Retrato de Luís Lavoura

Está a causar grande revolta a opção governamental no sentido de diminuir ferozmente o número de bolsas concedidas pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) (uma agência governamental) com vista à realização de doutoramentos e de pós-doutoramentos.

Embora mudanças de política desta rapidez e violência sejam em geral de evitar, não posso deixar de compreender a opção governamental.

O facto é que as bolsas concedidas pela FCT quase nunca levavam a em empregos fixos em Portugal. O facto é que a indústria portuguesa quase não contrata doutorados. O facto é que não há também vontade da parte do governo português de criar empregos (e não bolsas) no setor da investigação científica.

Portanto, na prática, as bolsas concedidas pela FCT traduziam-se (e traduzem-se) num desemprego a prazo. Findas as bolsas, investigadores na casa dos 30 ou 35 anos de idade (e sem quaisquer direitos laborais, e sem terem poupado um tostão para a reforma) vêem-se sem outra possibilidade que não a emigração.

Além de ser vergonhoso manter numa situação de bolseiro - e não numa situação de trabalhador com contrato a prazo, como deveria ser o caso - um jovem com mais de 25 anos de idade, as bolsas apenas prometiam, a prazo, o desemprego.

A única alternativa verdadeira à decisão governamental seria encetar uma política de ampliação da carreira de investigação científica, com a contratação sistemática, e com contratos por tempo indeterminado, de jovens doutorados (e com pós-doutoramentos já realizados). Mas, é claro, tal opção conduziria a uma aumento dos compromissos salariais do Estado. O que é manifestamente impossível.

Pelo que, a opção tomada pelo governo constitui o reconhecimento de que não é justo, não é correto, o Estado estar a fornecer bolsas que apenas adiam, para piores anos, uma inelutável situação de desemprego.

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