Aqui há uns tempos o João Mendes trouxe-me à atenção este par de documentos que revelam uma discussão em progresso sobre a necessidade de nos dias que correm irmos além do PIB como ferramenta de análise e medição económica. Ficam aqui as minhas mini-notas da minha leitura rápida.

Esta primeira iniciativa da União Europeia representa ainda os primeiros passos no processo e meramente um reconhecimento do problema. A alternativa existente ao PIB é de momento apenas indicadores avulsos ambientais (footprint ambiental) e o Indice de desenvolvimento Humano das Nações Unidas. http://www.beyond-gdp.eu/

A conclusão óbvia é que o PIB representa um indicador da actividade de mercado mas não toma em consideração o bem-estar em geral. É inadequado para tomar em conta um consumo sustentável, padrões de produção e não mede também diferentes graus de inclusão social. Existe uma necessidade de melhorar o entendimento sobre como as pessoas gastam o seu tempo e qual é a contribuição destas escolhas para o bem-estar. No que toca à sustentabilidade o relatório dá o exemplo de como, em termos práticos, a degradação ambiental na China representa custos de até 6% do PIB.

Quanto ao mega-relatório de Stiglitz (http://www.stiglitz-sen-fitoussi.fr/en/index.htm), realço o seu checklist de factores a tomar em consideração na busca por um indicador de bem-estar mais completo:

• Condições de vida materiais
• Saúde
• Educação
• Actividades pessoais, incluindo o trabalho
• Voz política e governança
• Ligações sociais e relacionamentos
• Ambiente
• Insegurança, económica e física

Todos estes, e a sua possibilidade de medição, são depois discutidos separadamente em pormenor no relatório para os interessados.

O PIB e a mulher a dias

Hugo Garcia on Sábado, 14/11/2009 - 20:12

Em Economia há um ditado que diz "Quando a mulher a dias se casa com o patrão, o PIB desce".

Isto é um facto. O trabalho de uma mulher a dias conta para o PIB, mas o trabalho que uma pessoa faz em sua casa não conta.

Assim se explica que o PIB é um indicador não exacto.

mas não devemos colocar o PIB no mesmo bolo que os indicadores de bem estar.

Nos vários factores que se devem analisar numa sociedade, devemos ter em consideração que uns são objectivos, outros são meios para se atingir esses objectivos.

Felicidade, conforto, bem estar, Esperança média de vida e outros do mesmo género são os grandes objectivos.

O PIB não tem qualquer valor. O que me interessa viver num país que tem um PIB elevado se eu estiver a morrer à fome, não tiver liberdade de expressão e for constantemente mal tratado pelas autoridades?

Isto porque a produtividade (PIB per capita) é um meio para se atingir os objectivos.
Se hoje conseguirmos aumentar a produtividade, amanhã conseguiremos ter um pouco mais do que é realmente importante. Claro que se forem os custos para atingir essa produtividade forem mais elevados que os benefícios, existiu algures uma má decisão.

Na verdade, quando existe um debate ADULTO entre psicólogos e economistas, os psicólogos falam sobre o que nos dá felicidade e os economistas falam sobre como atingir esses factores .

Já na política, essa prática que nasceu pelo menos 22 séculos antes da economia, é necessário abordar todas as áreas com uma visão sistémica e holística.

Excelente artigo Daniel.

André Escórcio ... on Quinta, 12/11/2009 - 14:48

Excelente artigo Daniel. Efectivamente temos de partir para uma análise económica mais profunda a qual, na minha opinião, deve ter sempre em conta os 3 pilares da sustentabilidade: económico, social e ambiental.

Retrato de Luís Lavoura

China

Luís Lavoura on Quinta, 12/11/2009 - 11:02

"a degradação ambiental na China representa custos de até 6% do PIB"

Tanto quanto julgo saber, a China é um dos poucos países do mundo que já hoje tem em andamento uma contabilidade "verde", na qual, precisamente, procura contabilizar e subtrair ao PIB os custos da degradação ambiental.

Países ocidentais falam muito de ambiente mas ainda não tentam contabilizar, de forma sistemática e padronizada, os custos ambientais.

Luís Lavoura

Retrato de Luís Lavoura

mercado e não-mercado

Luís Lavoura on Quinta, 12/11/2009 - 11:00

"o PIB representa um indicador da actividade de mercado"

Exatamente. Tudo aquilo que é fornecido extra-mercado não entra no PIB.

Se tu pões o teu filho numa creche e pagas à creche, o PIB aumenta. Se, no entanto, vives perto dos teus pais e eles tomam conta da criança, então o PIB não aumenta - mas a criança até é capaz de ficar melhor servida.

Portugal tem ainda uma sociedade caraterizada por fortes laços familiares, graças aos quais muitos dos serviços não passam pelo mercado. Não entram no cálculo do PIB mas, no entanto, contribuem para o bem-estar.

Luís Lavoura

Retrato de João Mendes

Bom artigo

João Mendes on Quarta, 11/11/2009 - 14:30

Este é um tema que me parece fundamental. Temos de definir bem o que significa "crescimento económico", e parece-me que o PIB é demasiado restrito para dar a ideia global que deveria ser dada pelo indicador tido como "chave".

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