" Se a saúde é tendencialmente gratuita porque é que os médicos andam de Ferrari? "

Serviço Nacional de Saúde. Eficiência precisa-se.

Willespie (não verificado) on Quarta, 01/03/2006 - 19:49

Se me é permitido deixar aqui o meu comentário, eu penso que a minha opinião neste tema aproxima-se um pouco do Hugo F Garcia (embora não tenho nada contra um médico que tenha um Ferrari), mas também do Miguel Duarte. Talvez seja uma miscelânea das duas.

Antes de mais quero dizer que a minha opinião é baseada não em dados e estatísticas oficiais mas apenas em comparações, observações e experiências pessoas e directas com sistemas de saúde de dois países diferentes e são opiniões “dês-ideológicas” e pragmáticas qb. Trata-se portanto de uma opinião baseada em informação limitada, mas real.

1. Eu considero que um sistema de saúde que contempla o serviço a utentes pago pelo estado e fornecido por entidades privadas (for profit) e públicas lado a lado e/ou qualquer variação desse modelo, (i.e +/- o sistema americano)… do ponto de vista do estado, a não ser que haja um controlo rigoroso sobre os preços ou pagamentos, entre outras coisas, é o equivalente do ministério de saúde pegar em milhões e milhões de euros provenientes de impostos, e deitá-los directamente pelo cano abaixo. Pelas razões citadas pelo Hugo F Garcia. Ou seja, pela ocorrência descontrolada de sobre-facturação pelas entidades privadas ao estado. Os EUA gastam muito mais per capita em saúde do que qualquer outro país (mas mesmo muito mais) e no entanto a percentagem de população sem qualquer acesso a serviços de saúde, varia entre 34% a 40%.

2. Mesmo assim penso que em Portugal o problema não é necessariamente um excesso de sobre-facturação ou de excesso de soluções “private-delivery” pago pelo estado. Como resido no interior do país posso-vos afiançar que existem localidades de milhares e dezenas de milhares de habitantes que não têm qualquer tipo de acesso a serviços de saúde que não seja:
a) acordar às 4 ou 5 da manhã e fazer figas para que o médico responsável pelo posto público lhes conceda a graça de aparecer no seu posto de trabalho naquele dia,
b) e fazer ainda mais figas para que “tenha vez” naquele dia entre os outros pacientes que também lá estão desde as 4 ou 5 da manhã.

Existe ainda uma alternativa c) que penso que é justamente a fonte do problema. Se os pacientes forem ao “consultório privado” desse mesmo médico (onde ele estará todo o tempo em que ele se ausenta do seu posto público), e se o utente pagar uma quantia mais ou menos generosa por baixo da mesa (menos do que se pagaria numa clínica privada), mais um borrego, duas galinhas e um ovo, terão então direito a todo o serviço e bom trato. Resumindo, o contribuinte português está neste momento a subsidiar a preguiça e mau profissionalismo dos médicos, e se optar pela solução “c” está a pagar indirectamente duas ou três vezes pelo serviço que recebe apenas uma vez, uma vez que o médico está a ser pago para estar no seu posto enquanto está no consultório a operar clandestinamente. Acho que é fundamentalmente estes maus micro-hábitos que terão de mudar e com toda a franqueza o principal obstáculo é justamente a ordem dos médicos.

3. No seu aspecto geral acho que é mais do que óbvio que é necessário e possível, aumentar e em muito a eficiência do sistema público. Eu acho que isto é possível sem alterar radicalmente o actual modelo de prestação de serviço. Assim de repente uma medida concreta seria o pagamento directo de salários a médicos consoante o número de pacientes atendidos. Ou seja desregulam-se as restrições de abertura de clínicas ou consultórios para que cada médico ao optar por prestar serviço de saúde público, possa estabelecer livremente o seu local e meio de trabalho enquanto o estado remunera esse mesmo trabalho pelo seu mérito e produção, e não como é actualmente pago, pelo seu estatuto indiscriminadamente.
Seria um contraste absoluto com o sistema ridículo que está actualmente em vigor que manda o médico alegremente para casa e com o dia ganho assim que ele tiver consultado 16 pacientes nesse mesmo dia.

Em relação ao modelo em concreto, eu pessoalmente prefiro uma aproximação aos sistemas canadiano/australiano (ditos de esquerda) que são imensamente populares nesses países, em que a cobertura do sistema público é universal e gratuito enquanto o serviço privado (for profit) é forçosamente pago apenas pelo utente não recebendo um cêntimo do estado (nem mesmo ADSEs etc). Apesar desta preferência pessoal que pode ser considerada de esquerda apesar de ser muito eficaz, penso que é possível a provisão de serviços de saúde por entidades privadas pagas ou seguradas pelo estado desde que não haja um descontrolo grosseiro dos custos e que essas entidades contribuem para a eficiência global de um sistema que garante uma cobertura universal ou quase universal.

Neoliberal, centrista ou comunoide, para mim desde que o modelo ou sistema a defender pelos membros da nossa área política que não seja Malthusiana na medida em que é indiferente ou então vê com bons olhos a exclusão dos inaptos, pobres, velhos e fracos, poderemos sempre discordar de uma forma salutar e construtiva e chegar a um conjunto de reformas concretas mais ou menos generalizadas e consensuais (entre nós) e dignas de um partido político superior.

