Retrato de Miguel Duarte

O parqueamento urbano, para automóveis, é uma aberração, principalmente quando é gratuito.

Porquê?

Bem, criar parques para estacionar tem custos, mesmo quando feito por entidades privadas, como centros comerciais. Esses custos, caso não sejam passados directamente para o consumidor, sob a forma de custos de estacionamento, são passados indirectamente para todos os utilizadores das áreas comerciais, via preços superiores nos bens que adquirem.

O mesmo se passa com os apartamentos que têm estacionamento incluído no preço. Suponho que ninguém é inocente ao ponto de pensar que esse estacionamento não tem um preço. Ou seja, mesmo quem não usa carro tem que pagar umas dezenas de milhares de euros a mais, por um lugar de estacionamento de que não necessita, no apartamento que vai adquirir.

Para piorar a situação, estacionamento de superfície a mais nas nossas cidades, mata efectivamente as cidades e o ambiente urbano. Eu diria, que o estacionamento de superfície é precisamente um dos factores que está a matar o nosso comércio "tradicional". As pessoas gostam de passear em sítio calmos e arranjados, com passeios largos, não em passeios apertados, que foram cortados de boa parte da sua largura, para criar lugares de estacionamento extra. Ou seja, rouba-se espaço de circulação às pessoas, para criar espaço para colocar carros, em que cada espaço de estacionamento ocupa o espaço de circulação de muitas pessoas.

Mas, é necessário espaço de estacionamento, dizem vocês?

Eu respondo, sim, é preciso, mas, quem o deseje deve pagar por ele. Em vez de EMEL e companhia, deveriam leiloar-se os estacionamentos de superfície, que deveriam ser reduzidos em número, a concessionários que explorariam os mesmos aos preços que entendessem (que se aproximariam dos preços que se pagam nos parques subterrâneos). O cidadão que não usa automóvel não tem nada que andar a subsidiar a utilização do automóvel por outros. Obviamente, também deveriam ser criadas alternativas em silos e em garagens, para criar estacionamento adicional, mas, tudo pago ao preço justo, ou seja, ao valor necessário para cobrir os investimentos feitos por privados nessas infraestruturas.

Então e nas periferias junto às interfaces de transportes públicos, o parqueamento não deveria ser gratuito? Não. Mais uma vez, por cada lugar de estacionamento gratuito junto a uma estação de comboio, isso significa que algum inocente, que vai de bicicleta para a estação, tem que pagar mais uns cêntimos pelo bilhete, para cobrir o custo do indivíduo que optou por levar a sua viatura para a estação (ou então, pior ainda, todos temos que pagar mais impostos para subsidiar o investimento do Estado em estacionamento gratuito). Pior, criar estacionamentos gratuitos nas interfaces de transportes públicos, é distorcer o mercado da habitação, tornando mais barato adquirir-se casas na periferias e mais caro adquirir casas no centro, onde ter-se um automóvel é desnecessário. É um daqueles exemplos onde a intervenção "bem intencionada" do Estado, acaba por criar mais problemas do que aqueles que resolve e fazer com que todos os cidadãos vivam pior.

O estacionamento gratuito é uma medida extremamente anti-ecológica que promove o desperdício e a irracionalidade ao nível do transporte e da compra de habitação. Pior, o estacionamento gratuito é uma injustiça para com os cidadãos que não usam automóvel, onerando-os injustamente com custos que deveriam ser imputados apenas aos que usam automóvel. No fundo, o estacionamento gratuito, não passa de mais um imposto injusto.

O Filipe Melo Sousa, o tal

Anónimo (não verificado) on Terça, 15/12/2009 - 20:24

O Filipe Melo Sousa, o tal que está sempre a pedir para estacionar em cima dos passeio porque, segundo diz, "paga impostos para tal", não é membro deste movimento?

Espaço na cidade custa

mcarvalho on Quarta, 03/10/2007 - 22:54

Há um exemplo que dei aqui (http://menos1carro.blogs.sapo.pt/1506.html) com a diferença de preços entre as rendas no centro e na periferia. A diferença é um "indicador" (proxy) do preço do espaço urbano, que é obviamente altíssimo.
Disponibilizar uns 5 metros quadrados para um automóvel no centro de Lisboa de forma gratuita é de facto uma aberração.

