Daqui (negritos meus):
"PSD e CDS preparam-se para criminalizar agora a mera desconformidade do património possuído por cada cidadão com as suas declarações fiscais, mesmo que este jamais tenha exercido funções públicas.
Não obstante a pena de prisão prevista ser "até três anos de prisão" (a mesma prevista no código penal para um prosaico crime de ofensas corporais simples), PSD e CDS fazem incluir este crime de desconformidade do património com as declarações fiscais na categoria de "criminalidade altamente organizada". Com esta incongruência jurídica ("altamente organizado", um crime que é punido até três anos e que pode ser praticado apenas pelo seu agente, sem concurso de mais ninguém?!), o legislador coloca assim ao dispor do MP um arsenal de instrumentos insidiosos de investigação verdadeiramente desproporcionados à medida da pena, tais como escutas telefónicas, buscas domiciliárias noturnas, etc.
Sim, leu bem: bastará um cidadão ser suspeito de ter um património superior em "cem salários mínimos" (euro48 500) ao que as suas declarações fiscais avalizariam, para poder vir a ser objeto de uma investigação criminal; e poder ser objeto das maiores devassas legais à sua privacidade. E não, não precisa para isso de ter alguma vez exercido funções públicas.
Diz o projeto de lei que competirá ao MP fazer a prova de todos os elementos do tipo deste crime. Sucede que esta suposta precaução é apenas redundante, pois é isso que ao MP já compete fazer em todos os crimes. Porém, aqui, o crime de enriquecimento ilícito, nos casos em que o arguido se remeta ao silêncio, preencher-se-á com a mera posse de um património incompatível com as declarações fiscais. É que a lei fala em património "sem origem lícita determinada". Assim, se o MP alegar que não logrou determinar a origem lícita do património do arguido "incompatível" com o que este declarou ao fisco (e estamos a falar de uma "incompatibilidade" de euro48 500), o silêncio do arguido acarretará a sua condenação, pois a consequência será chegarmos ao fim do julgamento "sem origem lícita determinada" do património. Para que tal não suceda, o arguido terá, pois, sempre de prescindir do seu direito ao silêncio para provar (ou, no mínimo, colocar em dúvida) a origem lícita do seu património... Ou seja, para ser punida como crime, aquela posse não terá de advir de um ilícito, que se teria de provar à semelhança dos demais elementos constitutivos dos tipos legais de crime, mas, ao contrário, bastar-se-á com um desconhecimento da sua natureza lícita. Eis, pois, um caso, o único do sistema penal, em que, do desconhecimento, resultará a condenação do arguido (!). Até os defensores a outrance desta proposta reconhecem que estamos aqui, no mínimo, perante uma redistribuição do ónus da prova: parte para o acusador, parte para o acusado (e isto é assim porque, ao contrário de todos os demais crimes, o que aqui se criminaliza não é uma conduta: o enriquecimento não é uma conduta, é o resultado de uma conduta). Ora, num Estado de direito é ao acusador que compete fazer toda a prova da prática do crime. A não ser assim, resultará inapelavelmente violado o princípio da presunção de inocência e, consequentemente, a Constituição.
São já os próprios alicerces do Estado de Direito democrático que, incautamente, PSD e CDS estão a demolir."














Ao que se chegou
Luís dos Santos (não verificado) on Quinta, 09/02/2012 - 20:16Não percebo como é que o PPC, homem que se apregoava simpatista do Liberalismo, se tornou neste político que promove um Governo que todos os dias aliena obrigações para com os seus cidadãos, não toma medidas visíveis de estímulo da Economia, aumenta impostos sem qualquer retorno (bem pelo contrário) e ocasionalmente sai-se com estes tiques autoritários/controladores que só conhecíamos ao CDS e que parecem do tempo da outra senhora.
Este país já não caminha para lado nenhum: reconhece-se que temos uma máquina estatal demasiado grande e burocrática, mas essa desculpa foi usada para cortar tudo o que não deveria e para pôr no poder alguém que está a fazer tudo ao contrário do que disse - isto se realmente é PPC que manda neste país, e não Relvas ou Gaspar. Assim é fácil compreender quando as pessoas dizem que não votam: este é mais um exemplo de tiro que nos saiu pela culatra!
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