Sempre,
Filipe Almeida (aka Willespie)

Retrato de Miguel Duarte

Estados Unidos

Miguel Duarte on Quinta, 02/03/2006 - 12:58

Eu admitidamente desconheço em detalhe o sistema americano, sendo que de facto não é um sistema eficiente. Tenho que fazer uma pequena investigação.

Mas não vejo muito bem como é que um médico individual ou mesmo uma clínica podem sobre-facturar quem quer que seja. É que o poder negocial do Estado é tremendo, dado que iria suportar universalmente todos os utentes. Ou seja, recusar negociar com o Estado um valor aceitável é o mesmo que deitar fora uma grande percentagem de clientes.

O Estado não precisa de ter acordo com todos os médicos/clínicas, tal como as seguradoras não fazem acordos com todos os prestadores de serviços nesta área.

É fácil.

Willespie (não verificado) on Sexta, 03/03/2006 - 23:29

Havendo essa negociação de preços entre o estado e as entidades públicas e privadas que fornecem o serviço de saúde pode haver um certo controlo sobre os custos. No entanto em sistemas de provimento misto (publico e privado) os privados e até mesmo os públicos encontram sempre formas de cobrar despesas extras ao utente e ao estado mesmo com preços negociados. Com a maior facilidade do mundo.

Confesso que desconheço estes pormenores internos do nosso sistema actual porque felizmente sou desses casos raros que não conheceria o médico de família se o visse na rua, mas alguns exemplos concretos que ocorrem noutros países são:

*Um hospital estabelecer um preço de internamento ao utente quando esta já é pago pelo estado.
*O mesmo para a utilização de uma ambulância.
*Obrigar os utentes a optarem entre receberam serviços miseráveis ou então pacotes de e coberturas serviços extraordinários.
*Obrigar os utentes a receberem serviços de qualidade desapropriadamente altas para patologias menores que não justificariam tal serviço.
*etc.

Nem sei se sobre-facturação será bem o termo para classificar este fenómeno.

Estes problemas de "sobre-facturação" são sobretudo notórias nos Estados Unidos onde estão muito bem documentadas. Por acaso até existe um Partido Liberal nos EUA que actua principalmente com o partido Democrático para eleger presidentes para a câmara de Nova Iorque e penso que também senadores e representantes para o estado de Nova Iorque.

http://www.liberalparty.org/

Uma das suas grandes linhas da sua plataforma política trata de identificar estes problemas e de afirmar que gastando menos dinheiro será possível fazer muito melhor e garantir a cobertura para uma percentagem muito maior de pessoas. Parece impossível mas a verdade é que o estado é sempre muito mais eficiente quanto elimina a descarada avareza corporativa como destinatário das suas despesas.

Um pouco mais a norte no Canadá a solução que os Liberais encontraram foi de 1º excluir qualquer investimento em soluções privadas do serviço nacional de saúde, obrigando que estas sobrevivem as suas custas e 2º descontar o respectivo valor acrescido da contribuição monetária às localidades, regiões, municípios e entidades públicas que recorrem a estas tácticas que são detectadas para aumentarem os "lucros". Não é um sistema perfeito mas parece-me que é muito mais eficiente, disciplinado e satisfatório para toda a população do que um sistema misto que seja descontrolado.

medicinas alternativas

Hugo F Garcia (não verificado) on Quarta, 01/03/2006 - 15:05

Miguel,

estas a confundir tudo. Eu estou a falar-te da Medicina Tradicional Chinesa e tu envias-me um link a falar do Qi Gong.
O Qi Gong é uma religião e os seus seguidores são os Falun Gong, que inclusivamente são acusados de fazer suicídios em massa. Por outro lado, isso é a acusação do governo que os persegue porque eles são contra o sistema comunista. Há uns anos dois jornalistas ingleses foram assassinados (pensa-se que pelo governo Chinês) por estarem a fazer uma reportagem sobre eles.

A MTC é uma ciência extremamente avançada e mais do que provada por métodos científicos e aceite pela comunidade científica a nível mundial. Não confundas as duas. É como confundir astrologia com astronomia. Não tem nada a ver.

Repito: a MTC é aceite pela OMS.
Foi a própria OMS (organização mundial de saúde) que fez a homegeneização dos pontos de acupuntura. Antes existiam muitos mapas diferentes e a OMS tratou de os juntar todos e ver quais eram realmente as suas funções.
Eu tenho amigos médicos que aprenderam sobre MTC.
E hoje em dia a MTC é praticada utilizando aparelhos elétricos.
Os meridianos já conhecidos há mais de 2000 anos foram testados utilizando ohmimetros (acho que é este o nome dos aparelhos que medem a resistência elétrica.)
Algumas pessoas tratam pacientes utilizando somente equipamento eletronico e sem perceber sequer dos fundamentos da MTC.

Apenas quem não sabe do que está a falar chama os medicamentos da MTC de mezinhas e foi nesse sentido que eu usei a palavra.
E a razão porque se chama de "alternativa" é porque a nossa sociedade toma por convencional a medicina a que tu geralmente recorres. Portanto qualquer outra será alternativa.

Mas de qualquer forma eu nem falei em comparticipar medicamentos de medicina chinesa. Eu apenas falei em poder descontar o custo das consultas como despesas de saúde no IRS e permitir que os terapeutas vendam no seu estabelecimento produtos naturais (sobre esses até podem pagar IVA). Além disso, aquilo que tu descontas de impostos vais poupar muitas vezes ao estado porque a MTC actua de forma preventiva. Tens ainda a vantagem de afastar das urgências uma variedade de pessoas que vão tratar questões menores.

