Retrato de Luís Lavoura

Neste momento em que tanto se fala dos portugueses e luso-descendentes na África do Sul, cabe perguntar, por que motivos não regressam eles a Portugal? É uma pergunta que faço àqueles conservadores que se preocupam com a fraca natalidade em Portugal e com a perspetiva de o país vir a ficar cada vez mais despovoado. Esses conservadores querem, de alguma forma, incentivar os portugueses a ter mais filhos, mas eu pergunto, por que não se preocupam antes em incentivar os emigrantes e os seus descendentes a regressar a Portugal? Não seria essa uma forma muito mais rápida e direta de a população portuguesa aumentar, acolhendo até mão-de-obra já com um certo nível de qualificação?

 

O facto é este: no mundo atual, altamente móvel, as pessoas vão para onde crêem que as suas perspetivas de vida serão melhores. De pouco importa uma pessoa ter nascido em Portugal ou na África do Sul ou na Venezuela - ela acabará por ir viver para um qualquer destes países, ou para outro qualquer onde acredite que a sua vida será melhor. A solução para o problema (mais imaginário do que real, diga-se) do despovoamento de Portugal não reside em pedir aos portugueses que tenham mais filhos, reside em prometer a quem vive em Portugal melhores perspetivas de progresso. Se Portugal fôr um país próspero, não faltarão luso-descendentes que a ele queiram regressar.

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