Parqueamento

Stran on Quarta, 03/10/2007 - 11:44

Antes demais gostava de dar os parabéns a este movimento (embora eu me encontre num campo politico oposto e discorde de muitas posições). Espero que consiga ganhar o seu espaço politico, pois é necessário para a nossa democracia.

A solução e análise deste problema não me parece a mais correcta.

1. Falas no fundo de privatizar um espaço publico, que tem a sua utilidade, seja local ou nacional. Aliás como qualquer utilidade ela pode ser vista como sendo apenas local, por quem utiliza, a ideia inerente é se efectivamente vale ou não a pena nós, cidadãos, termos espaço público onde estacionar os automóveis? Como qualquer privatização ela acarretará custos (e neste caso bem superiores) superiores a quem utiliza (e visto que em Portugal somos muitos, o custo é incrementado em muito) pois o concessionário terá necessariamente de gerar lucro.

2. O problema de fundo mantém-se pois o problema actualmente não é se o estacionamento deveria ser privado ou publico mas o mau funcionamento. Ou seja o Estado falha na sua função de fiscalização (que deverás defender certamente) e o cidadão falha no seu sentido cívico. A resolução não passa pelo facto de se pagar ou não o estacionamento mas sim numa maior fiscalização do mesmo.

3. O facto de existir um estacionamento gratuito na periferia nada tem haver com a diferença de preços entre periferia e centro, esta está mais relacionado com a oferta e a procura do que propriamente com os estacionamentos. Além disso por vezes uma casa na periferia não fica mais barata do que no centro, pois quando analisas dois investimentos tens de entrar com os custos de determinada opção (custo de transportes) o que faz com que por vezes o custo de viver na periferia seja superior ao de viver no centro.

4. Falar que os estacionamentos criados como má utilização de espaço (como mencionas) é óptimo caso não tivéssemos em Portugal. Quando te passeias por Lisboa e vês tantas casas emparedadas, tantas zonas devolutas, tantos armazéns abandonados, ou quando vais à periferia e vês tanta desorganização é como apontar para um papel deitado ao mar quando este está poluído de petróleo.

5. Mas no fundo resume-se à diferença que eu apontei no inicio do meu comentário. Julgo que o espaço público deverá ser isso mesmo publico. Que a oneração deste espaço é tão válida como qualquer outro bem publico (por exemplo as estradas, passeios, etc...). A meu entender nesta temática, como noutros certamente, julgo que estamos em campos opostos, julgo que o espaço publico não deverá ser remunerado, nem no centro da cidade. A discriminação da utilização deste espaço não deveria ser feita de uma forma monetário, isso sim de uma injustiça tremenda.

Em jeito final gostaria de contrariar a noção que tens do Parque das Nações que é totalmente falsa. Não só é um sitio "humano" como é muito mais amigo do peão e do ciclista do o que tu apontaste. Julgo que a tua opinião baseia-se em percepções momentâneas e não de quem mora lá ou utiliza com muita frequência esse espaço.

Retrato de Miguel Duarte

Respostas

Miguel Duarte on Quinta, 04/10/2007 - 07:34

1. A questão para mim é: porque é que um espaço "público" há de ser à borla? O facto de ser à borla significa que o espaço irá necessariamente ser mal utilizado. Ou seja, apesar de ter um custo para a sociedade disponibilizar aquele espaço (ex: menos espaço para jardins, menos espaço para peões e bicicletas, mais espaço entre edifícios), e de o equilíbrio entre oferta/procura não existir em determinadas zonas de Lisboa, tu queres continuar a oferecer o espaço. Eu prefiro que cobres pelo espaço e que baixes os impostos dos que não usam automóvel.

2. A fiscalização tem que aumentar no que toca ao estacionamento ilegal. Por exemplo, se fosse presidente da CML, não haveria um único carro em cima do passeio. ;) Mas isso nada tem a ver com a gestão dos espaços de estacionamento legais.

