Retrato de Luís Lavoura

É mais que sabido que um dos grandes problemas com os incêndios florestais em Portugal é a existência desordenada de aldeias e, mesmo, de casas isoladas no meio da floresta. Invariavelmente, os bombeiros desistem de combater os fogos no meio da floresta, postam-se junto às aldeias ou casas isoladas e procuram protegê-las apenas a elas. A floresta é deixada arder.

Perante esta realidade, seria desejável que o Estado tivesse algumas políticas, tímidas que fossem, no sentido de incentivar as pessoas a abandonar as aldeias e irem viver para as vilas.

O fogo que recentemente queimou o "pinhal interior", e que destruiu bastantes casas e aldeias, poderia constituir uma oportunidade para implementar tal política. O Estado poderia decidir ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa, mas com a condição de só o fazer se a casa fosse construída na vila. (Quem dá dinheiro tem o direito de impôr condições.)

Mas tudo se encaminha no sentido de que assim não será. O Estado vai ajudar as pessoas a reconstruírem a sua casa na sua aldeia. Aldeias com 10, 20 ou 30 habitantes vão portanto ser restauradas. Continuará a haver segundas habitações no meio do eucaliptal, segundas habitações essas que os bombeiros tentarão a todo o custo proteger, em detrimento da floresta. Pessoas continuarão a viver isoladas no meio das árvores, com todos os custos que isso implica, porque não prescindem de estar perto das suas hortas.

O erro vai-se repetir. O Estado não deveria continuar a ajudar as pessoas a morar onde muito bem lhes apeteça.

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