Já agora, por toda a Europa existem várias universidades que ensinam MTC. O que significa que não é qualquer esotérico que tem credenciação. Assim é muito fácil distinguir os que têm conhecimento dos que não têm.

Retrato de Miguel Duarte

...

Miguel Duarte on Quarta, 01/03/2006 - 17:00

Tu não leste o artigo. O autor foi à China para investigar o Qi Gong entre outras coisas, mas o artigo não é sobre isso. O artigo é uma explicação sobre a razão porque as pessoas atribuem resultados às medicinas ditas alternativas (onde eles não existem) e às vezes até às medicinas "normais". Por exemplo foi ao hospital na China e receitaram-lhe um medicamento "ocidental" e um preparado "chinês".

Se falas em medicinas alternativas falas numa série de coisas, não apenas em acupuntura que é uma forma específica de medicina tradicional. Tens que chamar os bois pelos nomes.

Relativamente a OMS (e aos perigos das medicinas tradicionais):

" Scientific evidence from randomized clinical trials is only strong for many uses of acupuncture, some herbal medicines and for some of the manual therapies. Further research is needed to ascertain the efficacy and safety of several other practices and medicinal plants.

Unregulated or inappropriate use of traditional medicines and practices can have negative or dangerous effects.

For instance, the herb “Ma Huang” (Ephedra) is traditionally used in China to treat respiratory congestion. In the United States, the herb was marketed as a dietary aid, whose over dosage led to at least a dozen deaths, heart attacks and strokes.

In Belgium, at least 70 people required renal transplant or dialysis for interstitial fibrosis of the kidney after taking a herbal preparation made from the wrong species of plant as slimming treatment."

Fonte: http://www.who.int/mediacentre/factsheets/fs134/en/

Tens que também perceber o contexto da OMS estar a dizer que estes medicamentos/terapias podem ter alguma aplicação:

"Over one-third of the population in developing countries lack access to essential medicines. The provision of safe and effective TM/CAM therapies could become a critical tool to increase access to health care."

Ou seja, estes medicamentos/terapias não são necessariamente os mais efectivos, mas, onde faltam recursos podem ser úteis para colmatar essas falhas.

Pela parte que me toca, no momento em que algo é mais efectivo comprovadamente que outra terapia existente, passa a fazer parte da medicina "científica". Também tenho a certeza que qualquer médico o receitará sem problemas se de facto acreditar que o medicamento/terapia é o melhor para o cliente em termos do risco/custo/benefício esperado.

Apenas tem cuidado ao dizeres que queres benefícios para as "medicinas alternativas". O que na realidade pode fazer sentido, num país desenvolvido como o nosso, é dar benefícios para terapias que funcionam comprovadamente, desde que exercidas por pessoas com a formação médica para as executar. Quanto aos medicamentos, se são mesmo medicamentos, estes obviamente têm que ser produzidos por entidades que são sujeitas à fiscalização a que é sujeito qualquer laboratório e têm que respeitar as normas para introdução no mercado de qualquer outro medicamento.

agora estamos a chegar a algum sítio

Hugo F Garcia (não verificado) on Quarta, 01/03/2006 - 18:14

Eu não só vi o texto como vi o site. Era um site ridículo que só queria chegar a conclusões de que tudo era treta. E isso não é científico.

Relamente já têm existido medicamentos utilizados em medicinas alternativas várias que têm feito mal aos seus pacientes e por isso muitos foram proibidos há um tempo atrás. É realmente necessário fazer o levantamento de quais são perigosos, mas isso já foi maioritariamente feito.

Mas o meu comentário face aos produtos foi exactamente nesse sentido. A lei está feita para proibir os terapeutas de vender produtos semi-inofensivos. As farmácias podem vender os mesmo sem qualquer tipo de preocupação, da mesma forma que vendem uma aspirina. Isto é simplesmente lobby médico a funcionar. Mais nada. A ideia é bloquear o surgimento de outras terapias.

E sim. Apenas serviços de médicos credenciados em MTC e outras medicinas alternativas que sejam reconhecidas devem poder ser apresentadas como despesas médicas para descontar no IRS.

Retrato de Miguel Duarte

Antes pelo contrário

Miguel Duarte on Quarta, 01/03/2006 - 18:39

O site é um site de referência na área. É criado por pessoas na área da ciência, para desmistificar precisamente uma série de barbaridades que se dizem por ai sem qualquer fundamento científico (e muitas vezes, abusivamente, dizendo que têm).

Por exemplo, se leres o artigo sobre acupuntura (http://www.quackwatch.org/01QuackeryRelatedTopics/acu.html), vais ver a diferença entre usar o método científico para analisar as coisas e usar simplesmente o misticismo. Tens nele referências a artigos científicos (que sairam em revistas médicas e outras), que poderás verificar tu mesmo e tendo acesso aos estudos, ver se os mesmos foram correctamente executados ou não. Até podes tu próprio, se fores um investigador na área, escrever um artigo a refutar os artigos que foram escritos e a explicar os erros que houve nos estudos efectuados anteriormente.

