Retrato de Luís Lavoura

O papa Bento 16 virá em breve em visita a Portugal. Eu não sou religioso mas acho muito bem que ele venha e que os católicos (não o país em geral!) lhe proporcionem a melhor receção possível.

Sou um liberal e acho que os gostos e opções das pessoas, incluindo os gostos e as opções religiosas, devem preferencialmente, se não mesmo exclusivamente, ser pagos pelas próprias pessoas. Nesta linha de pensamento, acho revoltante que algumas câmaras municipais se estejam a preparar para gastar o seu escasso dinheiro - e a generalidade das câmaras municipais está já hoje brutalmente endividada! - em apoios à visita papal.

Eu digo: quando o bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, vem a Portugal, quem paga a receção são os fieis dessa igreja, e eu acho muito bem e nada tenho contra. E também acho muito bem que os católicos paguem a receção ao papa, a edificação dos altares onde ele irá rezar missa, a segurança dos ajuntamentos de população e tutti quanti. Mas não acho bem que o Estado contribua. As opções religiosas da população devem ser livres, o que implica que devam ser financiadas pela própria população. O Estado não deve gastar o seu dinheiro para meter uma religião - qualquer que ela seja - pela goela dos portugueses abaixo.

O "estado do Vaticano" é tão

Anónimo (não verificado) on Sábado, 13/03/2010 - 01:31

O "estado do Vaticano" é tão artificial como o estado italiano.
Acho que devemos agradecer ao Papa a publicidade feita a este país arruinado. São alguns dias em que todos os media internacionais falarão sobre Portugal sem ser pelos habituais péssimos motivos. Não me consta que a Santa Sé exija qualquer compensaçao por essa publicidade.

Retrato de David Moreira

O Papa é de facto chefe de estado

David Moreira on Segunda, 08/03/2010 - 19:30

De qualquer modo o Papa é chefe de estado. Goste-se ou não, os 44 hectares de estado teocrático de 800 habitantes que é a Cidade do Vaticano é de facto um estado, seja ele artificial ou não.

Gastos públicos com a vinda de um chefe de estado são justificáveis. Será recebido pelo Presidente da República e terá as normais honras de estado.

 O palco a ser montado no terreiro do paço, para a missa campal, custa 200 mil euros e será pago por patrocinadores privados.

O Santuário de Fátima irá pagar as cerimónias religiosas presididas pelo papa.

Não creio que o estado vá pagar as cerimónias religiosas. Pagará, isso sim, a segurança que é devida ao Papa como a qualquer outro chefe de estado. Goste-se ou não.

 

PS1: Corrijo a Santa Sé não é estado.

PS2: Os chefes de estado do Mónaco já visitaram Portugal. Desde o tempo da Monarquia que o fazem. O Príncipe Alberto I chegou a visitar os Açores nas suas pesquisas oceanográficas.

O Presidente da República Francesa é co-príncipe de Andorra e já visitou Portugal.

Salvo erro, o Príncipe do Liechtenstein esteve presente no casamento do D.Duarte Pio. Foi o único chefe de estado presente sem contar com Presidente da República.

Talvez só o Presidente da República de San Marino é que não visitou Portugal.

 

 

 

 

 

 

Retrato de David Moreira

Papa Chefe de Estado

David Moreira on Segunda, 08/03/2010 - 15:52

O Papa, para além de ser o lider religioso dos católicos é um chefe de estado.

A Santa Sé é um estado, com assento na ONU e com o qual Portugal tem relações diplomáticas. 

Assim sendo os gastos públicos estão justificados. Tudo não passa da visita de um qualquer chefe de estado que por acaso também é lider religioso. 

Ao que sei, o palco a ser montado no terreiro do paço, para a missa campal, custa 200 mil euros e será pago por patrocinadores privados.

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Segunda, 08/03/2010 - 18:32

"um [...] chefe de estado que por acaso também é lider religioso"

Isto não é bem assim.

O papa é chefe de estado por ser líder religioso. Não é um acaso.

O estado do Vaticano foi criado por Mussolini como forma de garantir ao papa poder ilimitado sobre uma certa parte da cidade de Roma. O poder do papa sobre a cidade de Roma adveio em primeiro lugar da sua caraterística de líder religioso.

O estado do Vaticano é pois um estado artificial, criado por Mussolini apenas para eliminar potenciais conflitos entre o estado italiano e o poder papal sobre Roma.

O papa não seria jamais recebido em Portugal por ser chefe do estado do Vaticano, da mesma forma que os chefes dos estados de San Marino, Mónaco, Andorra ou Liechtenstein jamais se deslocam a Portugal. O papa vem a Portugal por ser líder religioso, e é também por esse motivo que é chefe de um estado.

Retrato de João Cardiga

Julgo que é uma questão de

João Cardiga on Segunda, 08/03/2010 - 17:21

Julgo que é uma questão de timming. Os tempos actuais não estão propicios para este tipo de gastos. Criticaria à mesmo se fosse o Dalai Lama ou outro caso parecido.

 

Julgo é que se deveria separar bem ambos os papéis. Os gastos que vamos ter com ele enquanto líder religioso não são justificáveis, os gastos que iremos ter enquanto chefe de Estado são. A minha dúvida é:

 

- se viesse o reverendo mor da Igreja Universal de Deus (ou um imã muçulmano) seria aceitável o mesmo gasto?

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