Retrato de João Mendes

Há gente que acredita que ser homossexual é anormal e é "contra-natura", simplesmente porque pensam que a natureza humana não é definida pela natureza, mas sim pelos seus preconceitos.

Há gente que acredita que os homossexuais estão ligados necessariamente à pedofilia, simplesmente porque na cabeça delas eles são degenerados - isto inclui pensar que homossexuais do sexo masculino violentarem crianças do sexo feminino.

Há gente que acredita que os homossexuais estão ligados ao nazismo, e que o Partido Nazi era dominado por homossexuais, com base em livros escritos com base em preconceito, não em pesquisa séria.

Há gente que diz que a homossexualidade, por ser diferente da norma, por ser diferente do padrão, é uma doença mental que pode ser "curada", e pretendem sujeitar os homossexuais a, essencialmente, lavagens ao cérebro e terapias de alteração comportamental dignas de um qualquer regime totalitário.

Há gente que crê piamente que os homossexuais causam a derrocada do casamento heterossexual, vá-se lá saber porquê, e acham que o Estado deve impor a moralidade deles a todos.

Há gente que acha que a função primordial do ser humano é ter filhos e educá-los de acordo com uma doutrina rígida e inflexível, que condena quer acções quer o próprio pensamento, e acusa outros de terem tiques totalitários.

Há gente que pensa que o adultério deve ser punido criminalmente, e que é "permissivo" não o fazer.

Há gente preconceituosa, que usa expressões como "liberdade" para significar "fazer o que eu digo" e pluralismo para significar "pensar como eu penso", mas de forma a que os outros não notem as suas verdadeiras intenções.

Uma sociedade cujas leis se baseiam em preconceito não consegue ser uma sociedade livre, e por essa sociedade livre se batem os liberais. E baterão sempre.

Compete-nos a nós explicar que uma sociedade livre é uma sociedade de indivíduos, em que a minha liberdade é limitada pela liberdade dos outros, e em que não há intervenção senão quando a minha actuação causa dano a outrém.

Compete-nos a nós defender que uma sociedade plural é aquela em que a troca de ideias é feita de forma livre, e em que as opiniões podem ser as mais diversas.

Defenderemos sempre a liberdade de pensamento, de expressão, de associação... Defenderemos a liberdade de escolha que cada um tem sobre a sua própria vida e as suas próprias preferências.

Os "conservadores liberais" que andam por aí não são liberais coisa nenhuma. São conservadores que querem impor a sua moral aos outros, enquanto fingem defender um Estado pequeno. O Estado não é pequeno quando se expande por forma a impedir estilos de vida que esses mesmos conservadores consideram "degenerados" com base em preconceito.

Defender uma democracia liberal é defender uma sociedade livre, uma sociedade plural. É defender que haja debates sérios sobre os diversos temas políticos que surgem. O preconceito é um inimigo da sociedade livre, e é um inimigo da seriedade do debate político.

Não nos deixemos guiar pelo preconceito.

Defendamos o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

obrigado pela reposta. Um

duar (não verificado) on Domingo, 29/11/2009 - 17:48

obrigado pela reposta. Um liberal deve considerar ou ter muito em conta, a tradiçao ou costume,a longevidade ou a sua permanencia no tempo dumha lei é umha grande fonte de sabidoría e empirismo. Por elo qualquer mudança, máis numha norma ou costume milenaria debe ser muito pensada e razoavel. Nom existe discrmiñaçao na lei atual, a lei esta baseada no costume e experiencia, que regulamenta as bases ou normas mínimas que deve ter tal figura jurídica.O mesmo que pode estar regulamentado a acesso a umha funçao pública. Abrir a istituçao matrimonial a poligámia,homosexuais, ou a liberdade contratual, pode ser positivo, mas deve ser muito meditado. Portugal pode esperar como é o seu funcionamento na espanha ou holanda para aprova-lo e ver se lhe convém. As leis de parelhas de , facto podem e sao utilizadas pelo estado para impor um maior control social, qualquer liberal deve estar contra disso,vigiante.Nao estou contra a mudança da norma, só contra o uso do liberalismo para exigir ou reclamar mudanças, que podem ser defendidadas ou nao dentro do liberalismo.saúde

Retrato de João Mendes

Liberalismo

João Mendes on Terça, 01/12/2009 - 00:20

Bom, eu sou liberal e, pessoalmente, considero que uma sociedade liberal não discrimina com base puramente na tradição. Esta mudança enquadra-se perfeitamente no que eu defendo ser uma sociedade liberal, e eu portanto justifico-a também com base no liberalismo.

Nao é um preconceito,

duar (não verificado) on Terça, 24/11/2009 - 20:06

Nao é um preconceito, pensar que todos os conservadores-liberais, querem impor suas opinioes pela força?,É liberal defender a mudança dumha norma que basease numa tradiçao e costume milenaria?Nao é máis liberal a defesa do fim de tal contrato e deixa-lo ao livre albedrío da gente?O liberalismo nao é uma religao, podese se conservador e liberal. Nao podese ser socialista e liberal.saudaçoes

Retrato de João Mendes

Depende das

João Mendes on Quinta, 26/11/2009 - 23:29

Os "conservadores liberais" de que eu falo são conservadores que, chamando-se a si próprios liberais, defendem a manutenção de tradições por serem tradições. Isto para mim não me parece minimamente liberal, mas sim conservador. Nem todos serão assim, mas o artigo explica o tipo de mentalidade a que eu me refiro, e por isso mesmo é que coloquei "conservador liberal" entre aspas.

De qualquer forma, o regime do casamento civil não está a ser alterado pela força, está a ser alterado pelo Parlamento na base de propostas eleitorais sufragadas em eleições. E as pessoas sabiam em quem estavam a votar, porque era claro quem apoiava a medida e quem não apoiava.

Ninguém é forçado a casar-se, especialmente civilmente. Quem não se quiser casar até aliás tem o regime da união de facto, em Portugal. O casamento, enquanto contrato civil, é útil como "one stop shop" em que duas pessoas definem uma série de questões importantes no que toca à relação (jurídica) que mantêm entre si, p.ex. questões patrimoniais, sucessórias, etc, recebendo ainda alguns direitos que lhes permitem manter a sua relação (p.ex. alguma protecção contra despedimento por auxiliar o seu parceiro). Ou seja, as pessoas poderiam obter o mesmo efeito de outras formas, mas aqui têm um "default" que podem usar se o preferirem, o que tem vários benefícios para as pessoas.

No limite, o que eu diria era que quem se quisesse "casar" sem que existisse o contrato de casamento civil teria de definir a sua relação, juridicamente, de acordo com contratos (e testamentos). Ora, a mim não me choca muito que seja fornecido o tal "one stop shop" para quem o queira, um pacote jurídico de direitos e deveres "pré-preparado" que as pessoas livremente assumem ou não.

Não ao referendo

Hugo Garcia on Sexta, 20/11/2009 - 23:06

Também gostei muito deste artigo.

Mas tenho uma coisa a acrescentar.

O preconceito é um direito democrático. O que não é um direito é restringir uma liberdade individual baseado em preconceitos.

Daí que o referendo não é um direito, mas sim a falta de um.

Retrato de João Cardiga

gostei muito do artigo,

João Cardiga on Quarta, 18/11/2009 - 11:32

gostei muito do artigo, parabéns!

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