Retrato de Luís Lavoura

Há alguns decénios atrás, o governo tentou limitar o custo da habitação nas cidades (que era, nesse tempo, um bem escasso - hoje em dia já não é) proibindo o aumento, por parte dos senhorios, do valor das rendas, num tempo em que a inflação era elevada. O resultado a curto prazo dessa medida foi bom para os inquilinos. A longo prazo o resultado foi, porém, desastroso: ao empobrecimento dos senhorios seguiu-se a decrepitude das habitações arrendadas e a fuga generalizada ao mercado de arrendamento.

 

Hoje em dia o governo arrisca-se a repetir este erro com a imposição de aumentos apenas muito ligeiros ao preço dos transportes urbanos, numa época em que o custo destes aumenta aceleradamente por força do aumento do preço do gasóleo. (Note-se que não há qualquer perspetiva de, nos tempos mais próximos, o gasóleo deixar de subir rapidamente de preço. Muito pelo contrário, todos os analistas concordam que há uma crescente escassez de petróleo e que os custos da extração deste serão cada vez mais altos, pelo que o preço do gasóleo também aumentará.) Em vez de deixar os operadores de transportes subir o preço de acordo com os seus custos, o governo impôe uma subida de preços que não reflete, de forma nenhuma, o aumento dos custos.

 

É difícil perceber, aliás, por que motivos tem que ser o governo a fixar as tarifas dos transportes urbanos. Os diversos operadores de transportes sabem perfeitamente que, se aumentarem muito os preços, se arriscam a perder clientela. Em boa parte dos casos, até, os diversos operadores de transportes urbanos não operam em regime de monopólio - há diversas empresas que concorrem umas com as outras e, no limite, muitas pessoas têm carro próprio e podem optar por ele. Seria desejável que o Estado se retirasse, pura e simplesmente, da regulação deste negócio, deixando aos diversos operadores de transportes a fixação livre das suas tarifas.

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