3. Eu sei. Eu fiz as contas e cheguei à conclusão que sai-me ao mesmo preço ter uma casa no Bairro Azul (junto ao El Corte Inglês) e ter uma casa em Carnaxide. Isto porque vou deixar de usar carro para me deslocar para o emprego (menos 120 €/mês em gasolina)! Já para não falar nos ganhos acessórios e de que o meu carrinho, ao deixar de ser praticamente usado, vai ter uma maior vida útil.

4. Tem tudo a ver com a leis das rendas, com partilhas (também lei) e com burocracias da câmara. Já para não falar com alguma especulação que deveria na minha opinião ser diminuída com alguns impostos. Esses prédios deviam ser colocados no mercado.

5. Bem, suponho que és de Esquerda. Diz-me uma coisa, é justo que os mais pobres (que não têm sequer dinheiro para ter carro), paguem pelos mais ricos (os que vão de carro para o centro de Lisboa)? Eu considero um acto de extrema insensibilidade social defenderes tal coisa!

6. Quanto à Expo, o problema é a extensão. Em termos de passeios e zonas reservadas para os peões está óptima. Simplesmente algum espaço tinha-se poupado e mais espaço aos peões tinha-se criado, reduzindo algum estacionamento de superfície.

Contra Respostas

Stran on Quinta, 04/10/2007 - 11:54

1. "A questão para mim é: porque é que um espaço "público" há de ser à borla? O facto de ser à borla significa que o espaço irá necessariamente ser mal utilizado."

Aqui não concordo mesmo nada com isto. O facto de ser ou não de borla não implica se vai ser bem ou mal utilizado. Aqui é onde as nossas divisões são mais visíveis. Quase que se retira da afirmação a conclusão que nenhum espaço "publico" deverá ser de borla. Embora substituis esse espaço com outro espaço "publico" quando te referes à sociedade ("Ou seja, apesar de ter um custo para a sociedade disponibilizar aquele espaço (ex: menos espaço para jardins, menos espaço para peões e bicicletas, mais espaço entre edifícios)..."), Ou achas que esses espaços também deverão ser concessionados aos privados?

2. "A fiscalização tem que aumentar no que toca ao estacionamento ilegal. Por exemplo, se fosse presidente da CML, não haveria um único carro em cima do passeio. ;) "
Podemos estar em campos políticos opostos mas neste ponto temos uma posição comum, eu faria o mesmo.

"Mas isso nada tem a ver com a gestão dos espaços de estacionamento legais."
Se falarmos em teoria podemos separar estas duas temáticas. Mas na realidade, p.e. Lisboa, já não é assim. Retira de Lisboa o estacionamento ilegal e achas que Lisboa ainda te pareceria caótica? Portanto um implica o outro necessariamente na análise deste problema e principalmente na resolução do mesmo.

"3. Eu sei. Eu fiz as contas e cheguei à conclusão que sai-me ao mesmo preço ter uma casa no Bairro Azul (junto ao El Corte Inglês) e ter uma casa em Carnaxide. Isto porque vou deixar de usar carro para me deslocar para o emprego (menos 120 €/mês em gasolina)! Já para não falar nos ganhos acessórios e de que o meu carrinho, ao deixar de ser praticamente usado, vai ter uma maior vida útil."
Esta é uma análise que raramente é feita quando se analisa a diferença de preços. A verdade é que actualmente muitas pessoas vivem na periferia mais por opção pessoal do que por opção financeira. Embora este já é uma temática completamente diferente...

