Assinalou-se há pouco o vigésimo aniversário da morte de Carlos Paião num acidente automóvel.
Enquanto as pessoas – mais que “os políticos” - clamam por mais polícias, mais prisões preventivas, detenções indiscriminadas e por que não a pena de morte, as grandes ondas de crimes, que causam muito mais mortos, feridos e destruição na sociedade, não têm a sua atenção. Falo da violência doméstica e da guerra civil nas estradas.
Mais uma vez, é a leitura do Correio da Manhã a falar por mim. Desde a generalização das motorizadas e dos automóveis que são às dezenas de milhar os cidadãos afectados por esta guerra. Criminosos que se destroem a si próprios e, muitas vezes, levam pessoas inocentes consigo. As estatísticas dizem que a situação tende, finalmente, a melhorar nos últimos anos, mas continua a haver mortes inúteis. Porque não exigir medidas enérgicas? Carta por pontos, cassação de carta à primeira infracção muito grave a condutores com menos de cinco anos de experiência, proibição de voltar a tirar a carta a causadores de acidentes, prisão para quem causar mortes na estrada? Porque razão ninguém se volta contra estes criminosos? Será por sermos uma sociedade de cultura católica? Há tempos, o Dr. Arroja, honestamente preocupado com a estabilidade e o bem-estar da sociedade, argumentava que “speeding on the highway” e afins eram pequenos pecadilhos que faziam parte de uma cultura de liberdade individual, e que regras de trânsito apertadas são “importações da cultura protestante”. Se o dr. Arroja o diz, ele que até defende o direito à propriedade privada e à capacidade de as pessoas se protegerem a si próprias das agressões da sociedade, como poderíamos esperar que os outros defendessem regras que impedissem este tipo de criminosos de se atirarem para cima de qualquer cidadão indefeso?
Quando os criminosos da violência doméstica e privada – a violência mais pérfida, pois provêm daqueles que têm mais responsabilidade de protecção e apoio – e da estrada tiverem a mesma atenção que os do carjacking, estaremos no caminho de nos tornamos uma sociedade com maior respeito pela vida e pela propriedade privada – uma sociedade mais livre.

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