A historia resumida ate' agora. Cavaco Silva menciona que nao e' um politico profissional, sugerindo que Mario Soares o e'. Mario Soares desafia Cavaco Silva a explicar o que e' uma politico profissional e a provar que tb nao e' um, ja' que possui rendimentos devidos 'a actividade politica. Cavaco Silva recusa-se a responder e argumenta que toda a sua vida e' bem conhecida e que todos os seus rendimentos foram publicados numa edicao de Setembro do Publico.

O comportamento de Cavaco Silva parece-me correcto e adequado por varias razoes. Acima de tudo, nao entra em politiquices. Apesar de ter sido ele a iniciar a discussao, qdo o ouvi nao tive duvidas do que ele queria dizer: politico profissional e' a pessoa cuja principal actividade e', e sempre foi, a politica. Inclui, embora acabe por ser uma questao menor, rendimentos. Politico profissional e' aquele cujos rendimentos sao, na sua maior parte, derivados, directa ou indirectamente, da actividade politica.

Foi assim que entendi e nao percebo qual a discussao. Cavaco Silva e', e situa-se como tal, professor e economista e os seus rendimentos sao essencialmente devido a essas actividades. Mario Soares nunca fez mais nada (ao que sei) senao ser politico.

E dai? Onde esta' o problema? Se o proprio Mario Soares acha ofensivo ser chamado de politico profissional, o que e' que isto significa...?

De um ponto de vista pessoal, tb nao gostava de ser chamado de politico profissional. Mas isso sou eu...

Seja como for, acho bem que Cavaco Silva nao entre neste tipo de discussoes. Ha' coisas bem mais importantes para discutir do que o estatuto de politico profissional.

o BE e o PH sao os meus

Vitor Jesus on Sexta, 04/11/2005 - 08:22

o BE e o PH sao os meus case-studies (e um pouco o PND). O BE tem deputados; o PH teve 17000 votos nas ultimas eleicoes

como disse noutro sitio, nao acho que a pujanca destes partidos esteja nas ideias que veiculam. Acho que e' mesmo uma questao de proximidade e humanismo. Simplesmente, fazem politica de outra forma.

Acho que uma grande parte dos eleitores destes partidos nao vota realmente pelas ideias; vota na diferenca.

Penso que e' por ai que o MLS tem de ir. Alias, nao custa nada, basta sermos espontaneos e o mais "pessoas" possiveis. E' um bocado a logica da batata, mas 'as vezes esquecemo-nos de que estamos a dscutir e a representar pessoas tal como nos somos. Um politico nao tem de ser (nao deve!) um ser 'a parte.

Daqui resulta uma serie de consequencias. Por exmeplo, repudio por jogos de bastidores e por interesses mesquinhos e privados.

Calor humano, inteligencia, sentido pratico e sentido da res-publica. Sao os quatro valores que penso que devem guiar o MLS.

O problema é que analisadas

FV (não verificado) on Quinta, 03/11/2005 - 23:01

O problema é que analisadas bem as coisas, a abstenção ou o voto em branco são as escolhas que representam melhor a minha opinião. Cavaco, de entre todos os candidatos até pode ser o melhor, mas é o melhor para quê? O que é que ele vai fazer, ou melhor, o que é que ele pode fazer?
Acontece que tenho a crença, ingénua talvez, de que uma grande abstenção faria o país debruçar-se sobre as profundezas obscuras da presidência da república.
Toda a gente diz que os políticos são todos iguais, são todos uma porcaria, e estão sempre a mentir, mas quando chegam as eleições sentem a chantagem eleitoral do voto útil e acreditam profundamente num candidato qualquer. Pergunto, qual é o incentivo para a política mudar? Se a percentagem de abstenção fosse bastante grande, os políticos iriam querer buscar votos aos insatisfeitos, iriam querer mudar, no fundo.
Pode ser uma escolha condenada à inutilidade, mas no fundo é como votar num pequeno partido. Tem o um significado de utilidade semelhante às candidaturas de Louçã e de Jerónimo: divulgação.

acima de tudo, conteudo.