4. Concordo.

5. Não era difícil de adivinhar. "Diz-me uma coisa, é justo que os mais pobres (que não têm sequer dinheiro para ter carro), paguem pelos mais ricos (os que vão de carro para o centro de Lisboa)? Eu considero um acto de extrema insensibilidade social defenderes tal coisa!"
Vamos analisar a realidade: Quantas pessoas conheces que não têm carro? Muito poucas. Portanto o espectro económico destes utilizadores é muito largo , correcto? E nesses utilizadores defendes que apenas os mais ricos tenham a possibilidade de utilizar estes espaços? E isso é ser socialmente sensível?
Essas pessoas que "não têm sequer dinheiro para ter carro" têm que pagar a manutenção das estradas em Lisboa? Ou de outros espaços públicos que existem?
Acho que aqui foste um pouco simplista a colocar esta questão (no entanto foi bem colocada). A verdadeira pergunta é se achas que na utilização de um espaço publico deverão ser os mais ricos a ter o privilégio dessa utilização?
É neste sentido que sou apologista de que os espaços públicos não deverão ser taxados. Isso faz com a discriminação seja feita pelo dinheiro e não por outros factores acabando por prejudicar os que são financeiramente mais carenciados, criando dois níveis de vida completamente diferentes, dos mais pobres e dos mais ricos.
Podes argumentar que o estacionamento não é um espaço publico e portanto não se enquadra nesta visão. Não concordo mas é uma visão. Agora defender que num espaço público a utilização deverá ser discriminada por valor monetário é extremamente insensível socialmente.
O espaço publico deve ser isso mesmo, publico e de utilização gratuita. Embora é claro para mim que o facto de não pagarmos a sua utilização directa não significa que o não estamos a fazer indirectamente. A questão é que indirectamente todos podem beneficiar, directamente apenas os mais ricos o poderão fazer.

Retrato de Miguel Duarte

Contra contra respostas

Miguel Duarte on Sexta, 05/10/2007 - 09:32

1. Isto é economia. Quando um bem é escasso, a melhor forma de o gerir é privatizá-lo. E isto aplica-se até mesmo a jardins, caso eles se tornem um bem escasso. Exemplo:

- Para combatermos o efeito de estufa, colocamos um preço nas emissões de carbono;
- Para regular a entrada num jardim sobrelotado podemos cobrar uma pequena taxa moderadora;
- Um baldio (já ouviste falar na tragédia dos baldios?), que todos possam usar, tem tendência à desertificação. A solução é geralmente privatizar o solo, para que cada agricultor possa gerir convenientemente a sua parcela.

O estacionamento, quando é escasso, é exactamente a mesma coisa. Deves colocar-lhe um preço para que exista uma prioritização das pessoas relativamente à sua utilização e equilibrar a procura com a oferta.

No entanto, não estou a pensar privatizar os passeios (as estradas, já poderíamos discutir sobre isso).

2. "Retira de Lisboa o estacionamento ilegal e achas que Lisboa ainda te pareceria caótica"

Retirar o estacionamento ilegal seria uma grande ajuda. Mas mesmo assim, ficando só o legal, considero que há carros a mais há superfície. Eu sonho com uma Lisboa com bastantes mais ruas pedonais, árvores, etc.

5. "E nesses utilizadores defendes que apenas os mais ricos tenham a possibilidade de utilizar estes espaços? E isso é ser socialmente sensível?"

Aquilo que tu dizes que é "normal", é a classe média portuguesa. E sim, acho justo que a classe média, e os mais ricos, paguem pelo utilização que fazem dos seus automóveis. Se eles não pagarem, isso só significa que quem está a pagar são os mais pobres e os que tomam a decisão (benéfica para a sociedade) de não usar o automóvel. Ou seja, se dividires o mal pela aldeia, estás necessariamente a onerar mais aqueles que deveriam ser beneficiados pela sua decisão de não usar um determinado recurso.

Em termos de custos, até a construção de estradas representa uma fatia elevada dos impostos que pagamos, sendo que nem todos utilizam tão intensivamente essa mesma estrada. Um tipo que vai de autocarro para o emprego necessita de menos estrada que um tipo que vai de automóvel para o emprego. Logo, quem vai de autocarro deverá ser proporcionalmente menos taxado. A mim parece-me mais do que justo. No fim, se conseguíres fazer isto bem, vais acabar por construir menos estradas (ao diminuir a utilização das mesmas) e vamos todos ter um melhor ambiente e pagar menos impostos.

Debate ou Contra Contra Contra Resposta...