É claro que é possível que encontres artigos científicos que afirmam o oposto (que a acupuntura tem efeitos reais e positivos na saúde das pessoas, superiores a um mero placebo). Mas esse é um desafio que te deixo. ;)

Quando às substâncias, se de facto elas equivalem a medicamentos e não foram devidamente testadas deviam ser proibidas até ser provada a sua inocuidade/utilidade.

Se as substâncias não são medicamentos, ou seja, por mim podem ser de venda livre. Podes também ter o caso de as substãncias serem equivalentes a medicamentos, mas não sujeitos a receita médica. Nesse caso poderiam ser vendidos nos locais a que o governo e muito bem já deu autorização.

É tudo uma questão do que é a substância na realidade. Agora não se pode é querer os dois mundos, ou seja afirmar que é um medicamento e depois não estar sujeito a receita médica e às restrições a que são sujeitos os medicamentos.

Mas como recomendação final para reflexão sobre até que ponto se pode confiar nestes médodos deixo-te a conclusão do texto em causa:

"A study published in 2001 illustrates the absurdity of TCM practices. A 40-year-old woman with chronic back pain who visited seven acupuncturists during a two-week period was diagnosed with "Qi stagnation" by 6 of them, "blood stagnation" by 5 , "kidney Qi deficiency" by 2, "yin deficiency" by 1, and "liver Qi deficiency" by 1. The proposed treatments varied even more. Among the six who recorded their recommendations, the practitioners planned to use between 7 and 26 needles inserted into 4 to 16 specific "acupuncture points" in the back, leg, hand, and foot. Of 28 acupuncture points selected, only 4 (14%) were prescribed by two or more acupuncturists. [23] The study appears to have been designed to make the results as consistent as possible. All of the acupuncturists had been trained at a school of traditional Chinese medicine (TCM)."

aquele site é riciculo

Anónimo (não verificado) on Quarta, 01/03/2006 - 23:39

Miguel,
aquele site é simplesmente ridiculo. Eles nem se esforçam em parecer sérios. Puseram um pato como símbolo...
Têm a mesma atitude perante as medicinas alternativas que O JPM tem sobre o Islamismo.

Eu podia te dar centenas de provas de que o que eles dizem está errado. Mas prefiro mostrar-te a opinião dos verdadeiros especialistas.

A Organização Mundial de Saúde tem em Genebra um laboratório de Medicina Tradicional Chinesa. Eles explicam o que realmente se passou com os casos dos medicamentos que resultaram em intoxicamento por má utilização.

http://www.who.int/intellectualproperty/studies/Jia.pdf

Mas acho que tu já provaste o meu ponto de vista.
Tu próprio és incapaz de ter uma abordagem científica e vais dar todas as voltas para dizer que a MTC não é séria.
Chegaste àquele ponto em que o cepticísmo é uma religião.

Retrato de Miguel Duarte

O que será mesmo ridículo?

Miguel Duarte on Quinta, 02/03/2006 - 11:51

Hugo (ou anónimo),

Parece-me que a tua versão de seriedade é algo diferente da minha. Eles de facto ridicularizam uma série de ideias, simplesmente porque essas ideias são crenças que se pretendem assumir como sérias mas nada o fazem para o ser em termos práticos.

"Eu podia te dar centenas de provas de que o que eles dizem está errado. Mas prefiro mostrar-te a opinião dos verdadeiros especialistas.
A Organização Mundial de Saúde tem em Genebra um laboratório de Medicina Tradicional Chinesa. Eles explicam o que realmente se passou com os casos dos medicamentos que resultaram em intoxicamento por má utilização.
http://www.who.int/intellectualproperty/studies/Jia.pdf"

Por exemplo, tu, enviaste-me um documento que não pode ser considerado sério, pelo menos se for apresentado como defesa da MTC. Primeiro porque desconheço o autor, ninguém dá sequer a cara pelo documento (sei apenas que está hospedado no site da OMS, o que só por si não quer dizer nada), segundo porque o documento é feito para abordar questões relacionadas com a defesa da propriedade intelectual e não para defender a veracidade da MTC propriamente dita, terceiro porque não vejo em nenhum lugar no documento a tentativa de provar o quer que seja (desafio-te a procurares no documento quaisquer hipóteses, experiências controladas e a respectiva prova de eficácia relativamente à MTC), em quarto lugar, em nenhum lugar no documento vejo referências a artigos científicos que me inspirem confiança, apenas a documentos do governo Chinês e instituições relacionadas. Aliás, o referido documento, cheira-me, foi produzido mesmo pelo governo Chinês com o objectivo de promover precisamente a MTC e a possibilidade de patentear estes medicamentos.

"Mas acho que tu já provaste o meu ponto de vista.
Tu próprio és incapaz de ter uma abordagem científica e vais dar todas as voltas para dizer que a MTC não é séria.
Chegaste àquele ponto em que o cepticísmo é uma religião."

Uma abordagem científica, para provar o quer que seja, implica a formulação de hipóteses e a prova de que essas hipóteses são verdadeiras, em ambientes de testes controlados que podem ser replicados noutro local por outros investigadores.

O desafio mantém-se. Indica-me artigos/estudos feitos com base no método científico, publicados em revistas sérias na área da medicina, que apontem no sentido de os resultados da MTC (se é este o teu foco), sejam superiores ao de um mero placebo. Atenção que referências na Internet a dizer que a OMS defende isto ou aquilo não servem, pois não existe nada no site da OMS explicitamente a referir isso e mesmo que existisse, esta tinha também que provar o que diz mediante a publicação dos estudos e respectivos dados.

