Retrato de Luís Lavoura

O antigo mordomo do papa foi preso sob a acusação de ter roubado, e facilitado a divulgação pública, de documentos do seu amo.

Isto levanta-me diversas interrogações e perplexidades.

Se a contabilidade de uma empresa, ou as cartas de amor recebidas por uma pessoa, forem roubados e depois aparecerem divulgados, isso é crime? O Estado dedicará meios policiais à investigação de quem é que roubou esses documentos e os divulgou? As pessoas que roubaram esses documentos serão postas na prisão? Eu creio que não (mas posso estar enganado). O crime de roubo reporta-se a bens com valor material, monetário, não a documentos. A divulgação pública de documentos pode ser considerada imoral ou anti-deontológica, mas penso que tambem não é crime.

Então, a que propósito é que o roubo de documentos ao papa dá lugar a prisão?

Pergunto tambem, quem aplica que lei? O Estado do Vaticano dispõe de leis? E de prisões? Ou valem as leis de Itália e serve-se o Vaticano de prisões italianas? O mordomo foi detido e posto na prisão com base nas leis do Vaticano, ou nas da Itália? Com base em que arranjo?

É pena que os mídia não nos esclareçam sobre estes pontos.

Goste-se ou não o Papa é um Chefe de Estado, estado esse que tem assento na Onu, mesmo com estatuto de observador.

O mordono cometeu um crime contra o estado do Vaticano.

Será julgado e se condenado cumprirá a pena em Itália, à luz dos acordos que existem entre o Vaticano e Itália. Tal como o turco Mehemed Ali Agca que atentou contra a vida de João Paulo II.

Acho que não há nada de extraordinário no assunto.

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