Retrato de Luís Lavoura

Sabemos muito pouco em que se baseiam, exatamente, as acusações que são feitas a José Sócrates, pelo que dificilmente podemos avaliar se a sua prisão se justifica.

Aparentemente, essas acusações sustentam-se em estranhas movimentações de elevados montantes de dinheiro. Nada permite, até agora, inferir que tais movimentações tenham algo a ver com as atividades políticas de Sócrates. Ou seja, mesmo que Sócrates tenha cometido algo de irregular na sua vida financeira pessoal, nada nos permite até agora afirmar que esse algo tenha a ver com as suas antigas posições como líder do PS, como ministro ou como primeiro-ministro.

A justiça divulgou que sob Sócrates pende a suspeita de corrupção. Em minha opinião, essa divulgação é vergonhosa, na medida em que não são conhecidos quaisquer dados que façam supôr que Sócrates corrompeu ou foi corrompido. A justiça portuguesa está, efetivamente, a lançar para a opinião pública uma suspeita sobre uma pessoa, suspeita essa para a qual parece não dispôr de qualquer fundamento. É, em minha opinião, uma página negra na justiça portuguesa. A partir de agora, todos nós ficamos a saber que qualquer magistrado pode divulgar para a opinião pública as mais porcas suspeitas sobre qualquer um de nós sem que se digne justificar - nem mesmo, aparentemente, perante o acusado nem o seu advogado - tais suspeitas.

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