Retrato de Luís Lavoura

Com a entrada em vigor da nova forma europeia de resolução bancária, que obriga à recapitalização de bancos falidos mediante a utilização de todos os depósitos superiores a 100 000 euros, os bancos europeus vão ser forçados a diminuir fortemente os seus balanços, porque muitos depositantes mais ricos vão fugir deles. As pessoas ricas (e empresas, e instituições) vão querer deixar de ter todo o seu dinheiro no banco, por receio que ele um dia possa ser utilizado para recapitalizar o banco caso ele fala. De qualquer forma, essa já será a tendência, porque as muito baixas taxas de juro desincentivam as pessoas de ter o dinheiro em depósitos a prazo.
Mas este encolher dos bancos vai causar muitos problemas às pequenas e médias empresas portuguesas, que estão habituadas a gerir a sua tesouraria mediante empréstimos bancários. Pura e simplesmente, os bancos vão deixar de ter dinheiro para lhes emprestar. Obrigados a encolher os seus balanços, os bancos cada vez menos emprestarão dinheiro às empresas.
Torna-se, em minha opinião, necessário que as empresas se habituem a financiar-se recorrendo diretamente aos aforradores, através da emissão de obrigações e/ou de ações. É para isso necessário que os requisitos burocráticos sobre tais emissões, e sobre a entrada em bolsa das empresas, sejam aligeirados. E é necessário que o governo, através do ministério da Economia, crie programas de apoio logístico às pequenas e médias empresas que as ajudem a emitir obrigações e ações e a entrar no mercado de capitais.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

  • As linhas e os parágrafos quebram automaticamente

Mais informação sobre as opções de formatação