Retrato de Luís Lavoura

Os autocarros da Carris fazem uma média horária de cerca de 14 quilómetros por hora, o que é baixíssimo.

Ao contrário de muitas pessoas, que se recusam terminantemente a viajar de autocarro, eu faço-o com alguma frequência. Tenho portanto bastante experiência pessoal sobre por que é que os autocarros circulam tão devagar.

Contrariamente àquilo que muitos dizem, os autocarros não são vagarosos devido ao excesso de tráfego automóvel nem devido ao estacionamento indevido. Eles são muito vagarosos mesmo em zonas onde ninguém está mal estacionado nem há muito trânsito.

A razão principal para a lentidão dos autocarros prende-se, de acordo com a minha experiência, com o excesso de paragens de autocarro. Em zonas movimentadas (de comércio, etc), os autocarros têm uma paragem, frequentemente, de 100 em 100 metros. Pura e simplesmente, os veículos, que até são potentes, nunca podem acelerar, porque estão permanentemente à espera da próxima paragem.

Os autocarros têm muitas paragens porque estão pensados para uma população idosa e, também, excessivamente comodista. Entende-se que as pessoas não devem ter que andar até à paragem de autocarro. A paragem tem sempre que ficar muito perto. Por isso, colocam-se muitas paragens. O autocarro, mal arranca de uma paragem, já está a travar para a seguinte, que fica 100 metros mais adiante.

Uma outra razão para a lentidão dos autocarros é o excesso de semáforos. Em Lisboa entende-se que todas as ruas têm igual prioridade, e que se pode sempre virar à esquerda em qualquer cruzamento, logo, todos os cruzamentos precisam de ser semaforizados. O resultado é que as grandes avenidas têm semáforos de 100 em 100 metros. Todas as ruas que entroncam numa avenida são protegidas por semáforos.

Seria importante, em termos ambientais, reduzir drasticamente o número de semáforos. As pessoas devem ser lives de avançar... por sua conta e risco, ou seja, exigindo-se-lhes prudência. A permissão de virar à esquerda precisa de ser muito limitada. As ruas secundárias devem ser entendidas como sendo de trânsito meramente local, logo, os carros que delas vêem não devem estar protegidos por semáforos.

Semáforos

Francisco Burnay (não verificado) on Quinta, 05/07/2007 - 20:23

Os semáforos podem ser bastante problemáticos, mesmo para transportes sem paragens. Fazer a João Crisóstomo entre as 7 e as 9 da manhã demora uma eternidade. Os semáforos abrem no sentido contrário ao trânsito. Com a inércia da massa de automóveis quando se chega ao próximo semáforo já ficou encarnado.

A minha experiência pessoal de transportes públicos diz-me que de facto os outros automóveis que circulam na via tornam o transporte muito mais lento.

Entre Belém e o Cais do Sodré, de autocarro, são 20 minutos até às 8 da manhã, sendo que o autocarro pára em praticamente todas as paragens. A partir das 8 demora 40 minutos.

Orografia

Pedro Pinheiro (não verificado) on Quinta, 05/07/2007 - 11:22

Outro dos grandes problemas de Lisboa é a sua orografia. Enquanto numa cidade como Londres andar 500 metros perfeitamente planos é agradável, em grande parte de Lisboa, mesmo que sejam pequenas inclinações de 2 ou 3% é muito mais penoso, para não falar nas zonas das colinas, em que o esforço de subir 50 metros é várias vezes superior ao de andar 500 metros com 0% de inclinação. Lisboa é uma cidade intrinsecamente complicada para transportes que não sejam "ponto a ponto".

Retrato de Luís Lavoura

Não tem nada a ver

Luís Lavoura on Quinta, 05/07/2007 - 11:35

O problema do excesso de paragens de autocarros nada tem a ver com a orografia. Há excesso de paragens de autocarros mesmo em zonas perfeitamente planas.

Por exemplo, um autocarro demora 10 minutos a percorrer a avenida de Roma, que é plana. O autocarro está sempre a parar: ora numa paragem, ora num semáforo. Há paragens na avenida de Roma de 150 em 150 metros. É de mais!

Concordo que a orografia de Lisboa é problemática, mas não é por causa dela que os autocarros ciculam devagar.

Luís Lavoura

Sentido único

Maurits van der... on Quinta, 05/07/2007 - 10:30

Na minha experiência, a possibilidade para virar a esquerda já é muito reduzida em Lisboa. Para acelerar o trânsito, acho que reduzir u numero de semáforos não vai ajudar, mas pelo contrário vai causar mais acidentes. A solução para tornar o transito mais rápido e também mais seguro, é cortar o trânsito parcialmente nos cruzamentos. Na zona das Avenidas Novas há bons (mas poucos) exemplos disso: a Avenida Visconde de Valmor, que travessa a Avenida República, a Rua Filipe Folque, que não entra na Avenida Duque d'Ávila, e talvez a melhor solução: ter muito mais ruas com sentido único, como as Avenidas Miguel Bombarda e João Cristósomo. Assim, os fluxos de trânsito ficariam muito mais simples, mais rápidas e mais seguras.

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Maurits é membro do MLS, D66, e LYMEC

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Sim

Luís Lavoura on Quinta, 05/07/2007 - 11:00

Concordo que os sentidos únicos deveriam ser muito mais frequentes em Lisboa. No Porto a maior parte das ruas (na zona central) é de sentido único, e isso facilita imenso as coisas (embora seja muito aborrecido para os automobilistas, que só podem entrar nar ruas por um dos lados).

Luís Lavoura

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