Retrato de Luís Lavoura

A Quercus divulga hoje um estudo segundo o qual as emissões de gases com efeito de estufa em Portugal aumentaram substancialmente durante o ano de 2005. A principal culpada foi a produção de eletricidade que, devido à seca, foi feita essencialmente em centrais térmicas, mediante a queima de combustíveis fósseis: gás natural (Carregado, Gondomar), fuelóleo (Setúbal), ou carvão (Abrantes). Pelo contrário, as emissões derivadas do transporte rodoviário diminuiram cerca de 2%, pois a alta dos preços dos carburantes conteve o consumo.

A pergunta que cabe fazer é, porque é que não se fez refletir também sobre o preço da eletricidade a elevação do preço do petróleo, o que teria certamente contido também as emissões derivadas da produção de eletricidade. As pessoas esforçaram-se por diminuir o seu consumo de carburantes rodoviários, dado que viram o seu preço a subir. Pelo contrário, uma vez que o preço da eletricidade não subiu, as pessoas não tiveram qualquer estímulo para diminuir o consumo dela.

De facto, a não subida do preço da eletricidade distorceu o mercado, em casos em que a eletricidade concorre com outras opções. Por exemplo, no aquecimento de uma casa pode-se usar um aquecedor elétrico, ou então a queima de gás natural ou gás de botija. O preço destes dois últimos aumentou substancialmente durante 2005, enquanto que o preço da eletricidade se manteve artificialmente constante. Houve pois uma distorção do mercado a favor da opção eletricidade - a qual é muito menos eficiente em termos energéticos, levando pois a maiores emissões de gases com efeito de estufa.

A política de fixação e não-oscilação do preço da eletricidade tem que acabar. O preço da eletricidade, tal como o de qualquer outo bem, deve oscilar livremente, de mês a mês, em função da situação de seca ou não seca e em função do preço dos combustíveis fósseis.

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