Retrato de Luís Lavoura

Deu muito brado durante as últimas semanas da silly season o facto de a Porto Editora ter editado uns livros de atividades para meninos da pré-primária com distinção entre os sexos - uns livros para meninos, outros para meninas.

Não me pronuncio sobre o conteúdo dos livros, que desconheço.

O que questiono é a necessidade ou conveniência de editar dois livros diferentes. Já tenho dois filhos, os quais andaram em infantários, os infantários não eram separados por sexos, meninos e meninas eram supostos, no infantário, praticar as mesmas atividades e brincadeiras. Nunca ouvi referir qualquer conveniência de, em tão tenra idade, fazer meninos e meninas praticarem exercícios ou atividades distintos.

Editar dois livros é certamente mais caro do que editar apenas um. Dá mais trabalho, as tiragens são menores e os custos de distribuição são maiores. Para que se deu a Porto Editora a mais trabalho e despesa sem qualquer necessidade didática que o justificasse? (Se houvesse necessidade didática, então também haveria infantários segregados por sexo. Ou então, mesmo nos infantários não segregados, as educadoras atribuiriam atividades diferentes aos meninos e às meninas.)

A razão é simples: o mercado. A Porto Editora sabe, ou julga saber, que há pais que querem dar uma educação supostamente diferenciada aos seus rebentos. Que há pais que querem explicitamente que os seus filhos realizem atividades e tenham livros supostamente adequados ao seu sexo.

O problema não está na Porto Editora. O problema está nos adultos que compram estes livros para as suas crianças. São eles que são sexistas. A Porto Editora limita-se a pressentir a existência de um mercado para o sexismo e a explorar esse mercado.

Está muito silencioso por aqui! Porque não deixar uma resposta?

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