Segundo vi por aí nos blogues, o orçamento de Estado para 2010 da Irlanda prevê medidas drásticas para a contenção do deficit orçamental. Para além de cortes elevados nas despesas com a saúde e a educação, o orçamento prevê cortes nos salários dos funcionários públicos, cortes esses que irão de 10% para os salários mais baixos até 20% no caso do salário do primeiro-ministro.
Tal como referi no meu post de há poucos dias, penso que medidas análogas serão necessárias e, de facto, corretas em Portugal. Uma subida dos impostos teria, em grande medida, o efeito de aumentar ainda mais a fuga ao fisco, que desde o começo da crise já terá aumentado - as receitas fiscais caíram muito mais do que qualquer índice da atividade económica, o que sugere que grande parte do deficit orçamental é causado por uma acrescida fuga ao fisco. A solução passará pois inevitavelmente por um corte nas despesas do Estado, sendo que nesse corte um corte nos salários (e pensões) será crucial. Um tal corte nos salários do funcionalismo público poderá ser beneficamente aproveitado para uma diminuição das desigualdades sociais - que em Portugal são exageradas -, com cortes percentualmente superiores nos salários mais elevados.














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