Retrato de Luís Lavoura

Em Portugal os políticos e os jornalistas são amantes. Vivem em concubinato uns com os outros. Os políticos dependem dos jornalistas (que divulgam as suas posições) e os jornalistas dependem dos políticos (que lhes fornecem matéria para a escrita de artigos), pelo que se ajeitam uns aos outros. Têm os números de telemóveis uns dos outros, o que lhes permite a qualquer hora dar uma palavrinha ou enviar um SMS ao amante, quando dele necessitam.

Como é normal entre amantes, de vez em quando cometem-se umas infidelidades, há umas zangas, uns amuos, uns arrufos. Nada de sério, pois, no fundo, todos sabem que têm conveniência em continuarem na mesma cama, ora um por cima e o outro por baixo, ora o contrário.

Vem isto a propósito de um SMS indelicado que alegadamente António Costa escreveu a um jornalista do Expresso. E que este se apressou a divulgar no seu jornal, para que todos saibamos que António Costa tem o número de telemóvel dele. E como se todos tivéssemos algo a ver com o concubinato que os une.

Em Portugal, devemos desconfiar tanto dos jornalistas como dos políticos, porque uns e outros são unha com carne. Estão na mesma cama e, na verdade, somos nós quem está por debaixo deles na cama.

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