Eu indiquei-te um artigo que indica vários estudos que apontam precisamente o contrário. E alguns até tu podes replicar em Portugal. Por exemplo, para colocares à prova o último que te referi, basta visitares vários médicos de MTC e pedires para que eles te examinem e digam as tuas doenças. No mínimo, se estiverem de acordo, revela existir pelo menos uma metodologia por detrás da coisa, se não tiverem pontos em comum, revela que nem metodologia existe.

Quanto a ser céptico é verdade. Mas para mim o cepticismo é uma coisa boa. Nós temos sempre que ser desconfiados relativamente ao que nos apresentam como sendo verdades, pois existem por aí muitas “verdades” que são puro charlatanismo. Aliás, tu estás a ser céptico ao contrário ao não assumires que algo em que acreditas pode até não ser verdade.

Mas a parte positiva do cepticismo é que estou aberto sempre a que me provem as coisas, agora, as provas têm que ser com método. Não é apenas porque alguém diz que sentiu ou viu isto, ou que a sua experiência lhe diz isto, ou ainda que alguém há 2000 anos já fazia isto.

Em ciência, felizmente, as coisas estão sempre em aberto, desde que sejam descobertas novas provas ou questões contraditórias em algo que já se pensava provado. Nas crenças geralmente é o contrário, dá-se tudo como fechado e como absoluto, e nem se admite que se questione as coisas.

Finalmente, eu não disse que o MTC não funcionava. Antes de termos esta discussão nem sequer tinha reflectido sobre a questão. Apenas apontei artigos nos quais posso confiar que o desacreditam. Não encontrei artigos no sentido oposto, nem me foste capaz de dar nenhum artigo com as características necessárias para ser considerado um estudo científico que indiciasse o oposto. Ou seja, eu após ter esta discussão contigo estou neste momento com uma má imagem relativamente ao MTC, pois precisamente ainda não vi nada que me indique que o mesmo é mais efectivo que a medicina "normal", ou mesmo, apenas mais efectivo que um mero placebo.

testes

Hugo F Garcia (não verificado) on Quinta, 02/03/2006 - 17:31

Uma ciência holística nunca poderá ser testada da mesma forma que uma ciência que isola os vários orgãos, patologias e terapias.
Isto porque, na MTC, para analisares um factor tens de ter em consideração todos os outros.

Mas para que possas tu próprio testar e ao mesmo tempo entenderes o limite dos testes dou-te um exemplo:

patologia indicada como insufuciência dos pulmões:

-indicadores: mancha escura na zona branca dos olhos; dor no metatarso em ambos os pés; sensação constante de cansaço; necessidade de dormir mais de 9 ou 10 horas por dia, incapacidade de fazer muito desporto. Este diagnóstico ainda pode/ deve ser reforçado por outros métodos como o dos pulsos.

-Terapia directa: estimular através da agulha um ponto de tonificação no meridiano dos pulmões. pressionar a zona do metatarso nos pés até que deixe de doer.

-Limites da terapia:
Esta terapia apenas funcionará quando o desequilíbrio se realçar apenas no elemento do pulmão.
Se existir um excesso de actividade do coração ou deficiência no estomago então é necessário adoptar outras soluções.

Uma amiga minha licenciada em Medicina pelo Hospital Santa Maria confirmava-me que na medicina convencional quando resolves um problema afectas outro. Isto porque os testes são feitos orgão a orgão e patologia a patologia.

Na medicina chinesa simplesmente não é possível medir dessa forma.
Ontem, assim que coloquei um destes comentários começou por coincidencia um programa no discovery channel que tentava medir o efeito de um terapeuta do QiGong ( o tal das religiões) e as únicas medições que foram possíveis foram através de aparelhos elétricos. Eles mediram a resistência elétrica antes e depois.
Disseram ser claro que houve uma afectação na condução elétrica do corpo, mas ainda assim era impossível saber se era significativo. A paciente ficou a sentir-se muito melhor, mas naturalmente isso poderia ser o mesmo efeito placebo.

Portanto existem apenas três testes realmente completos:
1º estudares medicina chinesa para ver se funciona como um todo.

2º entrares doente e saires curado. Se testares em 200 pessoas que entram doentes e apenas 100 são sujeitas a terapias, então poderás comparar umas com as outras.

3ª ires a vários terapeutas, pedires diagnósticos completos e verás que te dizem coisas iguais. Eventualmente apanharás um charlatão que te dirá uma treta qualquer. E isto era uma coisa que lá no site diziam que era mentira. Mas este teste já eu o fiz.

Mas se tu fores simplesmente a uma consulta o terapeuta irá dizer-te tanto sobre ti que imediatamente irás perceber que ele realmente tem capacidades de diagnóstico desconhecidas da medicina convencional.
Na verdade a maioria das pessoas que vai pela primeira vez a uma consulta começa por dizer: " eu não sei se acredito nisto" e passado umas consultas passa a dizer " foi graças à MTC que ...".
Serão todos parvos ?

Eu próprio faço muitos testes com os meus alunos. Uma brincadeira que costumo fazer é adivinhar se têm dificuldade para adormecer. Existe um ponto no pé, conhecido como ponto do sono, que ao pressionar vai doer nas pessoas que têm essa dificuldade.

