Pedro Passos Coelho esteve muito bem ao defender, ontem, que o Estado deve privatizar a RTP, isto é, privatizar as estações de rádio e de televisão que ainda lhe pertencem.
Note-se que a RTP tem, nos últimos anos, dado lucro, sendo perfeitamente viável privatizá-la. No entanto, a privatização implicaria o levantamento das restrições que atualmente limitam a publicidade nos canais públicos. Como é evidente, isto não interessa nada às estações concorrentes. Ao manter a RTP privada o Estado está, implicitamente, a subsidiar as estações de rádio e televisão privadas, principalmente a SIC e a TVI, as quais, naturalmente, não estão nada interessadas em que a RTP concorra com elas em pé de igualdade na captação de receitas publicitárias - e que farão certamente pressão para que a privatização não ocorra.
A privatização da RTP deveria também acarretar o compromisso de os políticos não andarem a mexericar nos negócios de compra e venda entre privados de estações de radiodifusão. Nenhum privado estará interessado em comprar uma estação de televisão se souber que a sua posterior venda poderá estar sujeita a escrutínio e a chicana política, do tipo daquela que o PSD ultimamente promoveu em torno da venda da TVI.
Pedro Passos Coelho faria, já agora, bem em olhar para lá do mar e ver que, na Madeira, ainda há um jornal que é propriedade do governo regional. Quando se privatizasse a RTP seria uma boa ideia obrigar o régulo da ilha a abandonar a propriedade (e o subsídio, sob a forma de compra obrigatória por parte de órgãos dependentes do governo regional) do seu jornal.














objeção? wtf? Se vamos todos
Anónimo (não verificado) on Quarta, 14/04/2010 - 20:36objeção? wtf?
Se vamos todos escrever como pronunciamos, então os Brasileiros têm de dar o exemplo e passar a escrever Brasiu...
Até lá, meu amigo faz favor de escrever SEMPRE as consoantes mudas C e P.
Ironia
João Cardiga on Quinta, 15/04/2010 - 09:34Gosto especialmente da ironia que no comentário em que quer impôr uma determinada regra de português se utilize a expressão anglo-saxónica "wtf" que não tem qualquer utilização no português. E que tal utilizar SEMPRE expressões em português quando se quer tentar criticar o português correto de outra pessoa?
Bem visto
João Cardiga on Terça, 13/04/2010 - 17:44Foi bem visto. No entanto estive a analisar as contas da RTP e duvido mesmo que alguém pegue nela como está. Ou seja, convém reflectir como é que vão ser possíveis as privatizações, assim como, e com que montante, é que o Estado garante o serviço público. Ou seja para além do milagre de se saber como é que vamos vender algo que ninguém à partida quer, também temos de saber como é que criamos a moldura legal para efectuar essas alterações...
serviço público
Luís Lavoura on Quarta, 14/04/2010 - 11:09"como é que o Estado garante o serviço público"
O que se considera, exatamente, ser serviço público?
A transmissão das alocuções ao país do presidente?
A transmissão dos jogos de futebol da seleção nacional? (Qualquer televisão privada estará interessada em transmiti-los.)
A transmissão de tempos de antena nas campanhas eleitorais? (Pouca gente hoje em dia os vê ou ouve.)
As emissões para o estrangeiro, da RTP Internacional e RTP África?
Sobre o serviço publico
João Cardiga on Quarta, 14/04/2010 - 14:16Sobre o serviço publico responderei mais tarde pois exige alguma reflexão...
pegar
Luís Lavoura on Quarta, 14/04/2010 - 08:24Por que duvidas que alguém pegue na RTP como ela está?
$$$$$$$$$
João Cardiga on Quarta, 14/04/2010 - 08:41Porque tem capital próprio negativo de 700 milhões de euro!
mas é rentável
Luís Lavoura on Quarta, 14/04/2010 - 11:05O capital próprio negativo deve-se a dívidas antigas que podem ser assumidas pelo Estado. No presente (no dia-a-dia) a empresa é rentável, tanto quanto percebo.
A empresa é rentavel
João Cardiga on Quarta, 14/04/2010 - 14:15A empresa é rentavel operacionalmente (cerca de 6 milhões de euros) e é efectivamente os juros que fazem com que a mesma tenha resultados negativos. No entanto não sei avaliar ao certo a rentabilidade da mesma com os dados que consultei.
Mas a minha dúvida é: se estás a assumir a divida, que sentido faz venderes? ao fazê-lo passas basicamente um activo limpo para privados prejudicando todos os contribuintes...
objeção válida
Luís Lavoura on Quarta, 14/04/2010 - 15:11Essa é uma objeção válida. De facto, ela foi recentemente feita pelo (insuspeito de tendências estatizantes) João Salgueiro, às privatizações previstas no PEC. João Salgueiro disse que não faz sentido o Estado ir privatizar os CTT, (o que resta d)a EDP, (o que resta d)a Galp, etc, dado que essas empresas são rentáveis e que a sua privatização não renderá, previsivelmente, ao Estado tanto dinheiro quanto os lucros/dividendos que elas anualmente geram para o Estado.
A privatização da RTP é no entanto importante pela questão de princípio de não ter o Estado a concorrer no mercado das televisões e rádio. Por que motivos há-de o Estado ser concorrente nesse mercado?
Por outro lado: se as restrições à publicidade na RTP forem levantadas, essa empresa aumentará a sua rentabilidade e, possivelmente, passará a ter resultados positivos mesmo após o pagamento dos juros da dívida.
Então se calhar faria sentido
João Cardiga on Quinta, 15/04/2010 - 09:31Então se calhar faria sentido levantar as restrições, aumentar as receitas, pagar a divida com isso e posteriormente, também quando o mercado tiver melhor privatiza-la. Pelo menos assim aliviar-se-ia esse fardo da parte dos contribuintes que já têm demasiadas "contas" para pagar...
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