Retrato de Luís Lavoura

Foi ontem noticiada a contratação do ex-ministro Paulo Portas como consultor da empresa de construção civil Mota-Engil. Recorde-se que, já há muitos anos, um outro ex-ministro, Jorge Coelho, fôra contratado pela mesma empresa, na qual ainda hoje, segundo julgo, trabalha. Como é usual nestes casos - não somente em Portugal, mas também noutros países, por exemplo na Alemanha, onde a contratação do ex-primeiro-ministro Gerhard Schroeder pela empresa russa Gazprom foi muito criticada - levantaram-se vozes críticas.

Eu neste ponto tenho a seguinte opinião: os políticos são pessoas como as outras. Tal como as outras pessoas, têm o direito de arranjar um emprego no qual façam valer as capacidades e os contactos que adquiriram com a sua formação e, sobretudo, com a sua experiência de vida. Os políticos não podem e não devem, quando abandonam a política, ser condenados a ficar no desemprego o resto da vida. Ademais, não duvido de que tanto Paulo Portas como Jorge Coelho fazem bom trabalho para a Mota-Engil; não creio que a sua contratação seja uma forma de lhes pagar favores passados, acredito, sim, que o seu trabalho valerá bem à Mota-Engil o dinheiro que lhe custa o seu salário.

Não podemos esperar atrair pessoas válidas para a política se pretendemos que, após a carreira política, lhes seja vedada a contratação em bons empregos; e não é benéfico para ninguém que pessoas com talentos e experiência adquiridos os desperdicem por serem proibidos de trabalhar.

Felicito portanto a Mota-Engil pela sua nova contratação e espero que a experiência e o talento de Paulo Portas abram à Mota-Engil as portas para muitos e bons negócios.

 

Declaração de interesses: sou detentor de algumas, embora muito poucas, obrigações da Mota-Engil.

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