sua vez, as fábricas pertencentes a empresas chinesas também se vão deslocalizando - para a Coreia do Norte e para a Birmânia, países que são hoje quase colónias económicas da China.
Mas uma outra razão para o aumento do preço nas lojas chinesas é o aumento do preço do petróleo ou, mais precisamente, do combustível para transporte. (Não são exatamente a mesma coisa. O preço do petróleo refere-se a petróleo de boa qualidade, light sweet crude como o do campo de Abqaiq na Arábia Saudita, pouco viscoso e fácil de refinar. Mas esse petróleo já vai rareando (Abqaiq está em fase de esgotamento, outros campos similares idem). Cada vez mais o que há são hidrocarbonetos rascas, como o betume proveniente dos campos do Alberta (no Canadá), que são muito caros de tratar para deles se obter carburante decente. Por isso, o diferencial entre o preço standard do petróleo e o preço da gasolina nas bombas é cada vez maior.) O aumento do preço do combustível está a tornar os produtos chineses muito mais caros, eliminando progressivamente a vantagem que a China detem no preço da mão-de-obra.
A médio prazo, esta erosão na competitividade chinesa, que já hoje é perfeitamente observável em qualquer loja chinesa, vai-se acentuar. A consequência vai ser que as indústrias irão progressivamente deslocalizar-se de volta para perto dos seus mercados no Ocidente.
Isto será bom para a indústria tradicional portuguesa. Podemos esperar que, a médio prazo, Portugal volte a ganhar o estatuto industrial que nos últimos anos esteve a perder.














Por outro lado talvez a China
Luis Menezes on Domingo, 27/06/2010 - 21:40Por outro lado talvez a China comece a perceber que não pode competir com base no preço para sempre. De notar que já investem numa política nacional de design industrial, o que revela muito sobre a sua vontade de apostar mais na qualidade e na inovação dos seus produtos, em vez de se centrarem na mera cópia barata.
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