Retrato de Luís Lavoura

Segundo entendi de um artigo na edição desta semana do Economist, o Reino Unido está em vias de introduzir um novo sistema de pensões de reforma, de radical simplicidade: a partir de daqui a alguns anos, todos os reformados passarão a receber uma pensão, idêntica para todos, de 144 libras (cerca de 180 euros) por semana. Deixará de haver uma componente da pensão de reforma proporcional ao salário do trabalhador.

A mim um tal sistema parece-me eminentemente conveniente. É simples: cada trabalhador sabe perfeitamente que pensão espera. Encoraja o trabalho: como a pensão é baixa, o reformado é encorajado a continuar a trabalhar o mais tempo que puder. Pela mesma razão, encoraja a poupança do trabalhador. Finalmente, é um sistema igualitário: todos recebem do Estado a mesma pensão de reforma.

(Naturalmente que pressuponho que também a idade a partir da qual a reforma é auferida seja a mesma para todos. Quer trabalhem até aos 50 ou até aos 80 anos de idade, todos recebem pensão de reforma estatal a partir dos 65.)

Segundo o Economist, embora a muito curto prazo este sistema vá custar mais dinheiro à Segurança Social inglesa, a longo prazo, pelo contrário, induzirá substanciais poupanças em relação ao sistema atual.

É um sistema assim que eu gostaria de ver implementado em Portugal: a mesma reforma para todos, a partir da mesma idade para todos. De acordo com a velha ideia de Friedman de um "rendimento de liberdade".

Desde o Vasco Gonçalves

zeca marreca de braga (não verificado) on Segunda, 21/01/2013 - 16:43

...que isso já existe em Potugal. Chama-se regime não contributivo e estabelece pensões mínimas.
A grande vantagem do sistema actual (para além de, em tese um estado ser mais seguro que uma segurador(!)) é leve a que os trabalhadores tenham tendência a declarar a totalidade do salario. Se bem que basta ir a metade das PMEs para ver a quntidade de envelopes que circuam no fim do mês...

E quem pagava os impostos?

zeca marreca de braga (não verificado) on Segunda, 21/01/2013 - 16:31

"Encoraja o trabalho" depois da idade da reforma.
Na idade activa encoraja a viver de "state benefits", emprego clandestino, etc. Além do que toda a gente passaria a receber o SMN e o resto "under de table", pagaria menos impostos e estaria isento co-pagamentos nos serviços estatais (hospitais, escolas/univ., transportes etc.)
Eu também gostava de vêr isso em Portugal!

Retrato de Luís Lavoura

resposta

Luís Lavoura on Segunda, 21/01/2013 - 16:51

É uma boa objeção. Mas não creio que seja assim tão fácil, para as empresas em geral, fazer pagamentos generalizados por fora. As empresas têm que justificar as suas despesas.

Ajudas de custo

zeca marreca de braga (não verificado) on Segunda, 21/01/2013 - 17:02

Admitindo que não têm saco azul, pagam ajudas de custo de viagem em viatura própria, deslocação e estadia na beira baixa ou no estrangeiro, etc. Sem encargos de IRS (trabalhador) e sem ser abrangido pela TSU (só aqui são 34,5% do valor em contribuições)!

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