Se quiseres um dia combinamos em tua casa, lavas bem os pézinhos e eu faço-te o teste a ti e a quem tu quiseres. Arranjas uns 30 colaboradores (os que couberem em tua casa), não lhes explicas o que está a ser feito e tu próprio poderás ver as reacções.

Retrato de Miguel Duarte

Testando a MTC

Miguel Duarte on Quinta, 02/03/2006 - 18:21

"patologia indicada como insufuciência dos pulmões:

-indicadores: mancha escura na zona branca dos olhos; dor no metatarso em ambos os pés; sensação constante de cansaço; necessidade de dormir mais de 9 ou 10 horas por dia, incapacidade de fazer muito desporto. Este diagnóstico ainda pode/ deve ser reforçado por outros métodos como o dos pulsos."

Mas se isso é uma forma de identificar uma patologia, então é testável, não é verdade? ;) Pegas numas centenas de pessoas com problemas pulmonares e verificas se os sintomas que estás a descrever correspondem à doença. E já agora, também tentas pegar em algumas centenas de pessoas com esses sintomas e verificar se têm problemas pulmonares. Depois é simplesmente uma questão de estatística.

"-Terapia directa: estimular através da agulha um ponto de tonificação no meridiano dos pulmões. pressionar a zona do metatarso nos pés até que deixe de doer."

Agora pegas nas pessoas com problemas pulmonares e divides em pelo menos dois grupos. Num fazes uma terapia que não é a que estás a referir (mas que psicológicamente tenha o mesmo efeito, o doente não pode saber que é a metodologia errada) e noutra fazes a terapia que estás a referir. Se o grupo com a metodologia correcta apresentar estatísticamente melhores resultados que o grupo sujeito a um mero efeito placebo, então, quer dizer que a terapia que estás a aplicar funciona, caso contrário não funciona. ;)

Depois, se funcionar, surgem uma série de problemas de investigação interessantes, como descobrir porquê os sintomas referidos (qual a ligação com o problema pulmonar) e o que de facto afectam as agulhinhas que provocaram a resolução do problema.

"Uma amiga minha licenciada em Medicina pelo Hospital Santa Maria confirmava-me que na medicina convencional quando resolves um problema afectas outro. Isto porque os testes são feitos orgão a orgão e patologia a patologia."

Claro. Mas se fores um bom médico sabes que um remédio vai desequilibrar algo e aplicar outra coisa para tentar manter o equilíbrio. Mas também, como é evidente, há limites para tudo. No entanto os remédios que tens nas farmácias são precisamente uma tentativa de limitar os efeitos secundários. É por isso que se usam apenas princípios activos e não ervas no seu conjunto, para reduzir os efeitos secundários.

"1º estudares medicina chinesa para ver se funciona como um todo."

Nunca poderá ser como um todo, terás que a estudar ervinha a ervinha e terapia a terapia. Pois como em todas as medicinas tradicionais, provavelmente vais encontrar coisas que funcionam e outras que não funcionam.

"2º entrares doente e saires curado. Se testares em 200 pessoas que entram doentes e apenas 100 são sujeitas a terapias, então poderás comparar umas com as outras."

Não basta a cura (efectivo, além do efeito placebo). Também tem que se perceber a taxa de cura (para comparar com outros métodos) e eventuais efeitos secundários.

"3ª ires a vários terapeutas, pedires diagnósticos completos e verás que te dizem coisas iguais. Eventualmente apanharás um charlatão que te dirá uma treta qualquer. E isto era uma coisa que lá no site diziam que era mentira. Mas este teste já eu o fiz."

Se eles disseram a mesma coisa, significa que têm um método, o que já não é mau. Mas não necessáriamente que têm razão. ;)

"Eu próprio faço muitos testes com os meus alunos. Uma brincadeira que costumo fazer é adivinhar se têm dificuldade para adormecer. Existe um ponto no pé, conhecido como ponto do sono, que ao pressionar vai doer nas pessoas que têm essa dificuldade."

Esses testes são um pouco dúbios. Como é que avalias se as pessoas de facto têm dificuldade a adormecer? É que infelizmente a mente humana é demasiado propensa a ser induzida. Nada te diz que o aluno que admitiu ter problemas de sono, de facto tem. E até tu podes enganar-te a ti mesmo em muitas situações.

Sugiro-te um teste melhor. ;) Pede aos alunos, antes de explicares o que vais fazer, para colocarem num envelope se têm problemas de sono e para o fecharem. Depois faz o teu teste e aluno a aluno diz se têm problemas de sono ou não comparando com os resultados que escreveram no envelope (preferencialmente, deverias anotar as coisas num papel e só no fim dizer, para não influenciares as pessoas e eleas te influenciarem a ti). Também só podes fazer isto, claro está, com pessoas que não conheces à partida.

Nem te peço que acertes em todos para me demonstrares que o método é relativamente fiável. Apenas estatísticamente tens que obter uma boa correlação entre o que tu dizes e o que eles escreveram no papelinho.

Depois é claro, se se provar que tu tens razão, fica uma questão interessante: qual é a ligação entre o dedo do pé e a falta de sono das pessoas. :)

Retrato de Miguel Duarte

Actualização

Miguel Duarte on Quinta, 02/03/2006 - 17:30

Afinal os estudos existem:

http://www.who.int/medicinedocs/collect/edmweb/pdf/s4926e/s4926e.pdf

Este documento já parece razoavelmente bem feito. Aconselhava-te a leitura. Explica as limitações dos estudos que foram efectuados, as doenças em que já existem provas suficientes e aquelas doenças onde é necessária mais investigação.

