http://dn.sapo.pt/bolsa/emprego/interior.aspx?content_id=1634265
Este dado parece apontar para que vivamos uma situação contrária à normalmente ouvida (a de que temos contratos de ttrabalho demasiado rígidos). No entanto, a questão completamente a inversa.
Como o contrato de trabalho "normal" é demasiado rígido, criaram-se sistemas paralelos. Ninguém quer contratar um trabalhadpr através dos contratos que deveriam ser a regra.
Assim, o que temos é rigidez absoluta para quem já tem o posto assegurado; insegurança absoluta para quem não tem.
É exactamente o contrário da flexigurança, ou flexisegurança (?). Chamar-lhe-ia Insegrigidez ou Riginsegurança. A alternativa, a flexigurança, seria estabelecer contratos em que o vínculo laboral fosse mais ténue, mas em que em contrapartida as compensações monetárias fossem mais elevadas, "normalizando-se" assim a instabilidade laboral. Como está claro, esta solução é demasiado lógica para agradar a sindicatos ou organizações patronais. Os primeiros, porque um sistema de flexigurança individualiza as relações laborais e dá um poder enorme a cada trabalhador. As segundas, justamente porque o trabalhador vê os seus direitos reforçados e ainda têm de pagar mais dinheiro ao trabalhador.
O sistema actual é bem o resultado do que os sindicatos defendem: aristocratizar os trabalhadores mais velhos; proletarizar os trabalhadores mais novos.
É preciso que alguém pague as pensões e trabalhe por quem está demasiado acomodado para o fazer. Mas isto não quer dizer que as organizações estejam isentas de culpa: enquanro defenderem sistemas de semi-escravatura, nenhuma maioria social as apoiará.














desinvestimento
Luís Lavoura on Sexta, 06/08/2010 - 10:26A pior consequência das atuais leis do trabalho portuguesas é que elas desincentivam as empresas de investir nos seus trabalhadores (e os trabalhadores de investir nas suas empresas).
Como por definição todos os trabalhadores devem ser contratados a prazo (ou a recibos verdes), as empresas não têm qualquer incentivo para promover a qualificação dos seus trabalhadores.
Com flexibilidade menos formação...
João Cardiga on Sexta, 06/08/2010 - 13:36"...as empresas não têm qualquer incentivo para promover a qualificação dos seus trabalhadores..."
Realisticamente não é por existir flexissegurança que vai existir mais ou menos investimento em formação. É uma questão cultural e nesse aspecto a probabilidade de existir menos formação até aumenta com maior flexibilidade laboral.
"...leis do trabalho portuguesas é que elas desincentivam..."
Em teoria até seria ao contrário. Afinal se estás obrigado a ficar com a mesma pessoa, mais vale dar formação para que o mesmo renda mais...
velhos e novos
Luís Lavoura on Sexta, 06/08/2010 - 09:15"aristocratizar os trabalhadores mais velhos; proletarizar os trabalhadores mais novos"
Em geral, a sociedade atual sofre cada vez mais de uma confrontação entre velhos e novos. Há cada vez mais pessoas idosas e, além disso, o capital financeiro (as poupanças) é cada vez maior e está, naturalmente, na posse das pessoas idosas. Os rendimentos do trabalho, pelo contrário, são cada vez menores. Como consequência destes dois factos, os velhos têm cada vez maior poder político e social, o que faz com que cada vez mais a sociedade tenda a tratar mal os jovens. O mercado de trabalho - no qual os velhos têm posições inabaláveis, os jovens vivem num sistema de total precariedade - é um caso particular desta confrontação entre idosos e jovens, com os idosos a terem cada vez maior poder e a explorarem cada vez mais cruelmente os jovens.
"Os primeiros, porque um
Sérgio (não verificado) on Quinta, 05/08/2010 - 13:55"Os primeiros, porque um sistema de flexigurança individualiza as relações laborais e dá um poder enorme a cada trabalhador."
Depende. Se um sistema de flexisegurança garantir o rendimento de um trabalhador até este encontrar trabalho, talvez...
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