Stran on Segunda, 08/10/2007 - 11:25

1. "Isto é economia."
É uma visão um pouco redutora da economia. Dentro da economia existem várias correntes e várias soluções para o mesmo problema. Não se pode afirmar tão peremptoriamente que para determinado problema existe apenas uma solução. Aliás nos tempos que correm até os fundamentos mais básicos da economia estão a ser contestados pelo que não é taxativo a estratégia que deve ser seguida para determinado problema. Neste sentido o que afirmas: "Quando um bem é escasso, a melhor forma de o gerir é privatizá-lo. E isto aplica-se até mesmo a jardins, caso eles se tornem um bem escasso." Não é necessariamente verdade.

"- Para combatermos o efeito de estufa, colocamos um preço nas emissões de carbono;" Foi a solução apresentada para esta "falha de mercado" no entanto não me é claro que seja a melhor solução (embora não tenha base para contestar neste momento esta solução)

"- Para regular a entrada num jardim sobrelotado podemos cobrar uma pequena taxa moderadora;"
Importante nesta frase é a parte do "podemos".

"- Um baldio (já ouviste falar na tragédia dos baldios?), que todos possam usar, tem tendência à desertificação. A solução é geralmente privatizar o solo, para que cada agricultor possa gerir convenientemente a sua parcela."
Não é pelo facto do nosso espaço florestal ser privado que se dá uma melhor gestão desse espaço, aliás é um bom exemplo de como o teu raciocínio pode estar errado em algumas situações reais.

"O estacionamento, quando é escasso, é exactamente a mesma coisa. Deves colocar-lhe um preço para que exista uma prioritização das pessoas relativamente à sua utilização e equilibrar a procura com a oferta." Mas essa prioritização passa a ser feita de forma financeira. Os mais pobres não terão o mesmo acesso que os mais ricos, para eles será mais penoso o usofruto desse espaço, neste sentido faz me confusão que a prioridade seja dado a quem tem mais dinheiro.

"No entanto, não estou a pensar privatizar os passeios (as estradas, já poderíamos discutir sobre isso)."
Então discutiremos! Na minha forma de raciocinio, a estradas (embora seja um pouco exagerado) é um mesmo exemplo ao que deste para o passeio. Eu defendo que não deve ser privatizado, ou onerado, pelos mesmos motivos. Mas estranho que não defendas o mesmo para o passeio, a mecanica é identica à das estradas.

2. "Eu sonho com uma Lisboa com bastantes mais ruas pedonais, árvores, etc."
Mesmo sonho, mas para já o meu maior sonho é com mais pessoas...

5. "Aquilo que tu dizes que é "normal", é a classe média portuguesa. E sim, acho justo que a classe média, e os mais ricos, paguem pelo utilização que fazem dos seus automóveis."

Não te esqueças que em Portugal uma larga parte da classe média não é abastada nem nada que se pareça e tem carro.

"Se eles não pagarem, isso só significa que quem está a pagar são os mais pobres e os que tomam a decisão (benéfica para a sociedade) de não usar o automóvel."
Não me parece que os mais ricos sejam isentos de impostos, parece-me mesmo que no nosso modelo são eles que pagam mais...

"Ou seja, se dividires o mal pela aldeia, estás necessariamente a onerar mais aqueles que deveriam ser beneficiados pela sua decisão de não usar um determinado recurso."
É uma questão de gestão publica. Levado a um extremo a tua linha de raciocino levará a uma ausência de Estado e Solidariedade. Cada pessoa "pagava" pelo seu estilo de vida. Muito idêntico aos USA (vê o exemplo da saúde)...
No entanto saúdo a tua visão pois é coerente com a visão liberal da economia.

P.S Tenho um blogue: o Tuga (http://blogdotuga.blogspot.com) e gostava de te fazer uma entrevista. Embora não concorde com a tua visão julgo interessante divulgar o teu movimento (espero não me arrepender num futuro próximo - lol) e gostaria muito de te entrevistar. Passa pelo blogue e se gostares (embora acredito que poderás discordar de muito do que escrevo) espero que aceites.

Melhores Cumprimentos,

Stran

no entanto

Luis Menezes on Terça, 02/10/2007 - 20:51

eu também gostaria de viver numa avenida de Lisboa.

Vivo na Margem Sul, junto a uma estação de comboio.

Desloco-me diariamente para a Expo. Levo cerca de 45 minutos mas poderia levar menos se os comboios da CP não se estivessem sempre a atrasar.