Ou seja, e agora voltando ao assunto inicial, provando-se que os estudos estão de facto bem feitos, eu concordava que o Estado até financiasse:

1. Diseases, symptoms or conditions for which acupuncture has been proved—through controlled trials—to be an effective treatment;

Aceitaria dedução nos impostos para:

2. Diseases, symptoms or conditions for which the therapeutic effect of acupuncture has been shown but for which further proof is needed;

3. Diseases, symptoms or conditions for which there are only individual controlled trials reporting some therapeutic effects, but for which acupuncture is worth trying because treatment by conventional and other therapies is difficult;

4. Diseases, symptoms or conditions for which acupuncture may be tried provided the practitioner has special modern medical knowledge and adequate monitoring equipment.

Quando se fala em saúde tendecialmente gratuita (que é algo impossível devido ao envelhecimento da população) fala-se no sistema público. Se os médicos andam de Ferrari (e não conheço nenhum que ande), não é derivado aos seus salários do sistema público, mas sim à sua prática de medicina privada, que é perfeitamente aceitável numa economia liberal.

financiamento

Hugo F Garcia (não verificado) on Terça, 28/02/2006 - 15:43

Ferrari naturalmente é apenas um exemplo, mas mesmo esses já conheci.
E não são apenas dos privados.

O que eu quero é chamar a atenção para como está efectuado o equilíbrio entre os vários factores.
Os contribuintes pagam os cursos de medicina ( medida de esquerda que beneficia os medicos e prejudica os contribuintes), mas os médicos não têm qualquer compromisso de fazer trabalhos social (medida neo-liberal que beneficia os médicos e prejudica os pacientes), depois os serviços são comparticipados (medida de esquerda que beneficia os médicos e prejudica os contribuintes), mas os médicos podem fixar os valores que cobram (medida neo-liberal que beneficia os médicos e prejudica os pacientes/contribuintes). Com o tipo de comparticipação que existe os médicos são levados a subir os preços das suas consultas.
Resumindo, o médico sai sempre beneficiado e o cidadão prejudicado.

Tendo em consideração a falta de formados em medicina os preços dos serviços médico sobem ainda mais, sem traduzir esse custo em melhoria do serviço.

Já as medicinas alternativas, mesmo as que são aceites pela Organização Mundial de Saúde, são bloqueadas em Portugal. Tudo isto porque o lobby dos médicos... desculpem... a ordem dos médicos conta mentiras atrás de mentiras para eliminar a concorrência.

Por outro lado, temos ainda o apoio da industria farmaceutica que oferece viagens que chama de seminários. É apenas estranho que esses seminários tenham menos de 4 horas de trabalho numa viagem de 2 ou 3 dias.

O último comentário que recebi de um médico, quando lhe perguntei sobre a ética neste ponto foi:
" Mas Florenza é uma cidade tãaaaao linda"

Portanto, Miguel, eu acho que tem tudo a ver. Os contribuintes pagam a sua saúde várias vezes, mas nunca a recebem. Já os que deviam ser os "profissionais de honra" enriquecem mesmo quando são incompetentes. E desses eu conheço muitos.

Eu aceito medidas de esquerda ou medidas neo-liberais desde que conduzam a um melhor rácio de saúde/despesa seja ela pública ou privada. O sistema actual é que não aceito de forma nenhuma.

Retrato de Miguel Duarte

Chama-me então neoliberal ;)

Miguel Duarte on Terça, 28/02/2006 - 20:04

1. Quanto aos cursos de medicina, sim, deviam ser pagos à posteriori, quando os médicos começassem a trabalhar, mas penso que nisso estamos de acordo.

2. Não me cheira que seja muito liberal obrigar as pessoas a fazer trabalho social, nem fixar valores que os médicos cobram. O equilibrio entre a oferta e a procura é um mecanismo da economia de mercado e que também funciona neste mercado. Quando muito tens um problema de falta de médicos, muito fácil de resolver: reconhecer cursos de medicina estrangeiros e dar a médicos estrangeiros vistos para trabalhar em Portugal. A médio/longo prazo, simplesmente, abrir mais vagas nas faculdades de medicina (ou autorizar os privados a abrir cursos nesta área).

3. Quanto às medicinas alternativas, muito sinceramente, não têm nada que ser financiadas pelo bolso dos contribuintes. Elas são alternativas porque não se baseiam no método científico, logo, são de efectividade duvidosa (ou inferior à medicina normal). No dia em que consigam provar que são efectivas, passam a ser medicina tradicional. Ou seja, não devem ser proibidas (e não o são), mas daí a ser financiadas pelo Estado parece-me muito mal.

4. Quanto ao sistema actual, de facto também o mudava. Optava por ter o Estado a financiar a saúde, quer esta fosse privada ou pública. Ou seja, tu pura e simplesmente escolhias o hospital/médico onde querias ir, podendo mesmo ires para o estrangeiro (ex: Índia), onde determinadas operações despendiosas são feitas com qualidade e bastante mais baratas. O estado funcionaria como um segurador, que oferecia um seguro de saúde aos cidadãos mais desfavorecidos que não tinham dinheiro para pagar esse seguro.

Miguel,

Hugo F Garcia (não verificado) on Quarta, 01/03/2006 - 00:54

Miguel,

1-não era uma crítica ao neo-liberalismo. Já discutimos este ponto e apesar de não concordarmos a 100% temos bastante pontos em comum. E é demasiado complexo para discutirmos isso agora.

