Retrato de Luís Lavoura

O ministro do ensino superior, José Mariano Gago, tomou ontem, na sua entrevista televisiva na 2:, hoje publicada por escrito no jornal Público, uma posição muito determinada contra as "praxes académicas". É de saudar esta posição clara e inequívoca, que contrasta com tibiezas que já levam dezenas de anos.

No entanto, para que esta posição pessoal do ministro se traduza na prática, é preciso que ela se reflita na atuação concreta das autoridades do ensino superior, nomeadamente das direções das diversas escolas e universidades. E essa atuação está bloqueada pela dependência que essas autoridades têm, na generalidade, do voto do "corpo" dos estudantes para a sua manutenção no cargo.

As praxes só acabarão quando acabar a importância descabida que o "corpo" dos estudantes tem na eleição das autoridades académicas. É desejável, não só que essa importância descabida diminua, mas que de facto seja extinto todo o sistema corporativo no qual a governação das universidades está baseada.

A democracia não pode, neste como noutros casos, ser confundida com o corporativismo.

Retrato de Miguel Duarte

Assunto de Polícia

Miguel Duarte on Sexta, 11/11/2005 - 10:07

Para mim as praxes são simplesmente assunto de polícia. Ninguém pode ser obrigado a fazer algo contra a sua vontade. Tão simples quanto isso.

Quem fizer o quer que seja a outrém contra a sua vontade, deverá simplesmente passar uns dias na cadeia ou a trabalhar para a comunidade (tudo dependendo, como é evidente, da gravidade do que foi feito).

Acho incrivel como se

Vitor Jesus on Terça, 08/11/2005 - 14:43

Acho incrivel como se consegue complicar um problema tao simples. Para comecar, as autoridades do ensino superior nao tem nada que ver com as praxes. Depois, percebo que o ministro se envolva, mas, bem vistas as coisas, nao tem nada que ver com o ensino superior e muito menos com a ciencia e tecnologia. Continuando, ainda menos vejo que os estudantes estejam sobre-representados na esfera das universidades e, ainda menos, que seja essa a causa para os exageros.

Problema: exageros pontuais e esporadicos nas praxes
Gravidades: qdo acontece, alta
Quem se deve envolver: a comunidade estudantil, devidamente representada pelas associacoes academicas
Solucao: criar mecanismos de queixa, inquerito, responsabilidades

Ou seja, quem exagerar, ou vai direitinha queixa 'a policia e/ou vai queixa para as "autoridades" da praxe que sao, em ultima analise, as associacoes academicas.

Se ha' uma coisa importante, e' saber confinar devidamente os problemas. Isto e' um problema local, esporadico, e de mero bom-senso. Alias, a comunicacao social exagera q.b. nisto.

Eu estudei em Coimbra e vi coisas que tocavam o mau gosto, outras muito divertidas e criativas e outras ouvi que passaram muito das marcas. Mas qdo isto acontecia, a sociedade funcionava: havia conversas de cafe, havia uma certa censura social aos autores e uma certa proteccao 'as "vitimas".

Estamos aqui estamos a chamar o ministro da administracao interna pq um tipo me partiu o vidro do carro.

PS: Ha' historias graves sobre praxes e Coimbra tem muitas delas. Mas, ao que sei, em cada 10, 5 sao exageradas, 3 muito exageradas, 1 alucinada e 1 com algum fundamento.

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