Lê-se e não se acredita. Hoje, pelo menos no Público.
Parece foi aprovado o «Programa Nacional de Alterações Climáticas» que entre outras pérolas, nos brinda com várias medidas sábias. Informa-nos o Público que:
«O Governo pretende reduzir a circulação semanal de táxis nas cidades de sete para seis dias, com o objectivo de fazer baixar as emissões de dióxido de carbono.»
«o presidente da Antral "está contra"». Diz que «Não há nenhuma indústria neste país que seja obrigada a parar». Por acaso até há, mas não devia.
«também a redução da velocidade média nas auto-estradas de 120 para 118 quilómetros por hora». Risível, no mínimo.
Mas vamos à fonte. O PNAC 2006 diz:
O Conselho de Ministros determina que «para cada medida apresentada no PNAC, o ministério proponente apresente, até 15 de Setembro de 2006, um plano de actuação» (fonte: PNAC 2006)
Nesse mesmo documento, há várias medidas relacionadas sobretudo com:
Produção eólica, eficiência energética na produção de electricidade, nos edifícios, nos tranportes (incluindo o abate de veículos em fim de vida). A água quente solar, a extensão do metro de Lisboa, do sul do Tejo, do Porto, e o metro ligeiro do Mondego. Ampliação da frota a gás natural (Carris e STCP) e mais umas directivas (UE) sobre controlo ambiental, embalagens e aterros.
Mas algures no meio, aparece-nos:
«MRt9- Redução das Velocidades Praticadas em auto-estradas (AE) interurbanas -- Redução da velocidade média de circulação em AE para 118 km/h.»
Atenção, velocidade média, não limite de velocidade. Gostava de saber como é que os sapientes governantes pensam reduzir a velocidade média nas auto-estradas. Não vão concerteza alterar os traçados, não vão colocar lombas, não vão instalar limitadores de velocidade nos "veículos automóveis". Será que vão ceder ao facilitismo proibicionista de lançar um decreto que simplesmente proíba algo? Será que teremos tamanha ingenuidade neste governo? No tempo do senhor Lopes, apostaria que sim, neste espero para ver. Apesar de tudo, tenho ainda alguma fé no pragmatismo que julgo existir neste executivo. Vamos ver.
Nem de propósito, a medida seguinte é:
Directiva de Biocombustíveis - Introdução de biocombustíveis no modo rodoviário - 2010: 5,75%
Ou seja, introduzir até 2010 o biodiesel (ou o bioetanol, mas suspeito que quase só o primeiro) em 5,75%, nos combustíveis de venda normal. Mais tímido que isto, não sei como. Esta timidez contrasta com o arrojo da anterior.
Isto era na parte das medidas "normais" que se revelaram insuficientes. Tem lá um gráfico que mostra porquê, mas estou sem tempo para o deixar aqui.
Na parte das políticas e medidas adicionais, vêm algumas que não deveriam ser adicionais (mais eficiência energética, cogeração, incentivos e penalizações fiscais, redução da utilização do fuelóleo nas centrais termoeléctricas, etc) a par do outro desconchavo citado na imprensa:
«Redução dos dias de serviço dos táxis. Máximo de seis dias de serviço por semana, até 2010.» E nas observações diz: «Cerca de dois terços dos táxis já opera menos que sete dias semanais». Lê-se e não se acredita.
Ou, seja, proíbe-se os poucos que o fazem de o fazer. Consequências? As pessoas transportar-se-ão de outro modo qualquer. E como o próprio governo prevê aumentar a eficiência energética, bem como reduzir a poluição dos táxis, o mais provável é que o meio escolhido pelas pessoas para se deslocarem no dia em que for proibido os taxis trabalharem, seja mais poluente e ineficiente.
Não é de mim, pois não?













E reduzir as emissões?
Filipe Melo Sousa on Terça, 05/09/2006 - 09:37Nem uma palavra sobre a energia nuclear. Até quando nos vamos recusar a encarar a realidade?
Alguém acredita que o biodiesel vai ser a salvação? Infelizmente, se um dia quisermos fazer rodar Portugal a biodiesel, precisaríamos de uma área cultivável do tamanho da que dispõe a Argentina.
Quanto ao pouco que poderemos produzir, o custo de produção do mesmo, mantendo uma carga fiscal idêntica significaria atestar o depósito a 5 € o litro.
Claro que quando se trata de 5,75% do teor, temos apenas 5,75% do malefício. Não seria 0% preferível?
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