Qualquer economista político depara-se principalmente com a seguinte pergunta: Como conjugar aumento do total da riqueza com distribuição da riqueza?

Este dilema também conhecido como conflito eficiência/ equidade já deu para escrever uma série de livros sobre como promover um ou outro, mas na verdade a sua matriz é bastante simples de entender. Algumas políticas económicas conduzem a maior crescimento da riqueza total da população, outras políticas económicas tendem para uma mehor distribuição dessa riqueza.

Se o leitor está a pensar neste momento que os neo-liberais inclinam-se mais para a eficiência enquanto os comunistas estão no extremo da equidade, então posso dizer que já percebeu o fundamental. Naturalmente a maioria das pessoas fica num ponto intermédio, mas geralmente não calculamos esse ponto intermédio de forma matemática ou lógica mas sim baseando-nos em conceitos abstractos de justiça e sociedade.

Para completarmos este puzzle vamos necessitar de mais três conceitos.
O primeiro é o de riqueza, que neste caso significa poder de compra. Ou seja, o indivíduo que ganha 5000 Euros por mês e não poupa nada é mais rico que um desempregado com poupanças de 15 000 Euros que não os pode gastar. Assim como é mais rico do que alguém que foi abandonado numa ilha deserta com uma fortuna nos braços.

O segundo é o de crescimento económico que é facilmente distinguível de riqueza ou desenvolvimento económico. Por exemplos, os novos países da União Europeia têm elevadas taxas de crescimento, mas são mais pobres que a maioria dos países da mesma. As políticas viradas para a eficiência refletem-se no crecimento económico e não no nível de riqueza, embora, acabe por conduzir a esse como é óbvio.

Por último falta acrescentar a noção de salário médio(em bens), que indica o nível de riqueza. Não nos diz se o país é desenvolvido em qualidade de vida ou Direitos Humanos, nem nos diz se existe justiça social. Apenas nos diz se existe riqueza. Para sabermos sobre a distribuição da riqueza teríamos de calcular o desvio padrão ou outra função semelhante.

Juntando tudo o que temos acima concluí-se que:
Para distribuir uma quantidade aceitável de riqueza primeiro é necessário ter um total aceitável da mesma.
Para se ter riqueza primeiro é necessário ter crescimento económico.
Para se ter crescimento económico são necessárias medidas orientadas para a eficiência.
Só depois de tudo isto, quando atingirmos um nível de riqueza ou salário médio elevado é que nos podemos focar em mais políticas de distribuição.

Pois bem - Portugal mantém o mesmo poder de compra de há 10 anos atrás. Temos um salário médio abaixo da Polónia (só por exemplo).

E ainda assim continuamos a ouvir que são necessárias mais políticas de distribuição?
Mas o que é que vai sobrar para distribuir?

"Portugal mantém o mesmo

Joao P (não verificado) on Sábado, 08/04/2006 - 10:35

"Portugal mantém o mesmo poder de compra de há 10 anos atrás."
Que dados tens para afirmar isto?

A distribuição da riqueza deve ser ao mesmo tempo uma consequência (da existência da mesma) e um princípio de acção - é uma questão de sensibilidade aos problemas humanos. O posicionamento no balanço eficiência/equidade é muitas vezes ditado pela maior ou menor sensibilidade à miséria humana.

Se formos estar à espera de ser um país rico para distribuir bem a riqueza, bem que podemos esperar deitados. A política tem de ser orientada para as pessoas todas, incluindo as que hoje vivem pior.

noticiários

Hugo Garcia on Sábado, 08/04/2006 - 14:08

Foi uma notícia que saiu há uns meses no telejornal

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