Afirma o Nuno Gouveia (em post que não admite comentários): "não gosto nada de pagar impostos para financiar programas como o Preço Certo ou o Verão Total [...]. No entanto, não defendo que esse tipo de programas devam ser (sic) proibidos. Defendo [...] que [...] esta RTP [...] seja privatizada. Assim, eu já não contribuiria para pagar o que não gosto."
Porem, o Nuno não tem razão. As televisões privadas são, involuntariamente, financiadas por todos nós através da publicidade. Através dela, contribuímos involuntariamente para pagar todo o telelixo que nos é servido. Não vejo grande diferença entre (1) o Estado forçar-me a pagar IVA sobre os produtos que compro e, com a receita desse IVA, financiar telelixo, e (2) a empresa que produz o produto que compro aumentar artificialmente o seu preço com o fim de pagar publicidade televisiva a outros produtos quaisquer que produz, pelo caminho financiando telelixo. Com efeito, em ambos os casos o meu dinheiro é-me extorquido para financiar coisas que eu não solicitei.
Com a vantagem, ainda assim, no caso do IVA, de que nesse caso eu sei quanto me extorquiram e para que fins me foi extorquido.














Luís, o teu argumento continua a falhar
Daniel Ferreira (não verificado) on Sábado, 07/07/2012 - 14:52é perfeitamente possivel controlar quais as marcas que utilizam a sua margem de comercialização ou lucro na publicidade. São as que fazem ... publicidade.
As televisões privadas vivem da publicidade, e pouco mais. Se não gostamos da publicidade, ou mudamos de canal (menos audiências) ou mudamos de produto (menos vendas), sendo que isso irá reflectir na gestão de telelixo pela televisão e no marketing promovido pela marca.
A RTP por outro lado, além dos patrocinadores e publicidade, é financiada directamente pela famosa taxa audiovisual e por transferências de Orçamento de Estado (3x a favor da RTP!). Mesmo mudando o canal, o telelixo pode lá continuar, dê prejuizo ou não. Têm sido assim em todo o Sector Empresarial do Estado. Privatizando a RTP, certamente que o telelixo nesta será sujeito a um escrutinio mais apertado: o mercado concorrencial (em pé de igualdade)
resposta
Luís Lavoura on Segunda, 09/07/2012 - 09:39Quer dizer, o Daniel pretende que, se eu considerar que, por exemplo, a programação da SIC é má, eu deverei ver os espaços publicitários da SIC durante algumas horas, anotar num papel todas as firmas que fizeram anúncios na SIC, e depois recusar-me a comprar quaisquer produtos produzidos por essas firmas (que são várias, e que vão mudando ao longo do tempo).
Como é evidente, com tal procedimento eu prejudicar-me-ei muito a mim (pois prescindirei de alguns produtos que desejo consumir), mas praticamente nada a essas firmas, e em nada farei diminuir os pagamentos dessas firmas à SIC.
Portanto, insisto na minha tese de que o financiamento através da publicidade é, na prática, tão impositivo e tão forçado (e tão violador da liberdade de quem paga) quanto o financiamento através de impostos.
Na prática, de facto, é capaz de ser mais exequível montar um protesto político contra o Estado, por ele financiar a RTP, do que montar um boicote contra um número muito grande (e sempre cambiável) de empresas privadas, por elas financiarem a SIC ou a TVI (ou qualquer outra).
É claro que as empresas
Daniel Ferreira (não verificado) on Segunda, 09/07/2012 - 15:40É claro que as empresas privadas estão a financiar a SIC ou a TVI, é assim que estes operadores TV sobrevivem! Não é por acaso que são contra a privatização da RTP, que lhes viria tirar quota de mercado (de publicidade, entenda-se!)
O perverso do actual paradigma da RTP é que também tem programação patrocinada e anuncionas, mas ainda mais os nossos impostos e taxa audiovisual!
O que eu quero dizer é que o Luis tem sempre a possibilidade de opção (pode pelo menos escolher entre telelixos). O facto de optar por outro canal reflecte-se nas receitas publicitárias (a principal fonte de receita dos canais), e as empresas privadas alteram as suas campanhas em função da audiência dos spots. Isto porque uma campanha falhada não resulta em vendas (novamente, a sua opção de escolha de marca), que se reflecte nas receitas das empresas privadas!
Na RTP isto não acontece: as receitas estão sempre garantidas, com bons ou maus anuncios, bons ou maus programas, está lá!
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Luís Lavoura on Segunda, 09/07/2012 - 17:00Em primeiro lugar esclareço que nada do que escrevi acima é contra a privatização da RTP.
Não é necessariamente verdade que na RTP as receitas estejam sempre garantidas, seja qual fôr a qualidade dos programas. Numa democracia, o povo pode pressionar o governo no sentido de que este force a RTP a ter melhores programas. Ou no sentido de que o Estado apenas financie os bons programas da RTP. Ou no sentido de que o Estado faça um contrato com a RTP que a force a transmitir uma certa percentagem de programas bons.
Todos estes métodos são muito indiretos e dependem da existência de uma vontade comum do povo. Mas o mesmo problema põe-se com as televisões privadas. Eu pessoalmente posso optar por deixar de ver a SIC (por exemplo) mas, se a maioria das outras pessoas continuar a vê-la, ela continuará a ter quota de mercado e, portanto, receitas publicitárias. Ou seja, continua-se dependente da opinião da maioria.
A minha conclusão é que, seja a televisão pública seja privada, as pessoas acabam por pagar da mesma forma para coisas que não querem ver. Ou seja, deste ponto de vista, o facto de a televisão ser privatizada não tem nenhuma vantagem. Seja a televisão paga por fundos públicos seja pela publicidade, as pessoas são da mesma forma roubadas do seu dinheiro para pagarem programas que não querem ver.
Luís, o teu argumento falha
Duarte (não verificado) on Quinta, 05/07/2012 - 12:10Luís, o teu argumento falha em toda a linha: enquanto que o IVA é sempre pago por nós, de uma maneira ou de outra, um produto só é comprado se o quisermos. Se a empresa aumentou o preço para pagar a publicidade, isso é problema da empresa e de quem compra o produto, não de toda a sociedade.
Resumindo, não há extorsão num mercado livre e o argumento do Nuno Gouveia mantém-se.
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Luís Lavoura on Quinta, 05/07/2012 - 13:10Este argumento não colhe pois, ao comprarmos um determinado produto, não sabemos se parte do preço dele vai ou não vai para pagar televisão. Também não sabemos que canal de televisão vai esse produto pagar. Pelo que, não podemos optar, de forma informada, por um produto que não nos force a pagar por aquilo que não queremos.
É claro que somos livres de não comprar absolutamente nada, e dessa forma temos a certeza de não estarmos a pagar telelixo nenhum (e temos também a certeza de irmos morrer de fome). Mas, comprando, não podemos optar pelo produto que não nos força a pagar telelixo, uma vez que não dispomos de informação sobre quais os gastos dos produtores em anúncios, e sobre a forma como esses gastos são imputados aos diferentes produtos.
Pelo que, a liberdade de não comprar é inconsequente e inútil, e o argumento do meu post mantem-se.
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