As recentes alocuções do primeiro-ministro (e do ministro das Finanças) sobre o desemprego recordam o valor que o silêncio deveria ter para os governantes portugueses. Ou seja, estes últimos deveriam concentrar-se no seu trabalho, que é governar, e manter tanto quanto possível as bocas fechadas em todas as ocasiões públicas - as aliás deveriam, aliás, ser evitadas.
Infelizmente, a tradição portuguesa, desde a presidência do almirante Américo Tomás, é de os governantes cortarem fitas, presidirem a cerimónias e fazerem alocuções a esmo. Os governantes são convidados para presidir, inaugurar ou estar presentes nas mais diversas cerimónias, debates e conferências, e em todas essas ocasiões debitar algumas palavras. Inevitavelmente, as palavras proferidas acabam por, ou ser inócuas e desprovidas de valor, ou então levantar celeuma inútil.
Os governantes deveriam pois ter como política geral evitar todos esses convites, fecharem-se nos seus gabinetes a trabalhar e, sempre que deles tivessem mesmo que sair, terem o cuidado de manter as bocas bem fechadas, não cedendo às tentações dos jornalistas que lhes colocam microfones à frente. O silêncio é de ouro e quem se cala não diz disparates.














Políticos sem palavras...
Anónimo (não verificado) on Terça, 12/06/2012 - 11:07Meu caro L. Lavoura:
A sobrevivência política de qualquer indivíduo depende da língua. De falar, preferencialmente, muito e ser ouvido.
Foi assim que apareceram os comentadores.
Ganham um bom - e irresponsável - dinheirinho e vão sendo conhecidos.
Porque pensa que há políticos a comentar futebol há anos?
Não interessa o que dizem, interessa é serem conhecidos.
Tal como a marca na prateleira do supermercado: A escolhida é a conhecida! Pouco importa a qualidade, o peso e até o preço.
As pessoas sentem-se - estupidamente - mais confiantes se conhecerem a marca... e pagam.
Às vezes centenas de vezes mais...
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