2- Eu não disse que queria obrigar as pessoas a fazer trabalho social e realmente não é trabalho social. O que eu disse é que prefiro o sistema mais liberais ou o sistema mais de esquerda ao sistema actual. Mas acho muito justo que se pague o curso fazendo trabalho social (muito diferente de obrigar ;) ). E os licenciados teriam sempre a hipótese de pagar em vez de trabalhar. Isto para aqueles que conseguem bons empregos.

3- Miguel, desculpa mas sobre medicinas alternativas não sabes nada. Isto não é uma ofensa. Por exemplo sobre ambiente tu sabes muito mais do que eu.
A medicina tradicional chinesa é reconhecida pela Organização Mundial de Saude. A OMS é a DEUSA dos médicos. O que a OMS diz os médicos seguem escrupulosamente.
Não estou propriamente a falar de esoterismos, mas sim de práticas reconhecidas.
No Hospital Santa Maria Médicos e Dentistas aprendem medicina tradicional chinesa (mas altamente deturpada e simplificada).
E existem bloqueios ridículos que não te passam pela cabeça. Por exemplo, existe uma regra que diz que terapeutas apenas podem vender produtos naturais, não podendo vender medicamentos. Aos olhos da lei medicamentos são todos os produtos tratados em laboratorio e por lei todos os produtos transformados com fins terapeuticos ddevem ser em laboratorios. Resultado, os terapeutas só podem vender chás. Produtos tão basicos como extrato de propolis, cremes à base de ervas e outras "mezinhas" de efeitos reconhecidos só podem ser vendidos em farmácias.
E eu não estou a defender que o estado contribua para as medicinas alternativas. Apenas que aquelas que são cientificamente comprovadas que possam descontar como despesas de saúde para efeitos de IRS.

4- Sim, defendo um modelo dentro desses moldes, mas não te estou a dar novidade nenhuma ;)

Retrato de Miguel Duarte

Questões

Miguel Duarte on Quarta, 01/03/2006 - 08:27

"Produtos tão basicos como extrato de propolis, cremes à base de ervas e outras "mezinhas" de efeitos reconhecidos só podem ser vendidos em farmácias.
E eu não estou a defender que o estado contribua para as medicinas alternativas. Apenas que aquelas que são cientificamente comprovadas que possam descontar como despesas de saúde para efeitos de IRS."

Hugo, se os cremes e ervas têm efeitos significativos, comparáveis a medicamentos "normais", concordo que só possam ser vendidos em farmácias, por forma a que sejam sujeitos ao mínimo de controlo, até porque a produção de qualquer medicamento com efeitos "significativos" na saúde das pessoas tem exactamente que ser sujeita a controlo. Se não os têm, equiparando-se os seus efeitos a simples chás, então podem ser vendidos em qualquer lado.

Se o médico os receitar, concordo que possam ser descontados no IRS, mesmo que só tenham efeito placebo.

Agora, a forma como os medicamentos funcionam é por "princípios activos", ou seja, os medicamentos tentam apenas incluir, nas doses adequadas, as substâncias que fazem efeito para uma doença em particular. Exemplo, para a Aspirina, utiliza-se uma substância que dá pelo nome de "Ácido Acetil Salicílico". Se as substâncias incluídas nos medicamentos das ditas medicinas alternativas tivessem efeitos comprovados, de uma forma geral, já tinham (ou já foram), incluídas nos medicamentos ditos "normais", com muito menos efeitos secundários. Porque enquanto uma erva, ou combinação de ervas, tem n substâncias com efeitos secundários que são desconhecidos e que podem interagir entre si, já um medicamento "normal" tem apenas as substâncias que fazem de facto efeito.

Com isto não quero dizer que não existam por aí ainda ervas com efeitos interessantes em termos de saúde humana e que são ainda desconhecidas da medicina. Devem existir muitas. Mas os próprios laboratórios andam constantemente em busca dessas ervas. Muita da pesquisa que se faz (e que se fez no passado), consiste precisamente em olhar para a medicina de povos indígenas e perceber que substâncias eles usam, tentanto posteriormente perceber quais os princípios activos dessas substâncias, por forma a produzir-se medicamentos seguros e com o mínimo de efeitos secundários possíveis.

Para teres uma ideia, muitos medicamentos hoje em dia são testados em 40.000 ou 50.000 pessoas antes de chegar ao mercado e demoram anos até aí chegarem. Para serem comercializados têm que mostrar que têm um efeito curativo estatistícamente significativo, não apenas um efeito placebo (e é neste ponto que muitas vezes essas "mezinhas" falham) e que os efeitos secundários são conhecidos e aceitáveis.

A medicina alternativa, é exactamente alternativa, porque basicamente não foi submetida ao testes que o método científico exige, recorrendo-se de explicações ligadas com supostas "energias" ou o que mais que nada têm de científico (pelo menos à luz da ciência actual). Se em vez disso utilizassem a estatística e testes neutros, teriam muito ganhar. Outros estudos ditos científicos, sobre a homeopatia, por exemplo, estavam tão cheios de erros e inexactidões que acabaram por ser considerados inválidos.

Lê este artigo para perceberes a história toda:

http://www.quackwatch.org/01QuackeryRelatedTopics/altpsych.html

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