Os eleitores portugueses deram ontem mais uma convincente exibição do seu conservadorismo, ao reduzirem uma vez mais todos os partidos alternativos (isto é, os partidos "pequenos") a uma representação parlamentar nula.
Os portugueses foram nestas eleições confrontados pela primeira vez com dois novos partidos. Um deles (o MEP) exibiu uma organização estruturada e convincente e uma candidata conhecida e apelativa; o outro (o MMS) gastou dinheiro a rodos para se dar a conhecer, cobriu o país de cartazes e apresentou um programa eleitoral atraente, na base do "vamos todos passar a ganhar o mesmo que um luxemburguês".
Mas de nada serviu. Esses dois partidos, tal como todos os outros partidos alternativos, foram corridos a zero: o máximo que um deles (o MEP) conseguiu foram 50.000 votos e uma percentagem insuficiente para, até mesmo numas eleições legislativas, eleger um deputado.
Os portugueses mantêm assim um espetro partidário atípico (isto é uma expressão branda) e claramente a-europeu, sem representação nos terceiro (liberal) e quarto (verde) maiores grupos parlamentares europeus, compensada por uma representação reforçada num grupo parlamentar muito minoritário como é o comunista, e uma representação em duplicado (com dois partidos a ocupar o mesmo espaço político) no Partido Popular Europeu.
Isto mostra, em minha opinião, que não há volta a dar-lhe. Qualquer novo partido tem as pernas cortadas à nascença. Com a agravante que os grandes partidos estão, todos eles, dominados por uma clique de políticos profissionais, já com muitos anos de experiência e com clientelas de sustentação bem firmes, e que têm os respetivos partidos bem na sua mão, sem abertura, na prática, a ideias novas - as desventuras de Pedro Passos Coelho no PSD e de António Pires de Lima no CDS são bem demonstrativas disso.














A questão não está no
Igor Caldeira on Quinta, 11/06/2009 - 11:42A questão não está no conservadorismo.
Com aquela percentagem, o MEP elegia um deputado em Lisboa. E realmente o MEP era o mais consistente dos micropartidos. Ideologicamente está muito bem construído, se lermos a doutrina social da Igreja percebemos tudo quanto há para perceber do MEP.
Já o MMS, por mais marketing que tenham, falharam pela base, pelo conceito. O que é, o que defende, como se posiciona o MMS? Ninguém percebe muito bem. Pôr cartazes não basta. É preciso ter ideias e mais que ter ideias, ter alguma coerência.
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