Retrato de David Moreira

Para festejar as eleições presidenciais e o centenário da República proponho um sistema alternativo que junta a República e a Monarquia, sendo cada eleitor livre de expressar a sua simpatia pelo seu sistema político.

 

Considero que os monárquicos e os republicanos têm uma ideologia antagónica e que nenhuma é melhor que a outra, se bem que para cada um a sua é melhor. Reduzo a questão a duas “tribos” políticas de Portugueses. Duas formas distintas de sentir o mesmo país, Portugal.

O que fazer para conciliar estas duas “tribos” de Portugueses num sistema que respeitasse, sem excluir uma das duas tribos?

 

Proponho um sistema em que ninguém ficaria a ganhar ou a perder e em que a opinião de cada um seria respeitada. Chamo ao sistema “Consenso República/Monarquia” e basicamente é descrito do seguidamente.

 

No recenseamento eleitoral, cada cidadão assumia-se monárquico ou republicano. E deste modo ficaria definido o seu modo de participação política.

 

Com os dados do recenseamento eleitoral ficaria definida a percentagem de monárquicos e republicanos existente. Suponhamos, por exemplo, que 80% eram republicanos e 20% eram monárquicos.

 

Os republicanos elegiam o seu Presidente, numa eleição em que os monárquicos não participavam.

 

Os monárquicos poderiam excepcionalmente fazer votações relacionadas com a monarquia como a aclamação do Rei, entre outros assuntos. Os republicanos não participavam nestas votações.

 

A Chefia de estado seria rotativa em cada período de 5 anos. Teríamos os 5 anos divididos entre o Presidente eleito pelos republicanos e o Rei aclamado pelos monárquicos. O período de mandato de cada um era ditado pela respectiva percentagem de republicanos e monárquicos. No exemplo escolhido, a chefia de estado era entregue ao Presidente dos republicanos por 4 anos enquanto o Rei dos monárquicos estaria na chefia de estado durante 1 anos. Ao fim de cada 5 anos fazia-se novas eleições republicanas, e o recenseamento eleitoral definia os novos períodos de mandato.   

 

O nome do país deixaria de ser República Portuguesa ou Reino de Portugal para ser somente Portugal.

 

A bandeira nacional passaria a ostentar lado a lado com bandeira republicana a bandeira monárquica, passando de bicolor para tetracolor.

 

Deste modo, teríamos um País em que a opinião de cada Português quanto à questão monarquia ou república era respeitada e a união dos Portugueses estava garantida.

Além disso, seria um sistema concorrencial, pois cada cidadão podia mudar de opinião consoante o desempenho dos chefes de estado e deste modo o período dos mandatos seria alterado. Melhor desempenho de um chefe de estado, significaria maior mandato para o próximo período de cinco anos.

 

Para finalizar alguns exemplos de Países cuja chefia de estado é rotativa.

Andorra tem dois co-príncipes, o Presidente da República Francesa e o Bispo de Urgel.

Bósnia-Herzegovina a presidência do País é rotativa pelos líderes Sérvios, Croatas e Muçulmanos, em mandatos de 1 ano.

Malásia, o Rei da Federação da Malásia é rotativo pelos vários Sultanatos.

Retrato de Miguel Duarte

E se existirem poucos monárquicos?

Miguel Duarte on Quarta, 26/01/2011 - 15:20

Bem, além de estares a transformar o rei num "presidente" (pois pelo que percebi é eleito), o que acontece se um dos campos tiver poucos votos, por exemplo existirem muito poucos monárquicos? Suponho que não vamos ter um rei de 5 em 5 anos por 2 semanas, ou sim? ;)

Retrato de David Moreira

Os monarquicos são +- 20%

David Moreira on Quarta, 02/02/2011 - 20:29

Não creio estar a transformar o rei num presidente, só estou-lhe a dar, em período de tempo de chefia de estado, a dimensão que ele representa. Não confundir isto com uma eleição. Na Bósnia a presidência é rotativa pelas três etnias mais representativas, sem que haja eleições para a presidência.

As últimas sondagens credíveis sobre o assunto dizem que os monárquicos são por volta de 20%. Número bem maior do que os resultados eleitorais do PPM. Por isso não confundir a dimensão do partido com o número de portugueses com simpatias monárquicas.

Mesmo assim, se o número se revelar muito inferior aos 20%, das duas uma, ou define-se um limite mínimo que justifique uma chefia de estado, ou então teríamos "um rei de 5 em 5 anos por duas semanas", por mais estranho que possa parecer, esta última solução é a minha preferida

Por absurdo este sistema até permite aos portugueses que não se sintam representados pela república ou pela monarquia possam estar representados na chefia de estado. Não estou a falar dos anarquistas, esses são contra o estado, por isso devem ser avessos a um chefe de estado. Falo de pequenas minorias étnico ou religiosas. Como por exemplo os ciganos, se eles se organizarem e escolherem um chefe, esse chefe dos ciganos poderia ter as suas “2 semanas” de chefia de estado. Ou os Ismaelitas portugueses, o seu chefe, Aga Kan, poderia ter as “2 semanas” de chefia de estado. E assim por diante...

Retrato de Luís Lavoura

Não está mal visto,

Luís Lavoura on Domingo, 23/01/2011 - 15:33

.. não senhor. E os três exemplos apresentados no final são todos eles verdadeiros.

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