Em Calcutá 70% de uma população de 18 milhões, sofre de doenças respiratórios enquanto as forças policiais estão a ser equipadas com stocks de oxigénio para respirarem após um turno de 8 horas de trabalho. Incrível.

Oxygen supplies for India police.@BBC

Retrato de Luís Lavoura

Eu estive em Calcutá

Luís Lavoura on Sexta, 18/05/2007 - 13:23

Eu estive em Calcutá (Kolkata, no nome atual)) por uns dias, há uma dezena de anos.

Há três problemas, todos eles derivados do tráfego. Um é muitos motores serem antigos e não estarem equipados com dispositivos anti-poluição. O segundo é a prevalência de motores diesel, os quais são muito sujos pois emitem partículas. O terceiro é a prática generalizada, na Índia, de falsificar os carburantes, por exemplo misturando querosene (que é mais barato) ao gasóleo, o que faz com que se produza ainda mais poluição.

A situação é de facto horrorosa. Em muitas ruas do centro de Calcutá é difícil estar-se. Muitas pessoas usam lenços a tapar o nariz e a boca, para as proteger das partículas de que o ar está carregado.

Em Portugal a situação também se tem vindo a deteriorar, devido a haver cada vez mais motores diesel, por o gasóleo ter benefício fiscal. No centro de Lisboa os valores para partículas no ar são ultrapassados em quase todos os dias do ano.

Há muitos anos que venho defendendo, sem que ninguém me dê ouvidos, que os impostos sobre a gasolina e o gasóleo deviam ser feitos iguais - diminuindo o imposto sobre a gasolina e aumentando o sobre o gasóleo - por forma a tornar os motores diesel menos atraentes. Que eu saiba, o único país da Europa onde isto acontece é o Reino Unido - no qual a gasolina e o gasóleo têm o mesmo preço.

Luís Lavoura

é de considerar

Hugo Garcia on Sexta, 18/05/2007 - 13:57

REalmente isso é de considerar.
Pelo menos no que diz respeito a níveis de poluição dentro das cidades tem de se ter em conta.
Conheces algum local onde essa informação venha mais desenvolvida ?

Algo que também tem de se considerar em acabar com o gasóleo agrícola. Para além de deturpar o mercado está a ser utilizado para fins completamente diferentes daqueles que foram projectados.

Enquanto escrevo este comentário há duas empresas a concorrer ao mesmo projecto público sendo que uma concorre com preços de gasóleo agrícola e outra com preços de gasóleo normal.

Retrato de Luís Lavoura

Não conheço nenhum local.

Luís Lavoura on Sexta, 18/05/2007 - 14:19

Não conheço nenhum local. Mas creio ser fácil de encontrar. Procura no google qualquer coisa com "taxes" e "diesel".

Eu lembro-me de ter visto estes dados uma vez num jornal.

Em todos os países da UE, com exceção do Reino Unido, os impostos são muito mais baixos sobre o gasóleo do que sobre a gasolina. No Reino Unido os impostos são iguais sobre os dois carburantes (e, por sinal, apesar de o Reino Unido ser um país produtor de petróleo, os impostos são mais altos do que em Portugal).

As coisas são mais fáceis no Reino Unido por ser um país sem fronteiras terrestes. Os camionistas não podem atravessar a fronteira para se irem abastecer em França...

O gasóleo agrícola é outra pouca-vergonha, claro. Conheço agricultores alentejanos (dos bons, dos latifundiários) que o usam para aquecer as suas casas. Em vez de utilizarem energia solar.

Luís Lavoura

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