As campanhas eleitorais dos grandes partidos candidatos às eleições europeias têm-se centrado, pelo menos na sua aparição mediática, na figura do "cabeça-de-lista".
Aliás, mediaticamente, o anúncio de quem seria o "cabeça-de-lista" de cada partido às eleições foi o que teve maior impacto. Os mídia deram relativamente pouca importância à composição de cada lista de candidatos, e muito maior importância a saber quem seria o cabeça dessa lista.
Isto compreende-se no caso dos pequenos partidos (MRPP, MEP, etc), aqueles que, na melhor das hipóteses, esperam poder eleger apenas o primeiro membro da lista.
Já é de todo incompreensível e, sobretudo, inaceitável, da parte dos grandes partidos - PS e PSD. Para esses dois partidos, o cabeça-de-lista e, de facto, os quatro ou cinco primeiros candidatos da lista podem considerar-se automaticamente eleitos. O que interessa são os outros. Quem interessaria ver em campanha, e aqueles de quem seria interessante conhecer as ideias, não são Vital Moreira nem Paulo Rangel - são os sextos, sétimos, oitavos e nonos candidatos das listas de PS e PSD. Porque é neles que, de facto, os portugueses irão ou não irão votar. É portanto esses que interessa conhecer, e de quem interessa ver a inteligência, a originalidade e o brilhantismo.
Talvez a culpa, no entanto, não seja só dos partidos. A culpa será em grande parte dos mídia, que têm uma obsessão doentia pelos que estão em primeiro lugar. Quando, nalguns casos, os que estão em primeiro lugar não interessam absolutamente nada, porque são triviais.














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