Vitor Jesus on Quinta, 03/11/2005 - 10:29

acima de tudo, conteudo. concordo plenamente.

alias, Sampaio irrita-me profundamente. Passa a vida a alertar para as coisas mais obvias e a chamar 'a atencao para o que toda a gente ja' sabe. Mas so' alerta. Nao propoe nada de concreto, nao regula nada, nao faz pressoes, ...

Exactamente para que serve um PR?

ou...

Exactamente, o que faz Sampaio durante o dia?

(Nao tenho nada contra Sampaio -- ate' tenho uma enorme simpatia por ele. Simplesmente e' o PR actual.)

FVO teu comentário é

João Pedro Moura (não verificado) on Quinta, 03/11/2005 - 09:05

FV
O teu comentário é bastante compreensível e correcto. É mesmo assim como tu dizes.
Mas, o cargo de presidente da república existe, quer queiramos quer não. Tem pouca ou nenhuma utilidade. Portanto, é dispensável. Mas existe. Logo, temos que nos pronunciar sobre o mesmo, votando naquele candidato que nos parecer o melhor, mesmo com as limitações inerentes ao cargo. Ao ter a faculdade de intervir politicamente e promulgar leis, o presidente é um interveniente na cena política, portanto, FV, é melhor reconsiderares a tua intenção "Assim não voto!"...
A alternativa é a abstenção ou o voto branco ou nulo, isto é, a alternativa é afirmar implicitamente que qualquer candidato serve... ou não serve...

Desde que começei a achar o

FV (não verificado) on Quarta, 02/11/2005 - 19:35

Desde que começei a achar o cargo de PR aqui em Portugal uma coisa de estranha utilidade e defendida por pretextos ainda mais dúbios que fiquei com pena de não ter prestado atenção à última campanha eleitoral, e com uma extrema curiosidade em relação a esta.
Ora desde que os candidatos começaram a falar que os meus piores pressentimentos começam a despoletar: não existe conteúdo. Ninguém fala sobre o que pretende fazer, ou qual o seu papel enquanto PR, e cada vez desconfio que qualquer que seja eleito vai fazer quase exactamente o mesmo, que é quase nada.
Outra coisa curiosa é a reacção dos comentadores aos discursos dos candidatos, não falam sobre o (não) conteúdo dos ditos, mas sobre a postura com que o fizeram, o modo como o disseram, "o ambiente", só se fala em conteúdo quando este não tem nada a ver com nada, como a "questão do político profissional".
Enfim, parece que estamos mesmo a escolher um tipo para fazer os costumeiros discursos doentiamente "correctos": é preciso inovação, é preciso cidadania, é preciso formação, bla, bla...(se este for o critério o poeta até não é mau candidato, é o que tem melhor dicção).
Assim não voto!

declaracoes de Mario

Vitor Jesus on Quarta, 02/11/2005 - 11:57

declaracoes de Mario Soares

“Acha normal que alguém que
foi durante dez anos primeiro-ministro
de Portugal (...), que
foi durante 12 anos presidente
do PSD e que se candidatou a
Presidente da República venha
dizer que não é um político profissional?”
MÁRIO SOARES
LUSA, 01-11-05

“Os portugueses conhecem toda
a minha vida. Fui investigador
da Fundação Gulbenkian.
Fui director do gabinete de
estudos de um banco. Fui
professor em muitas universidades.
Depois, interrompi a
minha actividade profissional
para ser primeiro-ministro.
(...) Todas as minhas pensões
e subvenções estão publicadas
no diário PÚBLICO.”
CAVACO SILVA
IBIDEM

Ou seja, estatisticamente:

- Mario Soares e' politico desde os 20 anos (?). Ou seja, tem 62 anos de carreira politica.

- Cavaco Silva foi primeiro-ministro ou presidente do PSD (12 anos) e candidato 'a PR (3 meses?). Da' uns 13 anos -- em que 10 foram efectivamente a exercer um cargo de governante. O resto e' vida civil.

- Mario Soares apenas tem rendimentos devido a cargos politicos e a fundacoes que apenas fazem sentido por ter o relevo politivo que tem (Marcelo Rebelo de Sousa dixit).

- Cavaco Silva tem rendimentos de primeiro-ministro, de docente e de cargos civis como Governador (?) do BP

Exactamente onde quer Mario Soares chegar?

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