
Já alguma vez pediram desculpa ao vosso agressor, quando assaltados na rua, de maneira a não fazer piorar a situação (obviamente para não se deixar esfaquear)? Já agradeceram alguma vez ao "arrumador" de carros pelo "serviço" (obviamente para não nos riscarem o carro)? O "cliente" finge que não é roubado, e o "fornecedor" finge que não rouba. O polícia finge que não vê, e apenas se preocupa em passar as multas assinaladas pela EMEL. Uma aparência de paz e ordem pública.
Estes casos são bem compreensíveis, pois perante uma arma apontada à cabeça mais nada há a fazer. O mais preocupante no entanto são as situações em que de facto existe a possibilidade de se proteger, e a vítima abstém-se. Infelizmente é um problema cultural no mundo ocidental. E podemos vê-lo na diplomacia de hoje. De um lado assistimos a uma diplomacia ocidental que cada vez mais se deixa intimidar perante um agressor cada vez mais hostil e empenhado no caminho da violência.
O melhor exemplo foi o episódio dos reféns ingleses tomados pelo regime Iraniano. O Irão está no topo da tabela mundial do que diz respeito ao patrocínio do terrorismo e e do totalitarismo religioso. A longo prazo, este regime hostil quer entrar em guerra com o ocidente. No vizinho Iraque é directamente responsável pela morte de tropas ocidentais, e também por um grande número de civis iraquianos. A agressão parte exclusivamente deste regime, e está convencido que Alá lhes confere o direito de matar e subjugar os outros povos. Adicionalmente, o Irão leva a cabo um programa de intimidação através do seu programa nuclear, chantageando e brincando com a diplomacia internacional. O Irão faz uso de tropas, tal o Hezzbollah para levar a cabo o seu trabalho sujo, e nega qualquer implicação. O ocidente diz que acredita. O Irão diz que não faz. A ONU apenas lamenta os "incidentes". Uma aparência de paz e ordem pública.
Recentemente, o Irão fez 15 reféns Ingleses, mal estes se aproximaram das águas Iranianas, e sem qualquer princípio moral exigiu um pedido de desculpas a troca da vida de inocentes à sua vítima, o governo Britânico. Em vez de ser firme na sua resposta, e fazer um ultimato ao Irão, e usar o legítimo uso da força para recuperar os seus soldados, a Inglaterra apenas manifestou o seu pesar e fez-se espectador deste infame episódio, recorrendo à diplomacia e às instituições pacifistas internacionais, que obviamente nada trouxeram à Inglaterra para resolver o seu problema.
Esta fraca resposta advém unicamente de um principio moral que mina a justiça no que diz respeito às relações internacionais: o altruísmo, e a proibição de um estado levar a cabo uma legítima resposta em sua defesa. O mesmo princípio que considera uma punição militar ao Irão ilegítima. Enquanto reinar uma filosofia de auto-culpabilização, e que a solução é curvar-se perante uma agressão numa resposta tímida e apaziguadora, estaremos a dar força ao nosso inimigo. Assistimos ao triste espectáculo das nações ocidentais curvarem-se perante o totalitarismo Iraniano e ao integrismo islâmico.
O Irão e os outros regimes imorais continuam a proliferar cada vez mais hostis e agressores, precisamente porque as nações boas e morais, que deveriam depor o regime Iraniano estão a curvar-se de maneira cobarde em gesto de desculpa.














Filipe Estou de acordo
Pedro José Félix (não verificado) on Quinta, 26/04/2007 - 23:00Filipe
Estou de acordo com a tua apreciação à actual situação internacional e ao actual presidente do Irão e respectiva política belicista de provocação ao Ocidente. No entanto, o caso do rapto do soldados ingleses creio que não se aplica a ideia da autoculpabilização. Isto porque a Inglaterra sozinha nunca teria capacidade para optar por uma decisão belicista. Cada vez mais as soberanias e as decisões da Defesa de cada um dos países estão submetidas a um contexto internacional. Por vários motivos ainda não ter chegado "a hora" de uma tomada de posição que não poderá ser unilateral (ao contrário da situação no Iraque que ainda assim contou com uma coligação internacional de múltiplos estados). Além disso o pagode e o teatro para inglês ver do rapto dos 15 soldados não passou um fait divers para a propaganda internacional e para passar a mensagem do "não tenho medo".
MAis cedo ou mais tarde ou será derrubado por uma coligação internacional ou serão os próprios iranianos a correr com ele. Preferia esta 2º hipótese.
Novamente a analogia não me parece que seja apta.
Filipe Brás Almeida (não verificado) on Quinta, 26/04/2007 - 21:23Quem disse que eu defendo o princípio de não-ingerência? (seja lá o que isso for.)
Para mais acho intelectualmente ofensivo, comparar o holocausto com a detenção ilegal de 15 soldados britânicos.
welcome
Filipe Melo Sousa on Quinta, 26/04/2007 - 20:14Não precisas de modo algum desculpar ou pedir desculpa por uma discordância. à parte a interpretação do modo de agir britânico, percebo perfeitamente que defendas o princípio de não-ingerência. Foi no entanto, o mesmo princípio que deixou 6 milhões de judeus à mercê do seu agressor
Desculpa, mas
Filipe Brás Almeida (não verificado) on Quinta, 26/04/2007 - 19:35Discordo total e absolutamente com a analogia e opinião expressa neste post de alto a baixo.
«O melhor exemplo foi o episódio dos reféns ingleses tomados pelo regime Iraniano.»
Em relação a quê muito concretamente? Qual foi a declaração, posição ou atitude tomada pelos Britânicos que se pode considerar um baixar de calças perante o Irão? Eu pessoalmente penso que foi admirável e louvável mesmo, a força e resolução que os Britânicos mantiveram em todo este processo.
«a Inglaterra apenas manifestou o seu pesar e fez-se espectador deste infame episódio, recorrendo à diplomacia e às instituições pacifistas internacionais, que obviamente nada trouxeram à Inglaterra para resolver o seu problema.»
Será que os 15 soldados não foram devolvidos mas sim degolados?
A não ser que estejamos a falar de uma realidade paralela, creio eu, que a Inglaterra resolveu o problema recorrendo precisamente à diplomacia intransigente mas reservada. Para não dizer nada em relação ao contexto regional em que o Irão actualmente se insere.
Se quiseres uma analogia com a situação do Irão: se imaginarmos que Portugal e França fossem invadidos pela Arábia Saudita, pondo a questão da condenabilidade à parte, não seria inexpectável, nem surpresa, que a Espanha fizesse demonstrações assertivas de poder e influência regional com os meios que tivesse à disposição.
É este o contexto actual do Irão sanduichado entre o Iraque e o Afghanistão. Qualquer iniciativa ou actividade diplomática ou de política estrangeira digna desse nome, tem que ter em ponderação as queixas e reivindicações dos outros, por mais absurdas ou desequilibradas que sejam.
«O Irão e os outros regimes imorais continuam a proliferar cada vez mais hostis e agressores, precisamente porque as nações boas e morais, que deveriam depor o regime Iraniano(...)»
Desculpa mas eu como cidadão de um desses regimes supostamente morais e de mãos atadas, considero que quem devia depor o regime Iraniano são os próprios Iranianos.
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