Retrato de Luís Lavoura

José Sócrates é suspeito de três crimes: fraude fiscal, branquamento de capitais, e corrupção.

Fraude fiscal pode muito bem ele ter cometido. Montes de pessoas cometem em Portugal fraudes fiscais. Nas suas finanças pessoais, Sócrates também as pode ter cometido. No entanto, as fraudes fiscais não terão, em princípio, nada a ver com as funções políticas que Sócrates desempenhou.

Para que haja branqueamento de capitais, é preciso que haja crimes de onde provinham os capitais a ser branqueados. Como é que foram adquiridos esses capitais que se tinha que branquear? No tráfico de drogas? No tráfico de armas? No tráfico de espécies ameaçadas? No proxenetismo? No jogo ilegal? Não estou bem a ver Sócrates, nem nenhum dos outros suspeitos, a dedicar-se a tais atividades. Parece-me portanto que essa acusação é um tanto descabida. De qualquer forma, mais uma vez, se houve branqueamento de capitais este não é um crime ligado às atividades políticas de Sócrates.

Para que haja corrupção é preciso que haja um objeto dela (facto pelo qual se corrompe) e uma contraparte (pessoa que corrompeu Sócrates ou que por ele foi corrompida). Parece que a justiça ainda não sabe ao certo nada disso. Não se sabe quem corrompeu Sócrates nem para que efeitos ele foi corrompido. A suspeita de corrupção pode ter bases, mas nada do conhecimento público nos indica quais elas possam ser.

Em todo o caso, a corrupção é a única suspeita que recai sobre Sócrates que poderá ter a ver com as funções políticas que ele desempenhou. Os outros crimes de que Sócrates é suspeito nada têm a ver com a confiança política que o povo português (em tempos) nele depositou.

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