Retrato de Luís Lavoura

A edição do The Economist desta semana exibe-se (na sua capa) pesarosa por, logo quando a economia mundial estava a começar a recuperar tão bem, o preço do petróleo subir sem parar.

 

Mas isto nada tem de surpreendente. De facto, este comportamento do preço do petróleo (o qual já estava a subir mesmo antes das recentes turbulências em países árabes) é totalmente previsível: o estado da economia mundial e o preço do petróleo encontram-se atualmente acoplados. Se a economia mundial começa a acelerar, logo a procura de petróleo aumenta para níveis insustentáveis, e o preço do petróleo aumenta até fazer a procura de petróleo e, com ela, o dinamismo económico, decrescerem.

 

Trata-se de uma aplicação prática da Lei da Oferta e da Procura, nada mais.

 

Há que compreender que a produção mundial de petróleo está nos limites - estamos no peak oil, o estado de produção máxima de petróleo a nível mundial, se é que (hipótese mais provável) não o ultrapassámos mesmo já. A partir daqui, qualquer crescimento económico que exija maior consumo de petróleo vai imediatamente esbarrar na finitude desse recurso. A única maneira de fazer o preço do petróleo baixar é, hoje em dia, diminuir o seu consumo. O que, numa economia viciada em transportes como a atual, implica diminuir a mobilidade de pessoas e bens.

 

É duro, mas inelutável.

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