Vejo que 2 dos 4 ou 5 parques da minha estação estão a abarrotar, não são gratuitos. Logo, existe um desperdicio de cerca de 1/2 do espaço de parqueamento (isto por alto). Que poderia ser aproveitado. Ou por outro concessionário (seria interessante haver concorrência e não ser só um a encher os bolsos). Ou por outros serviços (que não as barracas das festas em Agosto...).

Sei que a fila na A2 a cada dia é maior. Que todos andam de Audi ou de BMW. Que muitos têm casas em Lisboa e vão a Azeitão ou Palmela de fim de semana (Deus ou o David Attenborough saberão o porquê destas misteriosas actividades migratórias dos portugueses ao fim de semana).

Acho que tudo isto é apenas efeito dessa doença nacional-comodismo.

Retrato de Miguel Duarte

Errado

Miguel Duarte on Quinta, 04/10/2007 - 07:23

Tu deverias poder viver de facto em Lisboa, ou ter transportes públicos decentes para a cidade. Curiosamente, o facto de o parqueamento ser gratuito em Lisboa, aumenta na prática o custo de tu poderes adquirir uma casa em Lisboa e poderes abdicar de usar o automóvel. Já para não falar de aumentar os impostos de todos, dos que precisam desses lugares de estacionamento e dos que não precisam.

E quanto aos parques, porque é que queres imputar a quem vai para a estação de comboio sem ser de carro o custo de tu levares o carro para a estação de comboios? Sabes, alguém tem que pagar o terreno onde o parque foi construído, a construção do parque, a sua manutenção e a sua segurança! Não me parece nada justo, que uma pessoa que tenha escolhido viver ao pé da estação, o que se desloque para a mesma num meio de transporte que não ocupe tanto espaço de superfície, tenha que contribuir para que tu leves um automóvel para o local.

Aquilo que tu deves exigir é precisamente bons transportes públicos, a um preço justo. E já agora, a alteração da leis das rendas, por forma a que os preços em Lisboa baixem. É que não convém esquecer que Lisboa, uma cidade que no centro até é bem servida de transportes, está a perder população todos os dias.

Retrato de Igor Caldeira

Totalmente de acordo

Igor Caldeira on Segunda, 01/10/2007 - 12:15

"É um daqueles exemplos onde a intervenção "bem intencionada" do Estado, acaba por criar mais problemas do que aqueles que resolve e fazer com que todos os cidadãos vivam pior."

Retrato de Luís Lavoura

Dei 3 pontos...

Luís Lavoura on Segunda, 01/10/2007 - 08:46

... a este post, mas se pudesse dava mais. Deve ser o post mais correto que vi neste blogue em muitas semanas.

Queria acrescentar um pormenor. É errado até mesmo fazer grandes estacionamentos junto às estações de transportes coletivos, porque essas localizações são preferenciais para grandes empreendimentos de serviços, comerciais ou industriais. Estar a desperdiçar solo junto a, digamos, uma estação de combóio, num parque de estacionamento, é dizer que não se poderá instalar nesse precioso solo, junto a essa estação de combóio, um centro comercial, ou um parque de serviços, ou qualquer outra empresa que seja demandada por muita gente.

Luís Lavoura

Retrato de Miguel Duarte

Existe ainda um outro efeito

Miguel Duarte on Segunda, 01/10/2007 - 09:31

Quando constróis muito estacionamento de superfície, em urbanizações novas, ocupas espaço que não só poderia ter fins mais úteis, como afastas os edifícios uns dos outros. Ou seja, para benefício de quem usa carro, fazes com que quem não usa automóvel demore mais tempo de deslocação para circular entre espaços comerciais (por exemplo), por estes estarem mais longe uns dos outros, aumentando ainda mais a necessidade de utilização do automóvel.

A título de comparação, vê as distâncias que percorres em bairros mais antigos, não pensados para o automóvel, e em bairros recentes, como a Alta de Lisboa e o Parque das Nações, pensados para o uso intensivo do automóvel. Uma Alfama, Baixa e um Bairro Alto são sítios muito mais humanos e amigos do peão e do ciclista.

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